Para ser campeão da Libertadores, Grêmio terá que quebrar freguesia de brasileiros para argentinos

Rafael Valente e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Riquelme infernizou o Grêmio na última final do time gaúcho na Libertadores, em 2007
Riquelme infernizou o Grêmio na última final do time gaúcho na Libertadores, em 2007 GettyImages

Grêmio e Lanús vão reeditar um confronto que faz parte da história da Copa Libertadores. É o tradicional Brasil versus Argentina.


O time gaúcho confirmou a vaga na decisão ao passar pelo Barcelona-EQU, na Arena, em Porto Alegre, na noite de quarta-feira. O Lanús surpreendeu ao derrotar o River Plate de virada por 4 a 2, em Lanús, na terça-feira. O primeiro busca o terceiro título, enquanto o segundo estreia na final.

Na história da Libertadores os países que mais vezes se encontraram nas decisões foram Brasil e Argentina. A vantagem é dos hermanos. São nove taças empilhadas contra apenas quatro dos times tupiniquins. 

Ao menos o primeiro e o último encontro foram felizes para o Brasil. O Santos foi campeão em 1963 ao derrotar o Boca Juniors na decisão. O clube argentino também foi superado pelo Corinthians, em 2012. 

Confira abaixo cada um dos encontros entre brasileiros e argentinos na final da Copa Libertadores.

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  • 1963 - Santos x Boca Juniors

O quinteto do Santos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
O quinteto do Santos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe Getty Images

O Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe chegou à final de 1963 em busca do bicampeonato. Encontrou o Boca Juniors, que jogava a primeira decisão do torneio. Mas a equipe argentina não foi párea para o time brasileiros. Na Vila Belmiro, os santistas venceram por 3 a 2. Na Bombonera novo triunfo: 2 a 1.

  • 1968 - Palmeiras x Estudiantes

O segundo confronto entre brasileiros e argentinos colocou frente a frente Palmeiras e Estudiantes. O time alviverde já tinha sido vice em 1961 e aspirava ganhar pela primeira vez o torneio sul-americano. O primeiro duelo foi em La Plata e os donos da casa levaram a melhor: 2 a 1. Na volta, o time alviverde recebeu o rival no Pacaembu e deu o troco: 3 a 1. O regulamento da época previa uma partida desempate em caso de uma vitória para cada lado. Isso aconteceu no estádio Centenário, em Montevidéu, e o Estudiantes venceu por 2 a 0, sagrando-se campeão.

  • 1974 - São Paulo x Independiente

O São Paulo foi o terceiro brasileiro a enfrentar um argentino na final e encontrou com o bicho-papão Independiente, então maior vencedor da Libertadores com quatro títulos. Pior: o rival buscava o tricampeonato, uma vez que havia vencido em 1972 e 1973. O time tricolor tentou se superar. Venceu no Pacaembu por 2 a 1. Mas foi derrotado por 2 a 0, em Buenos Aires. No terceiro jogo, realizado no estádio Nacional, em Santiago, o Independiente venceu por 1 a 0.

  • 1976 - Cruzeiro x River Plate

O Cruzeiro foi o primeiro time brasileiro a ser campeão da Copa Libertadores após o Santos e na final teve de superar os argentinos do River Plate. No primeiro, o time celeste atropelou o rival: 4 a 1, com gols de Nelinho, Palhinha (duas vezes) e Valdo. Mas na Argentina acabou derrotado por 2 a 1. Foi necessário então um terceiro jogo e o local escolhido foi o estádio Nacional, em solo chileno. O Cruzeiro provou sua força e venceu por 3 a 2 - Nelinho, Eduardo e Joãozinho marcaram.

  • 1977 - Cruzeiro x Boca Juniors

Não bastasse ser o primeiro campeão após o Santos, o Cruzeiro tentou ser bicampeão. Pela frente teve o Boca Juniors, que não tinha conquista alguma. Mas aquele ano seria xeneize. O time argentino venceu na Bombonera por 1 a 0 e perdeu pelo menos placar no Mineirão. O terceiro jogo foi no estádio Centenário, em Montevidéu, e os times empataram sem gols. O título foi definido nos pênaltis pela primeira vez na história da Libertadores e o Boca levou a melhor: 5 a 4. Quem perdeu a penalidade cruzeirense foi Vanderlei. Ele chutou a meia-altura, no canto esquerdo. O goleiro Gatti espalmou.

  • 1984 - Grêmio x Independiente

Campeão em 1983 contra o Peñarol, o Grêmio buscava o bicampeonato. Encarou o papão de títulos na América do Sul: Independiente. O primeiro jogo teve vitória argentina por 1 a 0, no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Em Buenos Aires, um empate sem gols deu ao time rojo seu sétimo e último título.

