Promotor do GP Brasil não crê que privatização tire corrida de SP, mas admite planos B em 3 capitais

Gustavo Faldon, de Interlagos (SP), para o ESPN.com.br
Vista aérea do Autódromo de Interlagos, palco do GP do Brasil de F-1 desde 1990
Vista aérea do Autódromo de Interlagos, palco do GP do Brasil de F-1 desde 1990 Divulgação F1

A privatização do autódromo de Interlagos, que avança do estágio de projeto para cada vez mais se tornar realidade pelo prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), deixa alguns pontos de interrogação sobre a utilização do circuito e o futuro da realização da prova de Fórmula 1 no local. Porém, para quem organiza o evento, não há o que temer.

Segundo Tamas Rohonyi, promotor do Grande Prêmio do Brasil, a prova está garantida por contrato até 2020. E com as dúvidas sobre a empresa que assumiria o autódromo em caso de privatização, ele já tem planos para levar a corrida para outros lugares do país caso a permanência em São Paulo não fosse possível.

Em conversa exclusiva com o ESPN.com.br, o promotor falou sobre o assunto, assim como também não temer uma queda no interesse do público pelo evento após este ano, quando nenhum brasileiro estará no grid da F-1.

O que os fãs podem esperar do GP do Brasil de 2017?

Tamas Rohonyi, promotor do Grande Prêmio do Brasil
Tamas Rohonyi, promotor do Grande Prêmio do Brasil Getty

Tradicionalmente, o GP do Brasil proporciona excelentes corridas. E quem vem para o autódromo sabe disso. É um número relativamente pequeno, considerando que a Grande São Paulo deve ter quase 20 milhões de pessoas, e o Brasil mais de 200 milhões. E eles nunca ficaram decepcionados. Tivemos grandes corridas. Ano passado foi um espetáculo. E tudo já aconteceu aqui. Massa quase foi campeão do mundo, perdeu na última curva. Schumacher se despediu, e o Pelé deum troféu para ele. Aqui sempre foi muito animado e gostoso. E esse ano não vai ser diferente.

O brasileiro tem o privilégio de ter a segunda despedida do Felipe Massa em Interlagos...

E ano que vem vai ser a terceira, espero (risos). O Felipe é muito querido, não só aqui, mas mundialmente. Vai ser a mesma coisa esse ano, tenho certeza. Se ele tiver um pouco de bom senso, ano que vem vai fazer de novo.

A procura por ingressos esse ano foi parecida com o ano passado?

Não foi parecido, foi melhor. Estamos nesse momento, quinta-feira à noite, totalmente vendidos, lotados. Tem alguns ingressos nas arquibancadas, mas o resto está lotado.

A possível privatização do autódromo de Interlagos muda algo na realização do GP?

Eu diria que não muda porque o seu prefeito foi taxativo e disse que qualquer sistema de privatização, venda, concessão, teria como condição básica de manter o funcionamento e a função do autódromo. E o contrato que nós temos com a prefeitura seria honrado, isso é palavra do prefeito. Então até 2020 está tudo assegurado.

Quando começariam novas negociações para renovar?

As negociações aconteceriam ano que vem. As opções aqui são várias e ninguém sabe qual seria a opção mais provável. Se o autódromo passar para um outro grupo, se alguém comprasse, evidentemente a negociação do uso do autódromo seria com os proprietários. Se isso não acontecer, seria o caso de prolongar o contrato existente. Mas são decisões empresariais ou decisão política do prefeito. Você sabe muito bem que São Paulo tem esse Grande Prêmio porque a força política sempre indicou a importância do evento. Nós estamos hoje com o senhor João Dória com o sétimo prefeito desde que o Grande Prêmio voltou para São Paulo. Eu disse para o João Dória outro dia, no almoço que tivemos aqui, que tive um excelente relacionamento e muito apoio, de todos eles. Eles e elas. Eu como sempre sou muito otimista que a administração da cidade reconhece a importância turística e econômica do evento. No fim do dia, é economicamente que as coisas se decidem.

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Dória se mostrou favorável à manutenção do GP em São Paulo?

100%. Ele gosta, reconhece. É uma pessoa muito objetiva, que analisa friamente as opções e sabe que é bom para a cidade. Isso inclusive foi demonstrado por pesquisas econômicas na época da Marta Suplicy.

O autódromo privatizado dificulta alguma negociação?

Depende de quem e como. Ninguém tem a menor noção do que vai acontecer. Existe esse plano. Se vingar ou não, pode demorar 2 anos. Ou pode ser que em 6 meses mude de mão. Pode ser grupo nacional, estrangeiro...ninguém sabe.

Com o ano que vem sem brasileiro na Fórmula 1, isso é algo que preocupa a organização?

Entristece, que é uma reflexão do estado do automobilismo brasileiro. Por outro lado, quem vem até o autódromo assistir o evento é um número relativamente pequeno. Ele quer ver Max Verstappen, Hamilton, Vettel. E se surgir um novo Ayrton Senna, Nelson Piquet, Émerson, será um bônus. Obviamente daria outra coloração. Mas quem vem é porque quer ver Fórmula 1.

Por não ter o atrativo de um brasileiro, a procura e preço de ingressos podem baixar?

Não foi isso que a gente viu. Totalmente por fatores fora do controle do Felipe, ele não foi bem esse ano. Nada muda. Influência grande tem a situação econômica do país e a confiança do consumidor de gastar dinheiro. Fora isso, zero. Vou te contar uma história. O pior ano para venda de ingressos foi quando o Ayrton Senna ganhou aqui, em 1993. Não foi trágico, mas também não foi bem. Eu não entendo, ganhou a corrida. Vai saber...não tem nada a ver com brasileiro.

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Por quanto tempo mais você quer ter o GP em São Paulo?

Se depender das minhas forças, no máximo mais 30 anos (risos). Depois disso acho que não vou ter forças.

Se a corrida sair de São Paulo, existem conversas sobre um novo local da corrida de Fórmula 1 no Brasil. Você acha isso viável?

Viável é. Se por algum motivo nós tivermos que sair de São Paulo, aí um dos planos B seria acionado. Acho que não seria o Rio. Brasília, Florianópolis, Salvador, por aí.

Mas tem estrutura?

Estudos nesse sentido existem. Inclusive uma possível pista de rua em Florianópolis nossa empresa já desenhou. Isso depende de circunstâncias, mas existe um plano B.

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