CBF anuncia mudança para estimular profissionalismo no futebol feminino; entenda

Rafael Valente, para o espnW.com.br

Jogadores do time do Santos reunidas durante um dia de treinos
Jogadores do time do Santos reunidas durante um dia de treinos CBF

A CBF anunciou nesta quarta-feira que a partir de janeiro passará a utilizar o sistema de transferência internacional da Fifa (Transfer Match System) no futebol feminino, prática já comum no universo masculino. A mudança é uma forma de estimular o profissionalismo na modalidade e proteger clubes e atletas.

Hoje os clubes que não têm vínculo profissional com as jogadoras não têm qualquer proteção diante de uma proposta de uma equipe nacional ou internacional. Assim, não há retorno financeiro caso a atleta decida trocar de agremiação. Isso já foi usado por dirigentes como justificativa para não investir na modalidade.

Com a adoção do TMS da Fifa, os clubes passarão a lucrar em caso de venda das jogadores - exatamente como é no universo masculino.

Outro problema atual é que não há datas especificas para que as transferências aconteçam. Ou seja, os clubes ficam "vulneráveis" e podem perder suas atletas  em qualquer momento do calendário. Basta, é claro, existir alguém interessado. E o contato é quase sempre direto com a jogadora.

A Fifa já sinalizou em seu último congresso que pretende determinar datas para as janelas de transferência no futebol feminino. As datas, contudo, devem ser diferentes do universo masculino porque os calendários são bem distintos em número de jogos e competições e até em número de clubes.

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A adoção do sistema internacional de transferências da Fifa também permitirá aos clubes participarem do "Mecanismo de Solidariedade", isto é, a garantia de retorno financeiro ao clube de origem da atleta a cada nova transferência dela para uma equipe internacional. 

As jogadoras também devem se beneficiar com a nova prática, pois a partir do momento que tiverem um contrato profissional terão proteções legais em caso de atrasos salariais, falta de condições de trabalho etc.

A expectativa da CBF é estimular o profissionalismo da modalidade no Brasil. Ainda mais que a partir de 2019 os clubes precisarão ter times femininos para obter a Licença para disputar as principais competições nacionais.

"Esse é um mercado que se abre para os clubes brasileiros, para os que já têm equipes femininas e para os que precisarão ter em 2019 para disputar as competições da CBF e da Conmebol, segundo as regras de Licenciamento das duas entidades. É mais uma definição que busca a profissionalização do futebol feminino" disse Reynaldo Buzzoni, diretor de Registro, Transferência e Licenciamento de Clube da CBF, em comunicado da entidade.

"Neste ano, já houve uma mudança na visão de alguns clubes que fizeram contratos profissionais com as jogadoras. O caso do Santos, que já faz isso há alguns anos, e outros como o Iranduba, a Ferroviária, o Sport, por exemplo. Acredito que é um caminho sem volta e uma grande oportunidade para os clubes brasileiros no departamento feminino garantir seus direitos e de suas atletas, podendo inclusive negociar suas transferências, se for o caso", afirmou o coordenador de futebol feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha, também em comunicado oficial.

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