Como Rússia pode ter a Copa do Mundo mais muçulmana da história

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Já classificado para a Copa, Irã tem população 99,4% muçulmana
Já classificado para a Copa, Irã tem população 99,4% muçulmana ATTA KENARE/AFP/Getty Images

Neste sábado, as eliminatórias africanas decidirão os dois últimos representantes do continente na Copa do Mundo de 2018. Às 15h30 (de Brasília), a Tunísia recebe a Líbia, precisando só de um empate para se classificar. No mesmo horário, a Costa do Marfim recebe Marrocos precisando obrigatoriamente vencer por qualquer placar para se classificar - em caso de empate, os marroquinos é que vão à Rússia. As duas partidas terão transmissão dos canais ESPN e do WatchESPN.

Independentemente de quem se classificar, porém, uma coisa é certa: essa será a Copa mais muçulmana da história.

Ao todo, o Mundial da Rússia pode ter até sete países de maioria islâmica na população. 

Destes, cinco já estão classificados: Irã, Arábia Saudita, Egito, Nigéria e Senegal. 

Fora estes, dois ainda podem se classificar neste sábado: Tunísia e Marrocos. Juntos, eles possuem 458 milhões de habitantes, com a maior parte seguidora do Islã.

No Irã, por exemplo, nada menos do que 99,4% da população é muçulmana, ou seja, cerca de 80 milhões de habitantes. 

Egito é outro país com grande população islâmica
Egito é outro país com grande população islâmica TAREK ABDEL HAMID/AFP/Getty Images

O 2º colocado neste quesito é Senegal, com 95%, ou seja, mais de 14 milhões de pessoas.

Depois, aparecem Egito e Arábia Saudita, que possuem 90% de muçulmanos em suas populações.

Caso se classifiquem, Tunísia e Marrocos também chegam com porcentagens altíssimas: 99,1% de islâmicos em terras tunisianas, e 99% entre os marroquinos. 

O país que possui o menor número de muçulmanos é a Nigéria, com 50% da população. 

Ainda assim, como o país tem um número da habitantes gigantesco: 186 milhões, dos quais 93 milhões seguem o Alcorão. 

Marrocos ainda tenta vaga na Copa
Marrocos ainda tenta vaga na Copa FADEL SENNA/AFP/Getty Images

Caso conquiste a vaga, porém, a "lanterna" nesse quesito será da Costa do Marfim, com 42% de população muçulmana.

A diferença para a última Copa é notável. Em 2014, houve apenas cinco países de maioria islâmica, sendo que em três a porcentagem não era tão alta: 51% em Bósnia & Herzegovina, 50% na Nigéria e 42% na Costa do Marfim. 

Os outros eram Irã e Argélia, estes sim com mais de 90% de população muçulmana.

Vale lembrar também que a Rússia possui 15% de islâmicos em sua população, ou seja, quase 22 milhões de pessoas.

Logo, somando os sete países que podem se classificar mais a nação sede, são mais de 400 milhões de muçulmanos.

  • Medo de atentados é grande
Propaganda do 'Estado Islâmico' usando imagem de Lionel Messi circulou pelas redes
Propaganda do 'Estado Islâmico' usando imagem de Lionel Messi circulou pelas redes Reprodução/Twitter

Se no Brasil o medo de atentados terroristas praticamente não existiu, na Rússia o temor de que eles possam acontecer é grande - principalmente pelas ações recentes da nação comandada por Vladimir Putin na Síria, uma das principais bases do temido grupo "Estado Islâmico", em apoio ao ditador Bashar Al-Assad. 

Por isso, os russos já preparam seus militares para identificarem e combaterem possíveis jihadistas que tentem agir durante a realização do torneio da Fifa.

Isso não impediu, porém, que em abril deste ano, um atentado a bomba no metrô se São Petersburgo, uma das principais cidades da Rússia e sede de diversos jogos da Copa, deixasse 15 pessoas mortas. Já em agosto, sete pessoas foram esfaqueadas na Sibéria por um homem que alegou pertencer ao "Estado Islâmico". 

'Estado Islâmico' promete atentados na Rússia
'Estado Islâmico' promete atentados na Rússia Al-Furqan Media/Getty Images

"Há medo real de um ataque na Rússia", ressaltou Alexander Golts, expert em segurança russa, à AFP.

Segundo o FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia, há quase 3 mil potenciais jihadistas vivendo no país, sendo que a maioria foi treinada recentemente pelo "Estado Islâmico" na Síria.

Segundo o diretor do FSB, Alexander Bortnikov, no entanto, as forças de seguranças russas estão prontas para agir e possuem uma rede de inteligência que já desmontou possíveis atentados já na Copa das Confederações 2017.

Enquanto isso, o "Estado Islâmico" tenta espalhar o terror usando a internet.

No final de outubro, por exemplo, o grupo espalhou nas redes sociais imagens fortes de atletas famosos, como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, sendo presos, torturados ou decapitados, em fotos que correram o mundo e deixaram o clima ainda mais pesado antes da Copa do Mundo de 2018. 

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"Vocês vão enfrentar um Estado que não tem a palavra 'fracasso' no dicionário", escreveram os terroristas.

Recentemente, porém, o "Estado Islâmico" sofreu uma enorme perda na Síria, depois que forças da coalização pró-Bashar Al-Assad expulsaram o grupo da cidade de Raqqa, que estava ocupada pelos terroristas desde 2014 e era considerada a capital do califado.

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