Ousado, alegre, campeão paralímpico de tudo e 'amigo' de Neymar: como o candidato a 'Bolt brasileiro' desafia, agora, a sala de aula

André Donke, do ESPN.com.br
Petrúcio Ferreira foi campeão mundial nos 100m e 200m em julho, em Londres
Petrúcio Ferreira foi campeão mundial nos 100m e 200m em julho, em Londres Getty

“Eu tento levar essa ousadia e alegria também para as pistas. Quero mostrar para as pessoas que amo e que sou feliz com o que faço.”

Cerca de 15 minutos de conversa por telefone é o suficiente para perceber o quanto a alegria está também na fala de Petrúcio Ferreira dos Santos, como quando relata o contato que teve com o ídolo Neymar.

Sexta-feira, 22 de setembro, é o Dia Nacional do Paratleta. E a ESPN Brasil fará uma homenagem especial durante sua programação, em parceria com a Braskem, com uma série de entrevistas ao vivo e reportagens especiais. Verônica Hipólito, Claudiney Santos, Daniel Mendes, Lorena Spoladore, Alan Fonteles, Silvânia Costas e muitos outros atletas passarão pela ESPN Brasil e também pelo Facebook Mundo ESPN.  #ESPNDiadoAtletaParalímpico

Foi em outubro de 2016. Na ocasião, o astro da seleção brasileira de futebol estava em Natal para disputar uma partida contra a Bolívia – vitória por 5 a 0 – pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018. O paratleta não sabia se teria a chance de conversar muito com o então jogador do Barcelona, mas acabou tendo uma surpresa positiva.

“Ele é muito humilde, conversamos bastante. Ele foi muito legal e fiquei ainda mais fã”, disse o paraibano de São José do Brejo do Cruz ao ESPN.com.br, sobre o encontro entre dois grandes nomes do esporte brasileiro na atualidade e responsáveis por medalha de ouro olímpicas.

Enquanto Neymar liderou a seleção masculina que realizou o sonho do ouro olímpico no futebol, Petrúcio, com apenas 20 anos (irá completar 21 em novembro), foi campeão nos 100m T47, com direito a recorde mundial, além de ter conquistado as pratas no 400m T47 e 4x100m T43-47. Em Mundiais, ele faturou em Londres, no ano passado, os títulos dos 100m T47 e 200m T47, ambos com direito a recorde mundial.

Mas como manter o mesma concentração nas disputas seguintes depois de conseguir os feitos mais expressivos do esporte e em tão pouco tempo? Ainda mais para alguém que treina de segunda a sábado, em dois períodos. "O meu foco sempre é a alegria dos meus pais, em saber que hoje através do esporte e das minhas conquistas eu consigo dar condições melhores a minha família, principalmente aos meus pais, que cuidaram de mim desde o início, que ensinaram o que é certo e errado. Que nunca me esconderam do mundo, porque às vezes há pais com filhos com alguma deficiência e acham que os filhos são diferentes das outras pessoas. Meus pais mostraram que eu nunca fui diferente de ninguém. Minha motivação maior são eles".

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Além de Neymar, outra grande fonte de inspiração no esporte para ele vem de sua especialidade: Usain Bolt. E não chega a surpreender. Não apenas pelo fato de o jamaicano – quem ele ainda não teve oportunidade de conhecer pessoalmente - ser talvez o maior nome da história do atletismo, mas por conta da irreverência e alegria, algo espontâneo para Petrúcio. Até mesmo quando fala de sua deficiência física.

Petrúcio já encontrou com Neymar pessoalmente
Petrúcio já encontrou com Neymar pessoalmente Facebook/Reprodução

"Eu brinco que eu fui feito tão normal, que me foi tirado um braço para ficar igual aos outros (risos)", disse o brasileiro, que teve boa parte do braço esquerdo amputado com 2 anos de idade, como contou ao Correio Braziliense em abril. Na ocasião, estava com o pai no trabalho, na agricultura, e o seu braço ficou preso em uma máquina de moer capim.

Hoje uma referência no atletismo, Petrúcio poderia ter ido para outro esporte: o futebol. Afinal, entre os estudos e ajuda ao pai no trabalho, ele estava dentro das quatro linhas quando podia. E foi nelas que descobriram sua vocação para correr, em 2013. Desde então, foi tudo muito rápido; em 2014, seleção brasileira; em 2016, medalha de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro; em 2017, medalhas douradas no Mundial.

Tanto coisa na vida de alguém tão jovem, um exemplo no Dia Nacional do Atleta Paralímpico. Agora, ele transmite essas experiências em palestras, prática que começou recentemente. “Eu tenho só 20 anos, mas pude viver muita coisa. É muito legal poder passar isso adiante.”

E, além disso, o brasileiro também resolveu abraçar outro desafio ao retornar à sala de aula. Neste semestre, ele começou a graduação em educação física na Faculdade Internacional da Paraíba, com o sonho de ser um treinador no futuro. “O pessoal brinca: ‘quando tiver aula prática para correr, a gente deixa com o Petrúcio’.”

Pode deixar mesmo, porque ninguém segura Petrúcio Ferreira dos Santos.

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