Feita para hóquei e comida melhor do que jogos: como arena em ‘área hipster’ não decola na NBA

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Andre Drummond vai para a enterrada no duelo Pistons x Pacers na Little Caesars Arena
Andre Drummond vai para a enterrada no duelo Pistons x Pacers na Little Caesars Arena Getty

Não foi um gasto qualquer: foram US$ 862,9 milhões (R$ 2,831 bilhões) investidos na construção da Little Caesars Arena, a moderna nova casa do Detroit Pistons.

Saindo do The Palace of Auburn Hills - que o viu conquistar seus três títulos da NBA - após quase 30 anos, a franquia de Michigan deixou assim um dos locais mais afastados e perigosos da capital do estado e atua desde essa temporada exatamente no centro de Detroit. Uma boa mudança, não?

Até agora, não se pode afirmar isso.

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O Little Caesars Arena não empolgou até agora como novo ginásio dos Pistons, o que é bem visível nas arquibancadas: diversos lugares vazios. Sim, as últimas campanhas não deixaram saudades, mas hoje o retrospecto é excelente: nove vitórias, três derrotas e a vice-liderança da Conferência Leste.

A média de público está em 16.282 torcedores, apenas a 25ª dentre os 30 times da liga norte-americana de basquete, e a taxa de ocupação é de 77,5%, a penúltima.

Avery Bradley faz a infiltração durante o jogo do Detroit Pistons contra o Sacramento Kings
Avery Bradley faz a infiltração durante o jogo do Detroit Pistons contra o Sacramento Kings Getty

Segundo o New York Times, alguns fatores explicam esses números.

A começar pela própria Little Caesars Arena: ela na verdade foi construída como nova casa do Detroit Red Wings, a equipe de hóquei que atua na NHL. O fundador da rede de pizzarias Little Caesars, Mike Ilitch (morto em fevereiro de 2017), era o proprietário dos Red Wings e dos Tigers (MLB).

Com isso, o ginásio tem "a cara" do time de hóquei, com estátuas e relíquias expostas pelos corredores da arena. Quando os Pistons atuam lá, porém, apenas cartazes e banners são colocados para "transforma-la" em casa.

"Little Caesars Arena parece mais como uma arena de hóquei. Mal tem qualquer coisa do Detroit Pistons dentro. Eu preciso de respostas", escreveu o pivô Andre Drummond em sua conta no Twitter.

Além disso, o técnico Stan Van Gundy atenta para o fato de o entorno da LCA estar "cheio de distrações" para os torcedores, que demoram para ocupar seus lugares nos jogos dos Pistons: "Eles construíram esses ótimos restaurantes, e todo mundo vai e come. Do primeiro tempo ao terceiro quarto, não tem ninguém no ginásio".

Para completar, a reportagem do NY Times afirma que os velhos fãs da equipe, acostumados ao The Palace of Auburn Hills - distante 50 quilômetros do novo ginásio -, precisam encontrar e se acostumar a uma nova "vizinhança".

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"Dez anos atrás, ninguém queria viver no centro, e agora todo mundo quer, especialmente jovens profissionais e hipsters, como eles se chamam. Hipsters querem fazer tudo antes de ser cool", definiu Dustin Kosnik, engenheiro da indústria automotiva.

Detroit, a capital dos automóveis nos Estados Unidos, já viveu décadas gloriosas, mas se transformou em "cidade-fantasma" com a quebra de diversas montadoras. Agora tenta reerguer-se, e o centro é uma das áreas que tenta revitalizar o quanto antes. Aos fãs de basquete, porém, é preciso mais.

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