Estádio cheio, patrocinador máster e agora sócio-torcedor e CT: conheça o time de futebol feminino que dá certo no Brasil

Bianca Daga, do espnW.com.br

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O Iranduba conquistou seu sétimo título seguido no Campeonato Amazonense
O Iranduba conquistou seu sétimo título seguido no Campeonato Amazonense

Ponto fora da curva no futebol feminino no Brasil, o Iranduba promete dar ainda mais trabalho para os rivais a partir de 2018. Sem a mesma estrutura e o mesmo orçamento de Santos (atual campeão brasileiro) e Corinthians (atual campeão da Libertadores), o clube de Manaus (AM) já conseguiu brigar de igual para igual neste ano, chegando às semifinais do nacional e batendo recorde de público no País. E agora terá ‘armas’ para, quem sabe, conquistar títulos. O Hulk ganhou um patrocinador máster e, com a verba, assinou a carteria de trabalho de jogadoras e comissão técnica, planeja a construção de um centro de treinamento e vai lançar o primeiro programa de sócio-torcedor do futebol feminino no Brasil.

Lá, a torcida ‘só saí de casa’ quando elas jogam. A última vez que o estado teve representante na primeira divisão do Campeonato Brasileiro masculino foi na década de 1980. Outro dado, para efeito de comparação: o público total do Campeonato Amazonense dos homens neste ano foi 21.179 torcedores, somando os 63 jogos disputados. Enquanto isso, o Iranduba – que decidiu priorizar as mulheres  e não tem atividade profissional do futebol masculino desde 2015 – colocou 25.371 pessoas na Arena da Amazônia no jogo de ida das semifinais do nacional contra o Santos, em junho. Ou seja, apenas uma partida do Iranduba foi suficiente para superar o estadual inteiro.

O número foi recorde de público do futebol feminino no Brasil. E não tem essa de entrada franca; todos pagam ingresso. O Iranduba coloca por terra a afirmação de que o futebol feminino não tem mercado. O clube põe milhares de pessoas no estádio, vende camisas e tem jogadoras tietadas nas ruas. O sucesso atraiu seu primeiro patrocinador máster: em setembro, o Hulk assinou contrato de três anos com a empresa Transire Eletrônicos.

A verba da parceria ainda é segredo, mas fato é que já viabilizou um dos projetos do presidente do Iranduba, Amarildo Dutra: agora, o time é profissional. “Já tínhamos tratativas e teríamos conseguido recurso se a CBF não tivesse cancelado a Copa do Brasil. Mas por conta disso, atrasou uns meses e, em outubro, assinando a carteira das 24 jogadoras do nosso elenco e de toda a comissão técnica. É um orgulho muito grande pode dar segurança e bem estar às atletas. E vamos conversar com nosso patrocinadora para, em 2018, aumentar nosso orçamento e fazer novas contratações”, contou o dirigente ao espnW.

Os gastos do Iranduba, hoje, são R$ 100 mil por mês, sendo R$ 60 mil de folha salarial. A chegada do patrocinador máster vai permitir que outro planejamento saia do papel. Nos próximos meses, o Iranduba vai lançar o primeiro programa de sócio-torcedor do futebol feminino no Brasil. 

“Será mensal e terá umas cinco opções de plano para os torcedores. Ainda estamos definindo o nome, e a data de lançamento será estratégica, contra um adversário que traga torcida, como Flamengo ou Corinthians. Então, estamos esperando sair a tabela do Campeonato Brasileiro. O sócio-torcedor não está sendo criado apenas como mais um fonte de receita. Queremos fidelizar nossos torcedores, estreitar o relacionamento deles com o clube, oferecer produtos do time com desconto e fazer com que o torcedor seja nosso maior patrimônio. Só títulos, não adianta. Se investirmos nele, teremos como consequência retorno financeiro e esportivo.”

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O clube chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro neste ano
O clube chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro neste ano

A Transire Eletrônicos também vai possibilitar ao Iranduba a construção do Centro de Treinamento, com entrega prevista para 2019. Hoje, a equipe feminina treina em campos espalhados por Manaus, alguns em estradas que dão acesso a outros municípios e nos estádios, só quando há disponibilidade de data. Além disso, o Iranduba deve participar de um torneio internacional na segunda quinzena de agosto, contra outra equipe brasileira e duas da Europa.

“Temos como foco estruturar a equipe feminina para que seja cada vez mais forte. Queremos estar entre o cinco maiores clubes do futebol feminino no Brasil (hoje é o sexto no ranking da CBF) e ser referência na modalidade, conquistando títulos nacional e internacionais. O objetivo é expandir nossa marca e conseguir cada vez mais torcedores e patrocinadores. Acreditamos que a continuidade do trabalho é fundamental para que em médio prazo possamos atingir esses objetivos. Creio que até o fim de 2020, podemos já estar escrevendo uma história ainda mais bonita para o clube.”

O Iranduba manda seus jogos na Arena da Amazônia, estádio que se não fosse pelos jogos das meninas do Hulk, ficaria encostado como mais um ‘elefante branco’ da Copa do Mundo de 2014. Em novembro, a equipe feminina conquistou seu sétimo título consecutivo no Campeonato Amazonense. Ainda falta a tabela detalhada, mas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já anunciou que o Campeonato Brasileiro começará no dia 25 de abril e terminará em 24 de outubro.