Melhores do mundo no ESPN FC 100: Suárez elogia Messi, Godín explica liderança, e Cavani fala de gols e... Neymar

A edição 2017 do ESPN FC 100 foi lançada no dia 4 de dezembro, e as reações estão sendo intensas no mundo do futebol. Vimos, por exemplo, as estrelas do Bayern de Munique Manuel Neuer (número 1 entre os goleiros) e Robert Lewandowski (eleito o melhor centroavante do planeta) falarem ao ESPN FC sobre seu progresso. Agora, é a vez de um trio uruguaio de peso: Luis Suárez, Edinson Cavani e Diego Godín. Divirta-se!

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Luis Suárez

Um dos atacantes mais mortais do mundo, Luis Suárez nos falou sobre alguns dos motivos do seu sucesso, mas também fez comentários sobre sua amizade com outros top stars da liga espanhola, como seu companheiro de equipe, o argentino Lionel Messi, e o companheiro de seleção do Uruguai, Diego Godín.

ESPN FC: Como é jogar com Messi, que tem sido apontado como o maior da história do futebol?

Suárez: Para mim, é uma mistura de orgulho e admiração por tudo o que ele faz. Leio e antecipo suas jogadas, esperando que ele vá fazer o que quer que ele queira. É definitivamente um privilégio jogar com ele, que é o melhor de todos os tempos na minha opinião.

ESPN FC: Recentemente, um vídeo em que você brincava com o filho do Messi durante a premiação da Chuteira de Ouro viralizou. Qual é a origem da sua amizade com o Leo?

Suárez: Creio que isso surgiu do nosso respeito mútuo como colegas, mas se fortaleceu com horas de conversas pelas manhãs, inclusive dividindo um mate, que é uma bebida que constrói uma relação de amizade. Sempre que olho para trás, percebo que ele tem sido espetacular para mim desde o meu primeiro dia no clube.

ESPN FC: E isso os ajuda a jogar melhor juntos...

Suárez: Óbvio! Muitas vezes me pego pensando: “o que faria alguém me passar a bola se aquela pessoa nem ao menos conversa comigo fora do campo?” A relação construída fora de campo certamente mostra resultados dentro dele.

ESPN FC: Falando em amizade, você já mencionou uma vez que não gosta de enfrentar o Atlético de Madrid e, em particular, o Diego Godín. Vocês são bons amigos fora do campo, mas o que acontece quando estão em lados opostos?

Suárez: É algo que tento esquecer quando estamos jogando. Não vou fazer nada errado, mas, se eu puder me beneficiar de alguma situação no jogo, farei isso. Eu até já fiz com que ele fosse expulso uma vez! [Risadas]

ESPN FC: Como você descreveria seu estilo de jogo e modo de agir durante a partida? O que faz de você um atacante tão letal?

Suárez: Sempre joguei da mesma forma e não tentei mudar quando me tornei um profissional. Lembro que quando passei a ser jogador do Ajax eu não tentava jogar bonito: meu estilo era sempre mais o físico. Eu queria me antecipar, tentava ser o primeiro a chegar na bola. E nunca me dava por satisfeito quando atingia uma meta. Em vez de parar e relaxar, e eu poderia ter feito isso diversas vezes, continuo e foco no próximo objetivo.

ESPN FC: Ser tão bem-sucedido aqui em Barcelona é de fato especial para você, por que é onde você e sua esposa se reencontraram.

Suárez: Com certeza. Sofia e eu reatamos aqui depois de muitos sacrifícios quando comecei minha carreira profissional. Agora estamos vivendo um sonho, felizes juntos após tantas adversidades. E eu nunca esqueço que ela é quem me mantém focado, lembrando-me que há vida após o futebol que eu preciso ser um marido e um pai melhor todos os dias sem exceção.

 

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Diego Godín

O Uruguai tem em Godin um zagueiro, líder e capitão de primeira linha, o que é um requisito fundamental no ranking FC 100 para os melhores zagueiros. Perguntamos a ele sobre seu começo no futebol e sobre os segredos do sucesso da sua seleção nacional.

ESPN FC: O nome William Lemos faz lembrar alguma coisa?

Godín: Claro que sim! Foi quem acreditou em mim para que eu me tornasse um zagueiro no Cerro. Tentei fazer parte das divisões de base do Defensor como meio-campista e não fui bem. Voltei desapontado para minha cidade natal, Rosario, mas meu pai disse que eu deveria continuar tentando. Ele me deu uma chance no Cerro como um meio-campista pelo lado direito e me apoiou. Depois, eu passei a jogar como volante até que um dia, em uma partida, um dos zagueiros foi expulso e joguei os últimos minutos naquela posição.

