Após 1 ano, Keyd ainda tem dívida com yetz, gordox e mais streamers da Azubu

Rodrigo Guerra / ESPN.com.br

yetz alega que tem R$ 30 mil a receber da Keyd Stars
yetz alega que tem R$ 30 mil a receber da Keyd Stars Riot Games

Em março desse ano, o ESPN eSports publicou uma reportagem mostrando que a Keyd Stars devia uma soma considerável para streamers como Mateus "Yetz" Vieira, Willian "Gordox" Lemos e outros. Quatro meses após a publicação da matéria e nada foi resolvido, porém o clube promete resolver o caso em breve.

O ESPN eSports teve acesso a um grupo de conversa envolvendo todos os streamers e procurou todos os envolvidos na conversa e no imbróglio  e levantou que yetz tem em a ver R$ 30 mil, Gordox mais de R$ 50 mil e Murilo "Muca Muriçoca" Cevi R$ 20 mil, isso sem contar dívidas menores com diversos streamers.

No grupo de conversa estão os streamers Gordox, yeTz, Ismael "Pato Papão" Zimerman, Silvio Santos do CS, Muca Muriçoca, Bruno "aXt" Habitzreuter, Flávio "Jukes" Fernandes, Caio "400kg" Lazzaro, Bruno "Amarelito" Eugênio e Neto "Netenho" Cavalcante.

Na conversa, todos os criadores de conteúdo comentam sobre atrasos nos pagamentos e a administração da Keyd por vezes respondia e explicava que a situação tinha a ver com a má fase da Azubu.tv, plataforma de transmissão concorrente do Twitch.tv. Atualmente o site encerrou suas atividades, mas a empresa continua na ativa. O Azubu se uniu ao Hitbox e agora atua como Smashcast, um site de streaming de jogos.

Na ocasião em que tinha contrato com a Azubu, a Keyd atuava como uma “agência de talento” para esses criadores de conteúdo. Era por intermédio do clube que os streamers recebiam o pagamento pelo trabalho feito. De acordo com dados levantados pela reportagem, alguns jogadores chegavam a trabalhar até 16 horas por dia.

O ESPN eSports levantou que Gordox é o jogador que tem o maior valor em a ver com a Keyd, chegando a mais de ao total de R$ 100 mil. A soma chega a esse número pelo fato narrador ser um dos poucos com contrato assinado e que tinha uma cláusula de quebra de contrato no valor de R$ 50 mil – o restante do valor está ligado a meses de trabalho sem recebimento.

Gordox em participação no Bate-Bola, da ESPN
Gordox em participação no Bate-Bola, da ESPN ESPN

Outro criador que tem uma grande quantia a receber é Muca Muriçoca no qual tem R$ 70 mil em a ver – R$ 20 mil por quatro meses sem receber e R$ 50 mil por quebra de contrato. 

O ESPN eSports procurou todos os streamers que estavam presentes na conversa. Muitos decidiram não fazer declarações seja para não atrair atenção para o caso, seja por medo de se indispor com o clube e não receber o valor devido. Outros ainda não retornaram às tentativas de contato da reportagem.

Amarelito foi um dos que aceitaram falar sobre a situação. O jogador atualmente atua no Twitch e foi um dos poucos que receberam o que lhe era devido "mas era um valor bem baixo, coisa de 800 reais, se não me engano", disse ele. Entretanto, o jogador disse que antes disso, o contato com a Keyd era complicado. "Atrasavam com muita frequência, coisa de 1, 2 meses. Era sempre um sacrifício solicitar pagamento porque eles simplesmente me ignoravam".

Em declaração sobre a situação, o jogador falou "A única coisa que posso dizer, é que ajudamos os caras, sabemos que receberam nosso dinheiro ou grande parte disso e acho uma sacanagem com quem vive ou pensa em viver do eSports hoje, pessoas assim que mancham nosso cenário. Infelizmente essa é nossa realidade".

