'Pedalada fiscal'? Santos usou R$ 40 milhões de empresários para poder anunciar superávit na véspera da eleição

Diego Garcia, do ESPN.com.br
Santos vive momento político conturbado com a proximidade da eleição
Santos vive momento político conturbado com a proximidade da eleição GazetaPress

A polêmica sobre o superávit de R$ 79,7 milhões anunciada pela diretoria do Santos na véspera da eleição presidencial do clube continua dando o que falar. Agora, a reportagem mostra como o time alvinegro acumulou calotes com empresários para poder anunciar o montante.

A situação começa com a venda de Thiago Maia. Fechada ao Lille por 14 milhões de euros (R$ 51 milhões), a transação tinha, desde o começo, conforme mostraram várias reportagens do ESPN.com.br, diversos desencontros e pontos dúbios envolvendo comissões.

Primeiro, o clube deveria ter pago 8% do valor total da transferência ao empresário Giuliano Bertolucci, dinheiro que jamais chegou ao bolso do agente, segundo apurou a reportagem - ou seja, R$ 4,1 milhões.

O jogador, por sua vez, tinha direito a 30% do valor que sobrou, ou R$ 14,1 milhões. Seu tio, Vanderi Maia, que toma conta de sua carreira, confirmou à reportagem que jamais viu a cor do dinheiro - e prometeu ir à Justiça.

"Não recebi. Vamos procurar os meios judiciais", apontou Vanderi, que confirmou ter a promessa de Modesto, quando assinou a renovação de Thiago, em 2015, de que receberia os 30% assim que o atleta fosse vendido. "Tinha essa promessa, mas não nos pagaram", apontou.

Outro agente que jamais levou sua parte do acordo foi Juan Figger, que deveria levar 10%, ou R$ 4,7 milhões. O empresário Alexis Malavolta, que trabalha com Figer, confirmou que ainda não recebeu o montante.

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Para completar, dos 60% restantes, ou R$ 28,2, o Santos precisava depositar judicialmente 28% do total da transferência (R$ 14,3%) - que sai da sua parte - por conta de processo movido pela empresa DLX, que quer uma parcela da transferência.

 Se perder na Justiça, o clube tem que retirar esse montante da sua fatia da transferência.

Assim, dos R$ 51 milhões da venda de Thiago Maia, o Santos, hoje, só pode dizer que R$ 13,9 milhões são seus. Mesmo assim, contabilizou o montante total em seu último balanço financeiro com Modesto Roma como presidente do clube.

Ou seja: dos R$ 79,7 milhões que o Santos anunciou como superávit, o clube conta com R$ 37,1 milhões que são dos empresários por conta da transferência. Além disso, a ESPN já havia mostrado que o clube pode ter omitido ao menos R$ 24 milhões de transferências ainda não quitadas, o que diminuiria ainda mais o  "azul" das contas santistas.

Isso porque, segundo informações que chegaram à reportagem, nenhuma das contratações feitas neste ano foram pagas. As transferências do zagueiro Cléber (7,3 milhões) e do atacante Bruno Henrique (R$ 13,5 milhões) ainda não tiveram nenhum centavo vindo dos cofres do clube. O negócio por Vladimir Hernández (R$ 6,3 milhões) não foi pago integralmente e teve somente sua primeira parcela quitada (cerca de R$ 2,1 milhões).

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Ainda de acordo com o que chegou à reportagem, nem a comissão prometida a agentes durante negociações conseguiram ser pagas. O negócio com Bruno Henrique só foi concretizado após uma pessoa com força nos bastidores ter pago do próprio bolso o montante correspondente ao responsável por intermediar a chegada do atacante.

O que ajudou também a contabilizar o superávit foi o clube ter recebido R$ 34 milhões da venda de Neymar ao PSG por ser o clube formados. Sem a quantia, o Santos provavelmente teria fechado o trimestre no vermelho, às vésperas da eleição.

Para completar, segundo informações que chegaram à reportagem, acordos judiciais estão sendo atrasados, além de direitos de imagens de atletas e parcelas de valores referentes a outros empresários que não os ainda citados aqui.

O pleito será realizado no dia 9 de dezembro e contará com os candidatos Modesto Roma, José Carlos Peres, Andres Ruedas e Nabil Khaznadar.

A reportagem procurou o clube para comentar as informações acima, mas o Santos ainda não respondeu. Da última vez, divulgou nota oficial, que pode ser vista aqui.

OUTRO LADO

Após a publicação da reportagem, o Santos enviou à reportagem um pedido de outro lado. Confira, abaixo, na íntegra:

"Em razão da publicação da matéria "Pedalada Fiscal’? Santos usou R$ 40 milhões de empresários para poder anunciar superávit na véspera da eleição", publicada no site ESPN Brasil, no último domingo (27), subscrita pelo jornalista Diego Garcia, cumpre-nos esclarecer o que segue diante das inverdades e erros de informação contidos na referida matéria, em respeito aos sócios, torcedores e comunidade alvinegra:

O Santos FC reitera mais uma vez que não há e nem nunca houve qualquer maquiagem ou "pedalada" nos balanços apresentados pelo clube. Os documentos são elaborados com base nas normas contábeis vigentes, auditados por empresas independentes e colocados à apreciação dos órgãos internos responsáveis pela aprovação dos documentos. No que se refere ao último balanço encaminhado, referente ao terceiro trimestre do ano, o mesmo foi aprovado sem qualquer ressalva.

Portanto, não são medidas oportunistas, "na véspera da eleição", como tenta induzir o título da referida matéria. Nesse sentido, a suspeita lançada pelo autor não só caracteriza a imposição de fato eventualmente criminoso por parte do Clube e daqueles colaboradores responsáveis técnicos, assim como cria imagem criminosa sobre comportamento da instituição Santos Futebol Clube.

Em relação as dúvidas e ilações lançadas sobre a transação que envolveu o atleta Thiago Maia, deve-se ressaltar que ao Santos FC coube receber, por legítimo direito, 70% do montante pago pelo Lille, da França, sendo que a participação do atleta e a comissão devida ao intermediário da operação transcorreram com base nas legislações vigentes e estão devidamente registradas nos departamentos competentes do clube, dentro do compromisso de transparência adotada pela atual administração.

Lamentamos, assim, que mais uma vez o jornalista Diego Garcia, com a superficialidade e má fé que tem caracterizado suas últimas intervenções - confundindo maliciosamente receita (que produz superávit) com passivos que nada tem a haver com resultados, o que qualquer profissional minimamente isento e responsável saberia distinguir e informar -, tente alterar a verdade dos fatos baseando seu argumento em "informações que chegaram a reportagem", sem o compromisso de elucidar as questões pertinentes. Outrossim, esclarecemos que o Santos FC já havia ajuizado na última sexta-feira (24), medida judicial criminal contra o autor reportagem por atitude semelhante anteriormente praticada".


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