Com a Argentina podendo ficar de fora, relembre os 5 maiores times que não foram às Copas do Mundo

Nick Miller, do ESPN FC

Argentina vai à Copa do Mundo de 2018? Comentaristas do BB Debate opinam

Nesta terça-feira, a Argentina enfrenta o Equador em Quito, às 20h30 (de Brasília), pela última rodada das eliminatórias sul-americanas, correndo sério risco de ficar de fora da Copa do Mundo de 2018, não podendo perder de nenhuma forma.

A Albiceleste está em 6º lugar na tabela, fora até mesmo da zona de repescagem, e precisará vencer na capital equatoriana, torcendo ainda por uma combinação de resultados envolvendo Peru, Colômbia e Chile para não dar vexame e conquista a classificação - ou ao menos o direito de enfrentar a Nova Zelândia no playoff

Mas se a tragédia for confirmada, o mundo perderá a chance de ver uma equipe de grandes jogadores, como Lionel Messi, Ángel Di María, Sérgio Agüero, Paulo Dybala e Javier Mascherano, entre muitos outros, no maior torneio do futebol mundial.

Não será, contudo, nem a primeira nem a última vez que um grande time do futebol não se classifica para a Copa. Por isso, o ESPN FC lembra os cinco maiores times que não conseguiram vagas nos Mundiais, e também os grandes craques que perderam a chance de jogar a Copa, de Alfredo Di Stefano a Eric Cantona.

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Confira:

  • Espanha de 1958

'Super-Espanha' de Di Stéfano, Gento, Kubala e outros craques não foi à Copa de 1958
'Super-Espanha' de Di Stéfano, Gento, Kubala e outros craques não foi à Copa de 1958 Barratts/PA Images via Getty Images

A Copa de 1958 ficou marcada pela ausência da Itália. A então bicampeã do mundo passava por uma fase complicada, acentuada pelo acidente trágico de avião que acabou com o grande time do Torino em 1949, e não conseguiu classificação nas eliminatórias para o Mundial na Suécia. 

Mas o que talvez tenha surpreendido ainda mais foi a Espanha não ter conquistado uma vaga naquela Copa, tendo em vista o nível dos jogadores que estavam à disposição da seleção naquela época. O elenco tinha Alfredo Di Stéfano, Francisco Gento, Jose Maria Zarraga e Enrique Mateos, jogadores que faziam parte de um Real Madrid que ganhou cinco edições consecutivas da Champions League entre 1956 e 1960. Além disso, tinha ainda Luis Suárez e Ladislao Kubala, estrelas do Barcelona.

No papel, parecia uma das coleções mais absurdas de talento ofensivo já vistas no futebol. Mas a classificação para a Copa naquela época era um pouco mais dada à aleatoriedade: eram só três seleções em cada grupo, o que significa que apenas quatro rodadas eram disputadas. Não havia, portanto, margem de recuperação após um mau início. E o começo de trajetória espanhola foi ruim mesmo: empate em casa com a Suíça por 2 a 2 na primeira rodada e derrota na Escócia por 4 a 2 na partida seguinte. 

As duas vitórias por 4 a 1 nos dois últimos jogos acabaram não adiantando nada. A Espanha acabou com cinco pontos no grupo 9 das eliminatórias europeias - em uma época na qual a vitória valia dois pontos. A Escócia teve um ponto a mais e foi quem acabou se classificando para o Mundial na Suécia. 

Pouco depois disso, em 1960, essa seleção espanhola conseguiu chegar ao estágio decisivo das eliminatórias para a Eurocopa, mas o general Francisco Franco proibiu a equipe de viajar para encarar a União Soviética, e a "Fúria" acabou eliminada por WO, perdendo a chance de disputar a fase final do torneio da Uefa. 

  • Argentina de 1970
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Não foi a primeira vez que os argentinos ficaram fora de uma Copa. Por diferentes razões, isso já tinha acontecido em 1938, 1950 e 1954. Mas em 1970, a não classificação esteve relacionado à situação de calamidade dentro de campo, não fora dele.


Os anos anteriores à eliminatória foram marcados por alguns tumultos. A seleção teve quatro técnicos diferentes entre 1967 e 1969. Ainda assim - por causa de jogadores como Rafael Albrecht, Antonio Rattin e Miguel Angel Brindisi - era esperado que os argentinos conseguissem carimbar o passaporte para o México.

Na estreia das eliminatórias, a seleção argentina foi derrotada pela Bolívia em La Paz por 3 a 1. Depois disso, não houve muito progresso: veio a derrota para o Peru por 1 a 0. Isso significava que vitórias nos jogos da volta contra esses dois adversários seriam cruciais.

Isso até aconteceu contra a Bolívia, mas não diante do Peru, dentro de casa. O empate em 2 a 2 naquele jogo tirou o país da Copa do Mundo. 

  • Tchecoslováquia de 1978


Só três vezes ao longo da história uma seleção ficou fora da Copa logo depois de ter conquistado a Euro. Duas delas já tinham surpreendido o mundo quando se tornaram campeãs continentais: a Dinamarca em 1994 e a Grécia em 2006. Então talvez essas duas não tenham sido surpresas tão grandes assim. Mas a Tchecoslováquia em 1976 era diferente. 

Timaço da Tchecoslováquia não foi à Copa
Timaço da Tchecoslováquia não foi à Copa Peter Robinson/EMPICS via Getty Images


Mesmo a campanha na Copa de 1974 não tendo sido grande coisa, essa seleção ganhou a Euro dois anos depois em grande estilo, eliminando a Inglaterra e a Holanda, que vinha de um vice-campeonato mundial, antes de vencer o título na final contra a Alemanha. Aquela decisão, aliás, ficou marcada pela "cavadinha" de Antonin Panenka na disputa de pênaltis.

