É tudo ou nada: O que é o meio de tabela e como ele tornaria o CBLoL mais disputado

Felipe Felix e Rodrigo Guerra / ESPN.com.br

CBLoL
CBLoL Riot Games

Com a chegada do fim da fase de pontos  do CBLoL 2017 e passada a Série de Promoção, chegamos a mais um momento de reflexão - e agora é hora de falar sobre rebaixamento, número de times e comparar níveis de jogo.

Além de nossa região ser a que menos joga em todo o cenário competitivo mundial, temos uma outra situação estranha na tabela do CBLoL. Dos oito times no torneio, quatro avançam para as semifinais, um é rebaixado automaticamente, dois jogam a Série de Promoção e apenas um time forma o que chamamos de "meio de tabela". Com isso, as equipes que disputam a competição só tem duas opções: Jogarem tudo para chegar entre os 4, ou lutar para não ser rebaixado.

Um exemplo claro disso foi a Keyd Stars neste último split que, apesar de não ter realizado uma campanha vencedora, acabou tendo sua vaga na mira dos times do Circuito Desafiante pelo simples fato de ter realizado uma campanha mediana, mas longe de ser digna de um rebaixamento.

O mesmo número de times é mantido desde 2012, e desde o início do formato de pontos a competição utiliza oito equipes. A quantidade de equipes jogando funcionava muito bem no extinto Circuito Brasileiro de formato mata-mata, e também funcionou extremamente bem no inicio do CBLoL, quando o Brasil não tinha o número suficiente de times almejando uma vaga na competição. Entretanto, o momento que nosso cenário vive é de crescimento, ou deveria ser, e oito times já não são suficientes - assim, ao invés do "CBLoL mais disputado de todos os tempos", estamos vendo o "CBLoL mais empacado de todos os tempos".

Empacado por inúmeros motivos. Primeiro devido ao que chamamos de "fator MD2" e seu efeito dominó, que acaba por gerar uma série de problemas. De acordo com um levantamento feito pela nossa equipe, a competitividade no formato é diretamente proporcional ao nível de empate. Quanto mais competitivo, mais empates acontecem. Nos splits em que os primeiros colocados menos pontuaram e que o fundo da tabela foi competitivo, a média de empate é superior a 40%. Além disso, a média de empates entre os times Top 4 da etapa no CBLoL é de 47%. Tudo isso acaba por deixar os times juntos na tabela e resulta nesse 8 ou 80 que vimos na partida entre Keyd e INTZ na última rodada do CBLoL. Ou pior ainda: a primeira vitima do formato, a G3nerationx

Equipe da G3X que jogou o CBLoL 2016
Equipe da G3X que jogou o CBLoL 2016 Riot Games Brasil

No primeiro split de 2016, a regra em vigência já indicava que o oitavo colocado seria rebaixado, porém, de acordo com a Riot Games, em conversa com os times, ela foi alterada e uma disputa entre o sétimo e o oitavo definiu quem seria o rebaixado. Naquele split, na semana entre 25 e 28 de Fevereiro, a g3x ainda brigava pela classificação e enfrentaria a paiN Gaming, enquanto uma CNB conformada com a oitava posição contratou Guilherme "Vash" Del Buono no lugar de Felipe "Yoda" Noronha e foi penalizada com a perda de dois pontos.   

Com um mau planejamento no split, todo a CNB ganhou novas forças no fim ao desrespeitar o regulamento e empatou todos os seus jogos nas última três rodadas. Enquanto isso, a g3X, que brigava para chegar nas semis, acabou empatando e sua recompensa por brigar pelos playoffs durante toda a competição foi disputar a Série de Promoção. Nesse split, a segunda colocada, INTZ, fez 9 pontos, a G3x, em sétimo, fez 6, e a CNB ficou com apenas um ponto.

É claro que o objetivo de todo time é lutar pelo topo, mas em muitas competições é possível ver times que lutam não pelo topo, mas pelo meio da tabela, como o Brasileirão, que tem 20 times, no Basquete Brasil, com 18 equipes, ou na Taça Tupi de Rugby, que tem 12 times. Nesses torneios, existe uma disputa pelo meio de tabela ao mesmo tempo em que os times de ponta se firmam e se mostram realmente dignos de estarem no topo da tabela.

