Dia Nacional do Atleta Paralímpico: conheça a história de três mulheres que transformaram dificuldades em medalhas olímpicas

espnW.com.br

Verônica Hipólito, Silvânia Costa e Lorena Spoladore precisaram driblar leões desde a infância para superar suas deficiências e serem incluídas na sociedade. E o esporte foi a ferramenta que ajudou a transformar a vida dessas três mulheres guerreiras, que estrearam em Jogos Paralímpicos na edição do Rio de Janeiro, no ano passado, e logo de cara deram show, subindo ao pódio.

  • Verônica Hipólito

Verônica Hipólito conquistou duas medalhas para o Brasil na Paralimpíada
Verônica Hipólito conquistou duas medalhas para o Brasil na Paralimpíada Reprodução / Twitter

A paulista de 21 anos é uma guerreira. E todos puderam ver sua garra nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano passado.
Com um tumor na cabeça, conquistou prata nos 100m e bronze nos 400m da classe T38, para atletas com paralisia cerebral. Mas Verônica se tornou personagem do Dia Nacional do Paratleta muito antes de estrear na maior competição esportiva do mundo.

Seus primeiros passos no esporte foram aos 10 anos, no judô. Aos 12, no entanto, descobriu um tumor no cérebro que a impediu de seguir nos tatames. Sem poder sofrer com o impacto das quedas, encontrou refúgio no atletismo.

Mas aos 15 anos, passou por mais uma prova de fogo. Sofreu um AVC que a deixou com sequela: teve o lado direito de seu corpo paralisado. Ela voltou às pistas, mas não conseguia atingir os mesmo resultados e sentia dores.

Foi então que um treinador lhe apresentou o esporte paralímpico e transformou sua vida. Aos 17 anos, em 2013, passou a ser chamada de Garota Prodígio quando conquistou o título mundial dos 200m na classe T38.

Mas veio outra provação. No início de 2015, descobriu que tinha uma síndrome rara, chamada de Polipose Adenomatosa Familiar – doença autossômica que causa formação de inúmeros pólipos –. Mesmo com o diagnóstico, disputou os Jogos Parapan-americanos de Toronto e conquistou três medalhas de ouro e uma de prata. Após a competição, precisou retirar 90% do intestino grosso.

Também há dois anos, descobriu um novo tumor no cérebro. Seguiu em tratamento com medicação e, mesmo assim, disputou a Olimpíada do Rio. Em janeiro, se submeteu a uma nova cirurgia para a retirada do tumor. Depois de três meses, voltou aos treinos, retomando a carreira de alto rendimento.


  • Silvânia Costa

Silvania Costa foi ouro no salto em distância T11 dos Jogos Paralímpicos do Rio
Silvania Costa foi ouro no salto em distância T11 dos Jogos Paralímpicos do Rio Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

Também foi ainda criança que Silvânia Costa precisou encarar de frente um sério problema. Natural de Três Lagoas (MS), a sul-mato-grossense foi diagnosticada com uma doença congênita chamada Stargardt, que causou perda progressiva de visão a partir dos seus 10 anos.

Sua mãe entrou em depressão e seu pai caiu no alcoolismo. Caçula na família, enfrentou o mercado de trabalho para ajudar a pagar as contas da casa. Era funcionária de uma fábrica de biscoitos e passava os dias fechando embalagens de pacotes.

No entanto, aos 18 anos, já não enxergava direito, foi considerada incapaz e afastada pelo INSS. Foi então que o esporte surgiu em sua vida para ajuda-la a se reinventar e encontrar um novo sentido. Em busca de recursos financeiros, começou a participar de corridas de rua.

Com uma filha pequena para cuidar e dívidas acumuladas, resolveu disputar uma corrida na capital Campo Grande e venceu. Outras vitórias vieram e Silvânia logo chamou a anteção do Comitê Paralímpico Brasileiro, que a convidou para treinar em São Paulo.

Na capital paulista, percebeu que seu biótipo era adequado para o salto em distância, prova que a consagrou. Na classe T11 (totalmente cegos), conquistou ouro no Mundial de Doha, em 2015, e nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano passado.

Uma das poucas atletas no mundo a saltar acima dos 5m no atletismo paralímpico, Silvânia tem cerca de 2% de visão e sua filha, com 10 anos, é portadora da mesma doença congênita e já começa a se destacar em competições escolares na modalidade.

  • Lorena Spoladore

Lorena durante a prova final do salto em distância da classe T11 na Paralimpíada
Lorena durante a prova final do salto em distância da classe T11 na Paralimpíada Gazeta Press

Logo em seus primeiros dias de vida, a paranaense foi perdendo a visão gradativamente por conta de um glaucoma congênito. Sua família, então, mudou-se para Goiânia em busca de tratamento.

Aos quatro anos de idade, Lorena Spoladore já tinha 95% da visão comprometida. Dois anos mais tarde, ficou totalmente cega. Aos nove, se encontrou com o esporte.

Começou a praticar ballet, experimentou golbol, mas se apaixonou mesmo pelo atletismo, quando foi convidada a treinar por um professor de educação física. No começo, era somente uma atividade lúdica, mas logo veio o gosto por competir.

Os louros vieram cedo. Aos 17anos, em sua primeira competição internacional, a paratleta conquistou medalha de ouro no salto em distância na classe T11 no Campeonato Mundial de Lyon, na França.

Aos 21 anos, Lorena já pode se orgulhar de ter colocado duas medalhas olímpicas no peito. A paratleta estreou em Paralimpíada no Rio de Janeiro, no ano passado, e conquistou bronze no salto em distância e prata no revezamento 4x100m. 

Comentários

Dia Nacional do Atleta Paralímpico: conheça a história de três mulheres que transformaram dificuldades em medalhas olímpicas

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.