Circo, idolatria por Dida e empurrão de Felipão: como Jefferson virou referência do Botafogo e goleiro de seleção

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

Jefferson diz que quem for para reserva terá que respeitar e esperar nova oportunidade

Titular pela quarta vez seguida desde que voltou de uma séria lesão,  Jefferson trilhou um caminho bastante difícil até virar um dos maiores ídolos do Botafogo. Aos 34 anos, ele é  uma referência para as novas gerações de goleiros das categorias de base da equipe carioca. 

Situação que o faz se lembrar do próprio início de carreira, quando era apenas um adolescente com o sonho de chegar ao time profissional do Cruzeiro.

“Eu sempre gostei do Dida. Era o meu ídolo. Eu me via nele, jogando como ele, alongando como ele. Ele é canhoto e eu também. Até o jeito dele se portar fora de campo. Quando ele estava na Toca da Raposa, eu acabava meu treino com o juvenil e nem trocava de roupa. Deixava os caras tomando banho e sentava em um banquinho para vê-lo treinar”, contou Jefferson, ao ESPN.com.br.

Por causa do temperamento mais introspectivo do garoto, a admiração ficou somente à distância.

Dida e Jefferson em jogo do Brasileiro
Dida e Jefferson em jogo do Brasileiro gazeta press

“Nunca cheguei a falar com ele naquela época. Era quase impossível! (risos). Eu tinha medo de chegar perto dele. Tinha 14 anos, achava que ele nunca ia me dar moral ou falar comigo. Ele tem muitos fãs”, confessou.

Muitos anos depois, quando Dida foi jogar pela Portuguesa, os goleiros se reencontraram na condição de adversários pelo Campeonato Brasileiro de 2012.

“Mas quando falei com ele já quando eu era profissional vi que ele era um cara sensacional. Muito educado e profissional. Eu contei para o Dida essa história e ele deu risada: ‘Por que você não foi falar comigo?’ Respondi: ‘Eu tinha vergonha'", admitiu.

Além de finalmente conversar com o ídolo, Jefferson ganhou outros presentes do ex-arqueiro do Milan.

“Eu até tenho uma luva velha dele em Assis que guardei comigo até hoje. Ele tinha dado para os goleiros da base treinarem, mas eu não quis usar de jeito nenhum. Guardei como um troféu mesmo. Ele me deu a camisa dele depois na época da Portuguesa e nós conversamos de vez em quando até hoje”, contou.

  • Circo e capoeira

Jefferson : 'Todo mundo merece uma segunda chance'

Jefferson de Oliveira Galvão nasceu em São Vicente, mas mudou-se para Assis, cidade no interior de São Paulo, aos seis anos de idade. Além do futebol, o garoto lutava capoeira e participava de um projeto social em um circo.

“Gosto de virar cambalhota e faço alguns malabares. Nisso eu fazia um pouco de palhaço de me vestir e fizemos apresentação no desfile da cidade. Fomos na avenida principal da cidade com várias crianças. Eles me colocavam geralmente na cama elástica e também fazia embaixadinha”, recordou.


“Eu sabia que a rua não tinha coisas boas para mim. Tinham muitas coisas erradas como drogas e criminalidade. Com 12 anos eu já pensava nisso. Só ia para rua quando era para jogar bola e soltar pipa”, garantiu.

Jefferson gostava de jogar na linha, mas o destino fez o jovem ir para debaixo das traves.

“Um dia fui fazer um teste na Ferroviária de Assis e não tinha vaga nenhuma na linha. Como eu era alto meu amigo deu a ideia: ‘Tem um treinador de goleiros que fica dando treino. Vai lá tentar’. Eu não sabia praticamente nada e fiquei um mês treinando para aprender”, contou.

“Um dia estavam precisando de um goleiro. Me chamaram para fazer coletivo e chute a gol. Eu fui, falaram que eu tinha jeito e me mandaram ficar no elenco. Passou um tempo e me inscreveram nas competições. Vi que tinha um dom”, analisou.

 Aos 14 anos, Jefferson foi para o Cruzeiro e com apenas 17 anos foi promovido aos profissionais por insistência de Luiz Felipe Scolari.

“Eles precisavam de um goleiro para repor os treinos e o Gomes, dos juniores estava viajando me chamaram do juvenil. Fiz uma semana muito boa no profissional e o Felipão pediu para eu ficar. Falavam que eu era muito novo, mas ele bateu o pé e subi direto”, recordou.

Jefferson foi revelado no Cruzeiro
Jefferson foi revelado no Cruzeiro Cruzeiro/site oficial

 “Graças a Deus sempre fui bem maduro. Já tinha jogado nos juniores e era capitão dos juvenis. Sofri muita desconfiança pela idade. Eu fiz uma Copa João Havelange muito boa em 2000”, disse.

No ano seguinte, porém, o goleiro viveu um dos piores momentos da carreira após a perda do título da Copa dos Campeões.

“Eu não fui bem na final. Poxa, nada deu certo naquele jogo. Perdemos para o Paysandu e parecia que o mundo tinha desabado na minha cabeça. Ainda mais por ser novo eu recebi muitas criticas. Me apeguei muito à família e Deus. Tive que aguentar a bronca”.

 “Em nenhum momento pensei em desistir. Isso foi fundamental para mim. Sempre pego as coisas negativas eisso me dá mais força. Se recebo uma crítica destrutiva isso não me abala. Procuro provar para a pessoa que ela está errada. Isso me colocou ainda mais para cima”.

 Depois disso, ele quase não teve mais oportunidades na Toca da Raposa. Acabou emprestado ao América de Rio Preto para jogar o Campeonato Paulista de 2003, mas não chegou a atuar por causa das convocações para a seleção brasileira sub-20. Como titular, Jefferson foi campeão mundial derrotando a Espanha de Andrés Iniesta na final por 1 a 0. 

Jefferson cogita aposentadoria: 'Espero encerrar a carreira no Botafogo'

Com isso, ele foi emprestado ao Botafogo até 2005, quando transferiu-se para o Trabzonspor-TUR . Após passar pelo Konyaspor-TUR, o goleiro retornou ao Botafogo no meio de 2009.  Desde então na meta alvinegra, o jogador tem contrato até o final de 2018 com a equipe de General Severiano.

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