Ele começou o ano sendo treinado por Rogério Ceni no São Paulo e acabou na Libertadores com a Chape

Diego Garcia e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Douglas levou Chape à Libertadores
Douglas levou Chape à Libertadores Divulgação

O zagueiro Douglas, 27 anos, conseguiu um feito histórico neste domingo: ajudou a Chapecoense a se classificar para a próxima Libertadores da América, mesmo um ano após a tragédia que matou 71 pessoas em voo que transportava a equipe à Colômbia.

E o atleta chegou à equipe na data limite para inscrições do Brasileiro, depois de começar o ano sendo treinado por Rogério Ceni, no São Paulo.

"No São Paulo eu jogava um jogo e ficava de fora por um longo tempo. Isso era difícil porque o jogador precisa de sequência de jogos para pegar ritmo e confiança. Infelizmente não consegui ter isso. Alternei alguns jogos bons e outros nem tanto", disse Douglas ao ESPN.com.br.
 

"Vim para a Chapecoense na última semana de inscrições do Campeonato Brasileiro deste ano. Tive um papo bem bacana com a diretoria da Chapecoense que me deixou bem tranquilo e me explicou a realidade do clube. A Chape vive um momento de reconstrução e está sendo um desafio bem grande para minha carreira. Quero participar disso. Estou bem feliz com essa decisão que tomei e foi acertada. Quero ter essa sequência de jogos que busco e ficar mais confiante", continuou.

O zagueiro, agora, pode disputar a competição continental pelo time de Chapecó, por onde atua por empréstimo - o São Paulo, que detém seu passe, ficou fora da zona de classificação à Libertadores.
 
"Tenho contrato até o fim do Estadual do ano que vem com a Chape. Ainda tenho vontade de voltar a jogar na Europa novamente e tenho isso como plano de carreira. Até lá eu quero poder ajudar o clube", explicou Douglas.

Após começar a carreira no Ecus Suzano-SP, ele fez teste no Internacional e teve passagens por Juventude e América-RN antes de chegar ao Vasco, logo depois da Copa do Mundo de 2010.

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"Foi uma passagem muito boa pelo Vasco. Conquistar a Copa do Brasil de 2011 foi bem especial. Eu estava no grupo e joguei o segundo jogo da semifinal, mas machuquei a perna. Era até para viajar para as finais contra o Coritiba, mas não consegui", lamentou. 

"Era um grupo com muitos jogadores experientes como Felipe, Carlos Alberto, Diego Souza, Alecsandro. Eles me ensinaram muitas coisas. Todos se davam muito bem e a convivência era ótima", contou Douglas.

  • Auge na Ucrânia

Depois disso, o atleta foi vendido para o futebol ucraniano, onde defendeu o Dnipro por quatro anos. "O mercado da Ucrânia estava muito forte e contratando muitos jogadores sul-americanos. Cheguei ao clube que tinha o Giuliano e o Matheus", disse o zagueiro.

"As maiores dificuldades que vivi foram com o clima e o idioma. Agente joga até a primeira semana de dezembro e fica bem frio. São poucos ucranianos que falam inglês e precisei aprender russo para me comunicar. Eu tive muita ajuda dos brasileiros e do tradutor que estava há muito tempo por lá", relembrou Douglas.

Um dos momentos mais delicados que o zagueiro viveu foi no começo da guerra civil na Ucrânia. "No dia a dia não mudou muita coisa, mas ficamos muito apreensivos. Eu estava coma família e buscava informações. A cidade que morei nunca houve nenhum problema e viviam como se nada tivesse acontecendo. Parecia que era em outro país", garantiu.

O zagueiro Douglas em ação pelo Dnipro
O zagueiro Douglas em ação pelo Dnipro Getty Images

Mesmo assim, sentiu o clima de apreensão com os bombardeios na cidade de Donetsk, distante 300 km de onde ele vivia.

 "Eu tinha contrato com o clube, mas pensava na segurança da minha família em primeiro lugar. Cheguei a entrar em contato com a embaixada do Brasil que falou que se tivesse algum problema nós poderíamos procurá-los", relatou.

Dentro de campo, o melhor momento da carreira do zagueiro foi durante a Liga Europa na temporada 2014/2015, quando o Dnipro perdeu a decisão do torneio para o Sevilla, da Espanha. 

"Nós chegamos até a final da competição. Poucos acreditávamos que poderíamos chegar tão longe. Ainda mais pelo período de guerra, não podíamos jogar no nosso estádio. Íamos para Kiev, mais de 500 km da nossa cidade e superamos isso. Uma coisa legal foi que mesmo os ucranianos que não torciam para nosso time torceram por nós. A gente queria um pouco de alegria para o povo que estava sofrendo muito com a guerra. Mesmo jogando fora de casa o pessoal abraçou e torceu por nós. Infelizmente não saímos campões, mas ficou marcado por essa jornada. Essa união do povo ucraniano com a nossa equipe", finalizou.

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  • Problemas e retorno ao Brasil

Após a final da Liga Europa, porém, os problemas com a guerra na Ucrânia se agravaram.  A esposa de Douglas estava grávida e o casal encontrou muitas dificuldades com a medicina local. 

"Eu falava um pouco de russo, mas só o básico para viver o dia a dia. A parte da comunicação estava complicada, íamos na consulta e não conseguíamos expressar aquilo que queríamos. Muitas vezes a médica falava e não entendíamos. Foi um ponto que pesou muito. Ela poder ter a nossa filha aqui no Brasil  com nossos médicos para darmos uma segurança maior", relembrou.

Além disso, Douglas tinha problemas para se recuperar de uma lesão no joelho. 

 Douglas pertence ao São Paulo
Douglas pertence ao São Paulo Fernando Dantas/ Gazeta Press

"A principio era algo simples, mas pelo mal pós-operatório que foi feito comigo se tornou um problema grande. Era pra ficar parado até 45 dias e fiquei seis meses e não me recuperava. Queria voltar para um clube no qual poderia ficar tranquilo e iria me recuperar para voltar a jogar em alto nível", recordou.

"Desde a Liga Europa o São Paulo tinha demonstrado interesse em mim e sabia que os ucranianos não iriam me liberar. Depois, o time começou a ter problemas financeiros e o presidente simplesmente deu as costas ao clube. Não pagou mais funcionários e jogadores. Por isso, me desliguei do Dnipro". 

Com isso, Douglas foi em julho de 2016 para o time do Morumbi e conseguiu se recondicionar fisicamente.

"Eu precisava de um tempo porque perdi muita massa muscular na perna. Eu fiquei quase dois meses no Reffis e agradeço muito aos profissionais do São Paulo. Eles me deram toda atenção e me colocaram apto para jogar futebol".

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