William Lemos viu algo em mim naquela posição. Conforme passavam as partidas, me sentia à vontade e nunca mais olhei para o passado.

ESPN FC: Ainda assim, quais foram as dificuldades de se mudar para Montevidéu ainda jovem?

Godín: Para alguém das províncias uruguaias, é sempre bastante difícil se mudar para a capital. Você sente muitas saudades dos amigos e da família. Mas isso me fez crescer. Algo me fez enxergar e perceber que eu tinha uma oportunidade enorme a minha frente.

ESPN FC: Se isso moldou seu caráter, provavelmente ajudou que se tornasse o capitão que você é hoje. O que você faz para ser um bom líder?

Godín: Há sempre uma liderança natural que vem do fato de ser admirado e respeitado em um grupo. E aí você coloca o que aprende assistindo e ouvindo outras pessoas, e tendo colegas de equipe que ajudam você a melhorar.

ESPN FC: Além disso, você lidera uma equipe que tem uma vontade gigantesca e força para lutar contra a adversidade...

Godín: No Uruguai, isso é provavelmente genético. E esta seleção deu a volta por cima após diversos tropeços. Começando pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, em que aprendemos a conversar um com os outros, encontrar soluções e avançar para nos tornarmos cada vez melhores.

ESPN FC: Aquela equipe de 2010 fez uma grande campanha que culminou com o quarto lugar e venceu a Copa América um ano depois. Em 2014, após passar pela Inglaterra e Itália na fase de grupos, a suspensão do Suarez pareceu abalar demais o time. Quais são as suas expectativas para 2018?

Godín: Creio que o Uruguai agora não tem apenas jogadores do primeiro escalão, mas também uma mistura perfeita de juventude e experiência, além dos grandes jogadores. Quando você vai à Copa do Mundo, você quer curtir o evento, mas, ao mesmo tempo, você tem expectativas máximas: precisa ir e estar convencido de que está indo para vencer.

 

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Edinson Cavani

Cavani é um dos atacantes na lista seleta do FC 100. Ele falou sobre o que faz dele um artilheiro tão fatal e sobre a vida em Paris... incluindo, é claro, Neymar.

ESPN FC: Você já está em Paris há alguns anos e parece que, no estádio, as partidas do PSG são verdadeiras festas...

Cavani: O clube tem trabalhado nisso e é realmente uma atmosfera muito agradável. Além disso, temos conseguido bons resultados e isso ajuda: estamos vivendo todos o mesmo momento.

ESPN FC: E a sua artilharia melhora em todas as temporadas. Isso tem ajudado você a ganhar mais reconhecimento?

Cavani: Ser reconhecido e admirado pelos torcedores é algo que me deixa muito feliz. Mas, colocando os gols de lado, eu sempre tive meus objetivos claros como um profissional e, às vezes, não é fácil conseguir os resultados rapidamente. Você precisa de tempo.

ESPN FC: Como um atacante, o que você pensa, se é que pensa alguma coisa, quando uma chance de marcar está próxima?

Cavani: Você sempre imagina a jogada na medida em que ela se desenvolve. E quando vê o momento de a finalização surgir, você está pronto. Eu sempre tentei chegar àquele momento na melhor posição possível e que depende de como você leu a jogada segundos antes. É uma estratégia mental.

ESPN FC: E, como um jogador, você uma vez disse que tentou ser o melhor, ou ao menos sabe que você se dedicou bastante para ser...

Cavani: Essa é uma definição que fala sobre como você quer encarar a vida. Você quer ser o melhor, mas não se sente o melhor. Dê 100 por cento de si, respeite as outras pessoas e durma em paz.

ESPN FC: Isso nos leva a um tópico que foi discutido amplamente - seu relacionamento com a Neymar. Eu ouvi você dizer que você não precisa ser amigo de todos, mas sim dar o seu melhor em todos os jogos.

Cavani: No futebol, e especialmente neste nível, você não tem que sair à procura de amigos ou aliados. Eu acredito que metas coletivas estão acima das metas individuais. Você tem de ser profissional e dar tudo de si em todos os treinamentos e jogos. O que conquistarmos como um grupo é o que vai ressoar com os torcedores e fazer história para a equipe.

Você pode levar troféus pessoais para casa, mas, amanhã, seu filho pode jogá-los fora simplesmente porque ele não gosta de futebol! [Risadas]

*O conteúdo original, em inglês, pode ser acessado em "FC 100 trio Luis Suarez, Edinson Cavani, Diego Godin talk to ESPN".

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