  • 1992 - São Paulo x Newell's Old Boys
Palhinha em ação pelo São Paulo na final da Libertadores de 1992
Palhinha em ação pelo São Paulo na final da Libertadores de 1992 GazetaPress

A equipe mais vencedora da história do São Paulo teve seu primeiro capítulo internacional em 1992. Os brasileiros tiveram pela frente o Newell's Old Boys, comandado por El Loco Bielsa. O clube tricolor saiu derrotado no El Coloso del Parque por 1 a 0, mas reverteu a vantagem argentina depois de vencer por 1 a 0 no Morumbi. A decisão foi para os pênaltis e terminou com triunfo por 3 a 2 para o São Paulo. Na decisão, brilhou a estrela do goleiro Zetti, que defendeu a última cobrança do zagueiro Gamboa. 

  • 1994 - São Paulo x Vélez Sársfield

O São Paulo poderia ser o único brasileiro a conquistar a Libertadores por três vezes consecutivas. Com uma equipe bastante modificada em relação aos títulos anteriores (1992 e 1993), o time tricolor parou no Vélez Sársfield, do técnico Carlos Bianchi. Após derrota por 1 a 0 no Estádio José Amalfitani, na Argentina, os comandados por Telê Santana venceram por 1 a 0 no tempo normal. Com uma arbitragem bastante polêmica, a decisão foi para as penalidades.  O goleiro paraguaio Chilavert defendeu a cobrança de Palhinha e ainda converteu seu tiro livre para garantir o titulo do Vélez com vitória por 5 a 3.

  • 2000 - Palmeiras x Boca Juniors

Campeão da Libertadores no ano anterior, o Palmeiras se classificou para a decisão de 2000 depois de eliminar nas semifinais o Corinthians nos pênaltis (pela segunda vez consecutiva).  Os brasileiros conseguiram arrancar um emocionante empate por 2 a 2 na Bombonera e chegaram como favoritos para o segundo jogo no Morumbi. Desta vez, porém, a equipe de Riquelme, Palermo e Schelotto segurou o 0 a 0 e levou a decisão para as penalidades. O goleiro colombiano Córdoba brilhou e o Boca derrotou o Palmeiras por 4 a 2.

  • 2003 - Santos x Boca Juniors

A geração de Diego e Robinho encantou após vencer de forma inesperada o Campeonato Brasileiro de 2002 sobre o Corinthians, encerrando um jejum de 18 anos sem títulos importantes.  Na temporada seguinte, o Santos chegou à final da Libertadores contra o Boca Juniors, que tinha outro jovem jogador que também brilhou: Carlitos Tévez. Após triunfo sobre o time brasileiro por 2 a 0 em casa, o Boca venceria por 3 a 1 no Morumbi, em noite de gala do atacante argentino. 

  • 2007 - Grêmio x Boca Juniors
Jogadores do Grêmio lamentam perda do título de 2007 da Libertadores
Jogadores do Grêmio lamentam perda do título de 2007 da Libertadores GazetaPress

Para chegar até a decisão, o Grêmio eliminou os favoritos São Paulo e Santos em fases anteriores.  A equipe tinha como destaques os meias Diego Souza e Carlos Eduardo, mas não foi párea para  o eterno carrasco de brasileiros: Juan Román Riquelme. O Boca Juniors passeou na primeira partida da final, derrotando os gaúchos por 3 a 0 na Bombonera. Na partida de volta, o camisa 10 xeneize comandou a vitória por 2 a 0, no estádio Olímpico.

  • 2009 - Cruzeiro x Estudiantes

Após empatar por 0 a 0 no estádio Ciudad de La Plata, o Cruzeiro foi para o Mineirão precisando apenas de uma vitória.  A equipe comandada por Adílson Batista
abriu o placar com Henrique, mas não conseguiu segurar a vantagem. Com atuação de gala do veterano meia Juan Sebastián Verón, os argentinos viraram no fim do segundo tempo com e Fernández e Boselli, levantando o caneco em Belo Horizonte.

  • 2012 - Corinthians x Boca Juniors
Emerson Sheik comemora vitória do Corinthians contra o Boca Juniors
Emerson Sheik comemora vitória do Corinthians contra o Boca Juniors Reuters

Em 2012, o Corinthians finalmente conquistou sua primeira Libertadores na história. Mais do que isso, encerrou a sequência de vitórias do Boca Juniors sobre times brasileiros em finais.  Após empatar por 1 a 1 com o histórico gol de Romarinho na Bombonera, na Argentina, o time paulista venceu no Pacaembu por 2 a 0 com atuação de gala de Emerson Sheik, autor de dois gols.

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