Empresária torna-se ultramaratonista após morte da mãe para conscientizar população sobre grave doença

Paula conquistou o posto de vice-presidente da Sociedade Latina de Hipertensão Pulmonar
Paula conquistou o posto de vice-presidente da Sociedade Latina de Hipertensão Pulmonar Divulgação

A mãe de Paula Menezes foi diagnosticada com Hipertensão Pulmonar em 2005, depois de uma verdadeira peregrinação em médicos de diversas especialidades que não conseguiam chegar a um diagnóstico da doença. Um ano depois, na luta contra a HP, a família foi informada que o tratamento não estava fazendo efeito e que seria necessário a utilização de um remédio que custava 12 mil reais por mês. 

Na época estudante de Direito, Paula impetrou um mandado de segurança e garantiu na justiça o recebimento do remédio, enquanto seu pai fundava a ABRAF – Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de Hipertensão Arterial Pulmonar. Infelizmente, depois de pouco mais de 2 anos e 8 meses do diagnóstico, sua mãe faleceu em decorrência da doença.

Assim, Paula resolveu abraçar a causa para ajudar outros pacientes que sofriam da mesma doença, que afeta cerca de 60 mil pessoas no Brasil e 25 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, a empresária - que tem como trabalho principal o setor de franchising - assumiu a presidência da ABRAF e também conquistou o posto de vice-presidente da Sociedade Latina de Hipertensão Pulmonar. 

Focada em ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo que sua mãe e sua família já passaram, ela já organizou diversos eventos nacionais e um internacional, conquistando espaço frente ao governo federal em relação ao panorama da doença no País.

Em suas pesquisas e ações, em 2015, Paula conheceu uma organização internacional que criou uma equipe de atletas para levantar fundos para a pesquisa sobre Hipertensão Pulmonar, o Team PHenomenal Hope, que atravessou os Estados Unidos de bicicleta para mobilizar a sociedade, arrecadando mais de 100 mil dólares para a causa.

“No início de 2015, fui apresentada à fundadora da equipe, a Dra. Patrícia George, uma médica incrível. Falei que gostaria de fazer algo que mobilizasse a população no Brasil e perguntei se poderíamos contar com o apoio da equipe deles em uma prova no Brasil para dar um ‘peso’ maior ao projeto”, contou. A ideia deu certo, e a equipe de Paula tornou-se o Team PHenomenal Hope Brasil, primeiro braço internacional da organização.

Desta forma, Paula reuniu o marido e mais dois atletas para unirem-se a causa, que tem como objetivo conscientizar a população brasileira a respeito da HP por meio da corrida. Em 2016, a equipe percorreu mil quilômetros em 10 estados, participando de um total de 16 provas de corrida nas cidades de São Paulo, Curitiba, Passa Quatro, Rio de Janeiro, Brasília, Bertioga, Florianópolis, Joinville, Cuiabá, Salvador, Uberlândia e Recife, e encerrou o projeto em outubro, na prova Bertioga-Maresias, onde cada atleta correu 75km, acompanhado de quatro membros da Team PHenomenal Hope EUA.

Paula, por nunca ter corrido uma ultramaratona anteriormente, tendo começado a praticar a corrida quando desenvolveu a iniciativa do Team, enfrentou grandes dificuldades para finalizar a prova. 

“Quando passei pelo pórtico, desabei a chorar apoiada na grade. Estava com muita dor, física e emocional. A rigidez do meu corpo não me deixava mais dar um passo, a fortaleza da minha mente já havia desmoronado, mas quando levantei a cabeça e vi os pacientes e familiares me aguardando e gritando meu nome, foi, sem dúvida, uma das emoções mais fortes que senti. A Hipertensão Pulmonar levou a minha mãe para sempre, mas me trouxe muitas pessoas maravilhosas”, contou a empresária.

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Perco o Fôlego por Você

Com o objetivo de levar ainda mais força aos pacientes e informação à população, a iniciativa do Team PHenomenal Hope continua neste ano, agora com mais quatro atletas voluntários, que se juntaram à equipe. Na temporada de corridas de 2017, a ABRAF e o Team estão promovendo a ação Perco o Fôlego por Você, na qual os atletas representam diversos portadores da doença, vestindo um “número de peito” com a foto de um paciente em cada corrida.

A ideia é que a equipe interaja com os pacientes e amigos na cidade em que estão correndo e também envolva os participantes da prova na causa social, conscientizando a população sobre essa grave doença e contribuindo para pressionar o Governo a rever o Protocolo do Ministério da Saúde que proíbe a terapia combinada (o paciente só tem direito a  um medicamento) e autoriza somente o fornecimento de quatro medicamentos dos 14 disponíveis para tratamento, o que gera quase uma sentença de morte para muitos pacientes.

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