Zago revela como quase jogou no 'Super-Milan' e lembra Batistuta: 'Tecnicamente nem era bom, mas fazia gol como poucos'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Zago em ação pela Roma na temporada do título italiano
Zago em ação pela Roma na temporada do título italiano Ross Kinnaird /Allsport/Getty Images

Antônio Carlos Zago foi um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro. Em seu país natal, passou pelos quatro grandes de São Paulo e conquistou títulos importantes por todos. Também ergueu um troféu pela seleção e construiu uma carreira de respeito no futebol europeu, especialmente na Roma, time que defendeu por quatro anos, entre 1998 e 2002, logo após deixar o Corinthians.

Pelo clube da capital italiana, Zago fez parte de uma linha de defesa lendária, que ainda tinha nomes como Cafu, Aldair e Walter Samuel, e ajudou a equipe a conquistar o título do Campeonato Italiano na temporada 2000/01, terminando dois pontos à frente da fortíssima Juventus de Van der Sar, Antonio Conte, Del Piero, Zidane, Inzaghi, Trezeguet, Davids e outros craques, e também a Supercopa da Itália, atropelando a Fiorentina em agosto de 2001. 

Mais de 15 anos depois, o hoje treinador do Juventude-RS conta, porém, que quase deixou a Roma pouco antes desta espetacular temporada, já que outros grandes clubes europeus estavam de olho em seu futebol e tentaram tirá-lo da equipe giallorossa. O primeiro deles foi o Liverpool, que mandou "artilharia pesada" para negociar com ele.

"O Liverpool tentou me contratar em 1999, mas a Roma não quis me liberar porque eu tinha mais dois anos de contrato. E quem foi à minha casa negociar foi o Mino Raiola, que hoje é conhecido por ser o agente de Pogba, Ibrahimovic, Balotelli...", contou Zago, em entrevista ao ESPN.com.br.

"A proposta era muito boa, mas a Roma igualou a oferta e acabei ficando, porque já estava habituado ao time e já conhecia todo mundo bem", completou. 

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No entanto, após uma temporada irregular em 1999/00, na qual alternou titularidade e banco sob o comando do técnico Fabio Capello, Zago acabou sendo procurado por outra grande equipe: o Milan, que à época tinha no elenco nomes como Dida, Maldini, Costacurta, Shevchenko, Gattuso, Ambrosini, Redondo, Leonardo, Boban, Bierhoff, Roque Jr e Serginho - uma verdadeira "seleção".

Veio, então, uma proposta para jogar nesse "super-time", que tentou Zago.

"O Edinho, ex-zagueiro do Fluminense, naquela época trabalhava no Milan. Eu estava saindo de São Paulo para Roma durante em julho de 2000 e ele me ligou perguntando se eu tinha interesse em ir para o Milan. Fui sincero e disse que tinha, porque não tinha terminado a temporada jogando com o Capello", lembrou. 

Zago comemora gol pela Roma na campanha do título da Serie A
Zago comemora gol pela Roma na campanha do título da Serie A Grazia Neri/ALLSPORT/Getty Images

"Eu não estava me sentindo tão prestigiado como nos anos anteriores e fui conversar um diretor do Milan. Mas daí as coisas não evoluíram. A Roma pediu uma grana muito alta para me liberar e eu acabei ficando", revelou Antônio Carlos. 

Após a negociação não dar certo, porém, o zagueiro retomou seu grande futebol e conduziu a Roma ao título da Serie A, mostrando a Fabio Capello que não escalá-lo como titular na temporada anterior havia sido um erro do experiente manager.

"No final, essa história do Milan foi até um alerta para que a Roma me olhasse de maneira diferente, e também para que jogasse tudo que joguei depois.  No final das contas foi ótimo, porque joguei muito bem naquela temporada e fomos campeões. A Roma de 2001 foi melhor time que joguei na Europa", celebrou o ex-beque.

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Outro grande destaque daquela Roma campeã italiana foi o atacante Gabriel Batistuta, que marcou 20 gols no torneio, ficando em 4º na tabela de artilheiros, atrás somente de Hernán Crespo (26 gols), da Lazio, Andriy Shevchenko (24), do Milan, e Enrico Chiesa (22), da Fiorentina - todos vivendo seus auges.

2000/01 foi a primeira temporada do argentino pelo clube da capital, que havia lhe tirado da Fiorentina por incríveis 70 bilhões de liras italianas, ou 36,2 milhões de euros (R$ 137,7 milhões, na cotação atual) - uma fortuna naquela época. 

Batistuta comemora gol pela Roma
Batistuta comemora gol pela Roma Grazia Neri/ALLSPORT/Getty Images

Logo que chegou ao novo time, ele jogou de maneira impressionante, fechando o ano com média de 0,65 gol/jogo. "Batigol" até hoje é lembrado pelos seus muitos tentos na Itália, e Zago o descreve com profundo conhecimento.

"O Batistuta foi um dos maiores centroavantes que eu vi. Por sorte, tive a chance de jogar com ele e ganhamos o Scudetto. Tecnicamente, ele era abaixo da média, mas como sabia fazer gol era impressionante", observa o campeão da Copa América de 99 com a seleção. 

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"Fazia gols de pé direito, esquerdo, de cabeça e fora da área. Com ele não tinha essa de pensar muito: a bola sobrava e ele já colocava para dentro. Era um cara que tinha instinto de matador, mesmo não sendo tecnicamente perfeito", completa.

Após a temporada do título, porém, o futebol do argentino foi caindo aos poucos de rendimento, e em 2002/03 ele acabou deixando a Roma para jogar na Inter de Milão por empréstimo, fazendo uma boa dupla com o italiano Christian Vieri.

Com os joelhos já detonados, porém, o artilheiro optou por ir jogar no futebol do Catar na sequência. Ao todo, atuou dois anos pelo Al Arabi antes de pendurar as chuteiras, colocando fim à sua espetacular carreira de 356 gols em 622 partidas por grandes clubes de América do Sul e Europa e pela seleção argentina. 

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Zago, por sua vez, deixou a Roma em 2002 para atuar no Besiktas, da Turquia, e conquistou o Campeonato Turco com o time de Istambul no ano seguinte. 

Depois, retornou em 2004 ao Brasil para atuar pelo Santos, sendo campeão brasileiro ao fim do ano. Passou ainda pelo Juventude entre 2005 e 2006 antes de jogar mais uma vez no Santos, faturando um Paulista, antes de se aposentar.

Em 2009, começou sua carreira como treinador no São Caetano, e já teve passagens por grandes clubes, como Palmeiras e Internacional. Atualmente, ele dirige o Juventude na Série B do Brasileiro, após garantir o acesso ao Fortaleza na Série C, algo que o time cearense tentava há vários anos sem sucesso.

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