Nas eliminatórias para a Copa, o grupo com País de Gales e Escócia era uma armadilha. Os tchecos até começaram bem, vencendo os escoceses por 2 a 0. Mas o par de jogos em terras britânicas logo em seguida acabou custando caro. Foram duas derrotas - 3 a 0 no País de Gales e 3 a 1 na Escócia. 

Fora da Copa de 1978, a Tchecoslováquia só conseguiria se classificar para mais três grandes competições até a separação do país, em 1993: a Euro de 1980 e as Copas de 1982 e 1990.

  • Holanda de 1986

Gullit lamenta a eliminação da Holanda na repescagem da Copa de 1986
Gullit lamenta a eliminação da Holanda na repescagem da Copa de 1986 VI Images via Getty Images

Depois dos vices nas Copas de 1974 e 1978, o futebol holandês passou por um período de transição. Como resultado disso, não se classificou nem para a Copa de 1982, nem para a Euro de 1984. Mas a próxima grande geração do país já tinha surgido a tempo das eliminatórias para a Copa de 1986.

Ruud Gullit, Frank Rijkaard, Marco van Basten e Wim Kieft já tinham se estabelecido, depois de terem aparecido no Ajax nas mãos de Johan Cruyff. Mas todo o talento deles não se traduziu em sucesso para a seleção holandesa, algo que provavelmente foi influenciado pelo fato de eles terem tido três disputado os seis jogos das eliminatórias com três técnicos diferentes.

Kees Rijvers foi o comandante na calamitosa derrota para a Hungria na rodada de estreia. Rinus Michels foi trazido de volta em seguida para apagar o incêndio, mas também não conseguiu evitar a derrota por 1 a 0 na Áustria. Quando Leo Beenhakker chegou, tudo o que os holandeses ainda podiam alcançar era uma vaga na repescagem. 

Foi o que aconteceu. A Holanda acabou na repescagem contra a Bélgica e se meteu em apuros logo a partir dos três minutos do jogo de ida, quando Wim Kieft foi expulso. Os belgas ganharam aquela partida por 1 a 0 e ainda viram Van Basten receber o cartão vermelho.

Mesmo desfalcada de Kieft e Van Basten, a Holanda abriu 2 a 0 no duelo da volta e ficou muito perto da vaga na Copa. Mas, nos minutos finais, Georges Grun apareceu para balançar as redes e classificar a Bélgica por causa do critério do gol marcado fora de casa.

  • França de 1994

Eric Cantona no jogo entre França e Bulgária, que tirou os Bleus da Copa de 1994
Eric Cantona no jogo entre França e Bulgária, que tirou os Bleus da Copa de 1994 Paul Marriott/EMPICS via Getty Images

Para uma seleção que não foi para a Copa de 1990 e que sofreu uma eliminação ainda na fase de grupos da Euro de 1992, a ausência no Mundial dos Estados Unidos pode nem parecer um grande choque. Mas um olhar para o grupo de jogadores que poderiam estar à disposição proporciona uma sensação diferente. 

Alguns exemplos disso são Marcel Desailly, Laurent Blanc, Franck Sauzee, Jean-Pierre Papin e Eric Cantona. Todos eles foram titulares no jogo contra a Bulgária, pela última rodada da fase de grupos das eliminatórias europeias.

Uma derrota em casa para Israel um mês antes já tinha prejudicado bastante a situação francesa na chave. Ainda assim, bastava um empate diante dos búlgaros para ficar com uma das duas primeiras colocações do grupo - e, assim, garantir vaga na Copa dos EUA. 

Um gol de Cantona colocou a França em vantagem. Emil Kostadinov empatou pouco depois. A tensão em campo só cresceu depois disso, já que as duas seleções faziam um confronto direto pela vaga que restava no grupo ao lado da Suécia. 

Faltando um minuto, David Ginola estava com a bola na lateral do campo. Ao invés de gastar o tempo, ele tentou um cruzamento para a área. Não deu certo. A Bulgária então recuperou a bola e engatou um contra-ataque que resultou em outro gol de Kostadinov. 

A derrota eliminou a França. Enquanto Bulgária e Suécia se classificaram e acabaram se tornando semifinalistas na Copa de 1994, o técnico francês Gerard Houllier chegou a descrever Ginola como "assassino" das chances da seleção. Anos depois, o jogador o processou pelo comentário. Essa disputa entre os dois continua até hoje. 

FICHA TÉCNICA:
EQUADOR X ARGENTINA

Local: Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito (Equador)
Data: 10 de outubro de 2017 (Terça-feira)
Horário: 20h30(de Brasília)
Árbitro: Anderson Darronco (Brasil)
Assistentes: Alessandro Rocha (Brasil) e Fabrício Vilarinho (Brasil)

EQUADOR: Máximo Banguera, Pablo Velasco, Robert Arboleda, Darío Aimar e Cristian Ramírez; Renato Ibarra, José Cevallos, Jefferson Intriago e Romario Ibarra; Enner Valencia e Anderson Ordoñez. Técnico: Jorge Célico

ARGENTINA: Sergio Romero, Gabriel Mercado, Nicolás Otamendi e Javier Mascherano; Eduardo Salvio, Lucas Biglia, Enzo Pérez e Marcos Acuña; Lionel Messi, Ángel Di María e Darío Benedetto. Técnico: Jorge Sampaoli

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