 Em Counter-Strike, a ESL Pro League da América do Norte adota o formato com 13 times no sistema de liga com pontos corridos, deixando claro quais são os times do meio da tabela, como a Luminosity, CounterLogic Gaming e Renegades. Esses são times que realmente não tiveram uma campanha magistral, mas deram dor de cabeça para os primeiros colocados. Até mesmo a própria LCS norte-americana, com 10 times disputando a competição, tem seis que avançam, dois que jogam a Série de Promoção e dois times que se mantêm na competição sem fazer nada. Com isso, o meio de tabela fica com dois times - que verdade acabam sendo 4, já que dois caem na primeira etapa da fase eliminatória. No formato que dura até esse ano na liga norte-americana, existem recompensas claras dentro da competição para cada tipo de campanha.

Equipe da ProGaming posa para foto após garantir vaga no CBLoL 2017
Equipe da ProGaming posa para foto após garantir vaga no CBLoL 2017 Riot Games

Voltando ao nosso CBLoL, agora é a hora que chegamos ao ponto principal do texto. No atual CBLoL, com esse formato de apenas oito times, todos saem perdendo - e o principal perdedor não são os times grandes, mas os pequenos e com jogadores menos experientes, como no caso da g3x.

Avaliando os últimos splits do CBLoL, são poucos os times que ao subir para a competição conseguem se manter, e ProGaming e Team oNe são reais exceções. A equipe de Matheus "Professor" Leirião optou por jogar o Desafiante, enquanto a Team oNe tem uma base forte, vinda da INTZ. Tirando esses times, Big Gods, Brave e TShow caíram por inexperiência – seja no Rift ou fora dos bastidores. Times inexperientes batem no CBLoL e caem muito fácil, primeiro porque existe um grande abismo de jogo competitivo entre as divisões e segundo porque, em apenas três meses e alguns jogos, não é possível absorver o suficiente. 

Alguns jogadores, como 4lan, Brucer, Rakin e Luskka, conseguem demonstrar sua habilidade logo de cara, mas outros talentos, como RedBert, ainda precisam de mais tempo e instrução para conseguir revelar seu verdadeiro potencial, e isso não vai acontecer enquanto não existir um número maior de espaços no meio da tabela para que pelo menos um ou dois times do Desafiante consigam subir e se manter no CBLoL.

Com um meio de tabela real, times do Desafiante podem realmente brigar para se manter na competição, e realmente se mantendo lá terão mais tempo para atingir mais maturidade com seus jogadores e seus funcionários. Dessa forma, o cenário brasileiro só tem a ganhar, pois mais jogadores estarão presentes no maior torneio brasileiro, tendo acesso a um nível de jogo melhor. Os times grandes também ganham com isso, obviamente. Em campanhas como a da Keyd, a recompensa por tentar até o fim não seria uma chance de rebaixamento, mesmo que mínima.

Argumentos expostos e entendidos, fica claro que existe espaço para mudanças, não apenas no formato da disputa do CBLoL, mas também na quantidade de times que podem disputar o campeonato. Na Série de Promoção, vimos times como KaBuM e Operation Kino sendo muito superiores a outras equipes, e o mesmo aconteceu anteriormente, com a ProGaming e Team oNe que vieram de lá e que hoje fazem bonito no CBLoL.

O cenário precisa crescer, mas para isso acontecer é necessário que os times tenham o mínimo de oportunidade de transformar esse potencial em realidade. Seja aumentando o número de times para que exista um meio de tabela, seja aumentando o número de partidas para que desempates por tempo de jogo não existam mais. O CBLoL precisa de mais times medianos para que esses times tenham oportunidade de revelar jogadores que times grande não revelariam ou para que jogadores medianos consigam, por esforço próprio, melhorar seu nível e o da própria competição.

Comentários

É tudo ou nada: O que é o meio de tabela e como ele tornaria o CBLoL mais disputado

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.