Circuito mundial de surfe tem três etapas em regiões que lideram em ataques de tubarão

Luiza Ferraz, para ESPN.com.br
Divulgação/WSL
Mick Fanning foi atacado por tubarão na final da etapa de J-Bay, na África do Sul
Mick Fanning foi atacado por tubarão na final da etapa de J-Bay, na África do Sul

Na última quarta-feira, a bateria entre Gabriel Medina e Mick Fanning, em Jeffrey’s Bay, na África do Sul, foi interrompida pela presença de um tubarão. O animal se encontrava a cerca de 90 metros de onde os surfistas estavam. 

Mais um! Tubarão interrompe bateria entre Mick Fanning e Gabriel Medina

Um dia antes, o mesmo cenário aconteceu, com Filipe Toledo, Jordy Smith e Julian Wilson tendo suas baterias reiniciadas por conta do alerta.

Esse tipo de coisa passou a não ser mais uma surpresa na etapa sul-africana do Tour, após o ocorrido em 2015, quando Mick Fanning chegou perto de perder a sua vida para um tubarão branco durante a decisão do evento.

Veja o momento em que Mick Fanning é atacado por tubarões na África do Sul
  • Etapas do Tour com índices de tubarões

Além dessa, outras duas etapas do Mundial de surfe são realizadas em lugares com alto índice de tubarões - Trestles, na Calfórnia, e Margaret River, no oeste australiano.  


De acordo com os dados da International Shark Attack File (ISAF), os países que lideram em  casos de ataques de tubarões são os Estados Unidos (1352), a Austrália (607) e a África do Sul (250), respectivamente.

Nesses países, as regiões onde os campeonatos acontecem, San Diego e Easter Cape, são as primeiras em números de incidentes, com 17 e 104 vítimas. A única exceção é o oeste australiano (87), que está em terceiro lugar no país – atrás de Queensland (187) e New South Wales (233).

  • Onze meses, duas vítimas

Um dos casos mais peculiares é o de Trestles, que fica no condado de San Diego, na Califórnia, sendo a oitava etapa do Circuito. Antes pouco conhecida pelos casos de predadores, nos últimos dois anos a região tem sido invadida pelos animais.

Foram dois ataques em apenas 11 meses, com duas vítimas quase fatais. Em maio deste ano, um cardume de nove tubarões brancos foi avistado na região. No fim de abril, a Praia Estadual de San Onofre – onde fica Trestles - precisou ser fechada após uma banhista de 36 anos ser mordida no local.

Segundo Chris Lowe, diretor do Shark Lab de Long Beach, esse aparecimento repentino pode ser causado pelo aumento da temperatura do oceano e das condições não favoráveis, como a poluição. No entanto, são apenas especulações, já que a verdadeira razão ainda é uma incógnita e motivo de estudos.

  • Perigo na Austrália 

No oeste australiano, onde acontece a etapa de Margaret River, muitas vítimas também já foram feitas. Desde 2012, foram contabilizados 20 ataques, uma média de 4 pessoas ao ano, mas nunca no palco da disputa. Dessas vítimas, 6 foram fatais.

Em 2017, já aconteceram dois acidentes com uma tragédia. Em abril, uma adolescente de 17 anos foi morta na frente de seu pai, enquanto surfavam juntos na praia de Kelp Beds. No último ano, outro surfista morreu no mesmo local. 

Segundo especialistas do Australian Shark Attack File (ASAF), o aumento de ataques de tubarão está diretamente ligado com o crescimento da população australiana em um geral. Essa também é a razão da maioria dos ataques aconteceram durante o verão, quando tem maior quantidade de pessoas nas praias. 

  • Experiências de surfistas 

Muito se especulou sobre a retirada da etapa de Margaret River do WCT (World Championship Tour), mas nada foi confirmado. Durante a semifinal do evento no início dessa temporada, Filipe Toledo e o norte-americano Kolohe Andino precisaram ser retirados d'água por conta de um alerta de tubarão - que depois foi confirmado ser apenas um cardume de peixes grandes. 

Em 2014, o norte-americano Kelly Slater, que já foi 11 vezes campeão do mundo, publicou um vídeo enquanto surfava The Box - onda ao lado de Margaret - e na parede do tubo apareceu uma criatura não identificada, que até agora não se sabe se foi um golfinho ou um tubarão. Veja o vídeo abaixo, em 1:03. 


Na mesma semana, Adriano de Souza, o Mineirinho, publicou uma foto em seu Instagram, no qual uma criatura 'suspeita' aparece n'água.  

 

Com o ocorrido em 2015, a World Surf League (WSL) reforçou a sua segurança durante as etapas críticas. São cerca de cinco jet skis que monitoram as águas e ajudam a rápida evacuação dos surfistas, caso algum alerta ocorra. Além disso, eles fazer uso de boias inteligentes, que detectam a presença dos animais.