Muca (dir.) em entrevista com Faker (esq.), jogador de League of Legends, no MSI
Muca (dir.) em entrevista com Faker (esq.), jogador de League of Legends, no MSI Muca Muriçoca

Cobrança em público

Recentemente, yetz publicou em sua página no Twitter que sua vida mudaria caso o cubepagasse a ele o dinheiro que lhe é devido. Em poucas o tuíte chegou a mais de mil likes com dezenas de respostas de apoio ao jogador.


Em contato com o ESPN eSports, yetz desabafou dizendo que não sabia mais o que fazer. O jogador alega que recebeu os pagamentos referentes até julho de 2016 e que ainda lhe é devido R$ 30 mil, porém, o jogador não tinha contrato assinado dizendo que existia um contrato base, porém “eles não chegaram a oficializar por que eles enrolaram, enrolaram e não fizeram o contrato”.

Promessa para pagamento

Procurada pelo ESPN eSports, a Keyd Team informou que o processo para pagamento da dívida está próximo. Eduardo Kim, um dos donos da organização, conta que a linha de crédito, prometida para realizar os pagamentos em abril, foi aprovada apenas nessa semana, porém questiona o valor levantado pela reportagem.

Edu diz ainda que "vale reforçar, como dito anteriormente, que valores e condições citadas na matéria não condizem com a realidade. Seguimos em diálogo com os interessados que nos procuram para quitar e negociar de vez o que é necessário, tendo já pago e negociado diversas das pendências que estavam anteriormente abertas - inclusive casos citados na matéria anterior".

André (dir.) e Edu (esq.), os donos da Keyd
André (dir.) e Edu (esq.), os donos da Keyd Divulgação/Keyd Team

Porque não processaram a Keyd?

Sob ponto de vista jurídico, os jogadores que não têm contrato assinado passam por uma situação delicada, como aponta Leonardo Zanatta, consultor jurídico em direito eletrônico consultado pela ESPN eSports.  "Entendo que seja bem difícil reaver os valores em aberto com a Keyd haja vista a inexistência, em primeira análise, de contrato específico. A fragilidade circunstancial das alegações bem como o valor - em tese - defasado deveria ser atualizado e, sem contrato, fica difícil inclusive mensurar tal atualização", explica o advogado.

A falta de contrato pode ainda dificultar o reconhecimento da sua causa. "A constante inobservância de preceitos técnicos mínimos – beirando o amadorismo – coloca em xeque a seriedade que os atletas buscam quando aos olhos do grande cenário", diz.

Leonardo explica quais seriam as medidas que os jogadores precisariam seguir para tentar conseguir reaver o que tinha sido acordado verbalmente. "Caberá a eles buscar exaurir as medidas administrativas junto à Keyd para tentar sanar esse imbróglio. Não havendo outra alternativa, deverão os atletas buscar judicialmente com a subsequente carga probatória e fomentar a ação com toda documentação, relatos, prints, informações que puderem reunir", afirma.

Mesmo em posse dessas 'provas', o especialista em direito eletrônico diz essas peças podem não ser suficientes. "Por se tratar de provas em meio eletrônico, caso estas não sejam adequadamente produzidas, podem, dependendo da situação, promover efeito reverso do pretendido. Certamente será um caso interessante de ser acompanhado", diz o advogado.

Para evitar situações como essa, Leonardo deixa um lembrete da importância de ter um contrato assinado para evitar situações como essa: "Na condição de advogado e consultor, deixo a recomendação para os aspirantes ao estrelato profissional que estejam assessorados. O mesmo vale aos veteranos de caminhada que busquem regularizar uma assessoria jurídica o quanto antes. Não é esperado que o atleta detenha conhecimentos para se blindar desse tipo de situação - e é lamentável que estas ainda aconteçam - mas o importante é ter um profissional que zele pelo seus interesses",  finaliza.

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