Marinho conta por que não foi para o Flamengo e vida de 'rapper' na China

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

Marinho defende o Changchun Yatai, da China
Marinho defende o Changchun Yatai, da China Divulgação / Changchun Yatai

Sensação do Campeonato Brasileiro de 2016, Marinho ajudou a salvar o Vitória do rebaixamento à Série B com ótimas atuações. O atacante foi a bola da vez no final do ano passado, mas após meses de indefinição sobre seu destino, acertou com o Changchun Yatai, da China.

No entanto, ele quase foi parar em um grande clube do Brasil.

"A decisão não foi só minha. Eu sempre fui muito profissional e falei que minha filha nasceu e sempre pensei em dar um futuro melhor para ela. Tive propostas de Flamengo, Santos, Botafogo e Grêmio. São times grandes. Qual jogador não queria defender uma dessas equipes? Só que as coisas não aconteceram", disse, ao ESPN.com.br.

Das ofertas que chegaram ao jogador, a que esteve mais próxima de se concretizar foi a do clube da Gávea.

"Eu fiquei muito perto do Flamengo. Eles queriam pagar um valor e oferecer jogadores, mas o Vitória não queria. Como eu tinha saído do Cruzeiro, que tinha 30% do meu passe, o Vitória queria receber o valor integral da minha multa. Eu fiquei muito feliz com o interesse desses times. Acabei vindo para a China porque a proposta era muito boa. Mas foi uma decisão da qual não tenho arrependimento", garantiu.

Desde janeiro no país asiático, o jogador demorou um tempo para se adaptar ao futebol chinês.

"A forma deles de jogar é bem diferente. Foi difícil se acostumar no jogo e na parte tática. Fiquei um mês e pouco fora do time e voltei depois. Perguntei ao treinador o que ele gostaria que fizesse para que eu mudasse esse quadro. Não estava jogando como eles queriam. Comecei a jogar, dar assistências e a fazer gols. As pessoas no clube me trataram super bem", comemorou.

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"A tendência que é eu termine bem esse ano e que na próxima temporada seja tudo mais fácil. Já  me acostumei com a vida e o futebol daqui. Ano que vem quero que seja de muito mais vitórias e gols também", projetou.

Mesmo com a distância, o jogador procura não se desligar do futebol brasileiro.

"Não consigo ver os jogos do Brasil por causa do fuso horário e isso poderia atrapalhar o meu sono. Mas procuro acompanhar as notícias e me informar pela internet", contou.

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  • Vida de 'rapper' na China

Fora de campo, Marinho passou por menos dificuldades ao mudar-se com a família para a China, apesar das diferenças culturais entre os países.


"A vida está bem tranquila e estou gostando de morar aqui. Com comida nem tive tantos problemas porque eu sou um cara que encara tudo. Eu vim do Nordeste e não tem muita frescura comigo não (risos). Minha mãe sempre falava: ‘Come o que tiver para comer meu filho’. Isso eu levo para minha vida", garantiu.

A comunicação é o principal obstáculo para o jogador de 27 anos.

"Como tenho filha pequena, algumas vezes temos que ir ao hospital e sofremos um pouco com a diferença de idioma e a medicina deles. Quando ela fica doente a gente vai com o tradutor para o hospital para nos ajudar", relatou.

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Para passar o tempo, o atacante explora sua outra paixão: a música. O "MC Di Marinho" gravou um rap e o postou recentemente nas redes sociais.

Marinho joga no Changchun Yatai
Marinho joga no Changchun Yatai Divulgação

"Eu sempre tenho mania de ver no YouTube vídeo de batalhas de rimas. Tem um moleque que gosto muito chamado Marinho, olha a coincidência (risos), que rima nas ruas. Ele manda muito bem. Eu baixei uma base de rap e escrevi sobre a minha vida. Depois, comecei a cantar e achei que ficou bacana. Não é uma coisa fake, é a minha infância. Fiz dois minutinhos e meti um improviso lá", relatou o jogador.

"Eu gravei no meu quarto durante a concentração, acredita ? (risos). Meu colega curte ver filmes enquanto eu faço a minha rima de boa para passar o tempo. Às vezes me surge essas ideias e eu faço. Escuto umas músicas chinesas porque minha filha gosta e até dança, é mole?", falou.

Esta não foi a primeira incursão de Marinho na área do entretenimento. Após virar hit por causa de uma entrevista inusitada nos tempos de Ceará, que virou até música, ele gravou a canção "Marinho matador", com o cantor Falcão, da banda Guig Ghetto, de Salvador.

"Tenho muitos amigos que são cantores como o Falcão, Suel [Imaginasamba], Léo Santana, Tayrone Cigano, Márcio Victor (Banda Psirico), Gabriel Diniz, Marcos e Belutti [dupla sertaneja], são caras que troco ideia. Bruno [Sorriso Maroto] e Felipe Araújo, que escuto demais. Acho que se falar todo mundo não vai ter espaço aí no site da ESPN (risos)", brincou.

Apesar disso, Marinho prefere não trocar de profissão tão cedo.

“Carreira musical? Não é comigo não (risos). Quem nasceu com isso são pessoas que tem o dom para serem feras da música. Só admiro mesmo e não tem como viver sem essas belas canções. Eu estou o tempo todo escutando música. Quem não nasceu com o dom pra música vai estudar ou tentar jogar futebol (risos). Graças a Geus recebi o dom para jogar bola e estou desfrutando muito disso”, finalizou.

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