Batalhão de técnicos, rede de olheiros na Série B e 14 microempresas: como o Palmeiras quer fazer seus craques em casa

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Com o sucesso obtido nas categorias de base neste ano, o Palmeiras planeja o próximo natural passo: levar os jovens jogadores formados para a equipe profissional. Para isso, o clube conta com uma estrutura de profissionais capacitados para transformarem suas promessas em verdadeiros craques forjados em casa.

Em participação no "II Debate Pense Bola", em São Paulo, evento organizado que reuniu treinadores, analistas e profissionais que trabalham com futebol, Cícero Souza, gerente de futebol da equipe, explicou como funciona o pensamento alviverde para as próximas temporadas.

"Queremos ser um clube formador. Queremos ser um clube que capta, forma e faz bem a transição ao profissional. Temos objetivos técnicos, financeiros e de imagem e queremos ter uma equipe profissional competitiva capaz de brigar pelas primeiras colocações", explicou. "Queremos ser, também, um departamento auto sustentável, com boa distribuição de receitas e ser superavitário. Nós havíamos a necessidade de resgatar a auto estima do torcedor", completou.

Principalmente nos últimos anos, com a chegada do patrocínio e o aporte financeiro da Crefisa, o Palmeiras tornou-se muito mais um clube "gastão" com atletas de outros clubes do que um revelador de novos talentos.

Para se ter uma ideia, a equipe alviverde pouquíssimo aproveitou sua base em 2017. Nos primeiros 34 jogos do Campeonato Brasileiro, por exemplo, foram apenas 116 minutos – contando acréscimos – para atletas revelados no clube. Pior ainda, só três foram utilizados: Matheus Iacovelli - que já foi vendido ao Estoril Praia, de Portugal -, Gabriel Furtado e Fernando.

"Foram construídas 14 áreas de processo que funcionam como empresa. Nas nossas categorias de base temos uma política de divisão de direitos econômicos com outros clubes formadores, política salarial e de captação. A gente utiliza o futsal de 11 até 14 anos e o sub-12 vai para o terrão uma vez por mês", comentou Cícero.

Para ter certeza sobre quais jovens atletas poderão dar continuidade às suas carreiras no profissional palmeirense, o clube realiza uma larga inspeção com quase 20 olheiros na segunda divisão nacional.

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"Fazemos monitoramento de mercado, monitoramento de atletas do Palmeiras emprestados a outros clubes, produção de relatório de atletas, gravação e edição e distribuição de jogos das categorias sub-17 e sub-20. Na Série B, temos 18 profissionais com a missão de observarem os dez jogos. Baseados no conceito por posição e o mais importante, nós monitoramos os 20 elencos da Série B", afirmou.

Foi assim, por exemplo, que o clube observou atletas importantes nas três últimas temporadas de equipes como Criciúma e América-MG.

"Você tem os jogadores que foram atingindo uma quantidade satisfatória de jogos para ser serem indicados pela análise de desempenho. Pegando o processo da B, nós temos Thiago Santos, Luan, Róger Guedes e já tivemos o Vitor Hugo, que atendeu à paixão do torcedor e deu dois títulos. Ele era a sustentação de um time profissional competitivo porque era um atleta de excelência e no final virou receita. É gestão. Não é contratação de jogador", explicou.

"São cinco analistas de desempenho, mais oito treinadores de base e cinco observadores. São eles que monitoram. A cada rodada são distribuídos os jogos. Dez trabalham e oito descansam por rodada. Assim, a gente vai produzindo os relatórios", comentou.

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E todo o cuidado com sua base vem dando certo. Afinal, só no sábado, o Palmeiras sagrou-se campeão paulista das categorias sub-11 e sub-15, diante de Santos e São Paulo, dois clubes grandes conhecidos por apostarem forte em suas camadas mais jovens.

"Palmeiras pela primeira vez sagrou-se campeão de três das cinco categorias de base, fez a maior venda da história do clube [Gabriel Jesus, para o Manchester City, por R$ 121 milhões], a quarta maior do futebol. Ganhamos a 'Copa Nike' e chegamos às finais de todas. Cedemos mais jogadores para as seleções nas categorias de base", comemorou Cícero.

"Temos um relatório muito completo com os números. A gente se preocupa até como ele está inscrito no BID. A avaliação técnica e é a base de tudo. Existe uma validação final com o treinador que está lá. Ele pode até indicar um jogador, o banco de dados vai dar subsídios ou não para avançar para identificar se está naquele perfil que a gente traça como o ideal. É fundamental a anuência e a participação dele. Senão, não faz sentido", continuou.

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E agora, buscando aumentar o número de promessas da base no profissional, Cícero Souza explica o que será feito a partir de 2018.

"Quando começamos, em 2015, nos tínhamos uma grande deficiência formativa por causa de captação e falta de profissionais. Colocamos para o ano que vem que quatro jogadores atuem por 45 minutos em dez vezes", decretou.

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