Salgueiro se revolta por gol anulado em final e detona decisão por vídeo: 'Deixaram uma cidade chorando'

Gazeta Press
Williams Aguiar/Sport Club do Recife
Salgueiro Sport Final Campeonato Pernambucano 29/06/2017
Salgueiro perdeu por 1 a 0 para o Sport e ficou com o vice do Pernambucano

O primeiro jogo da final do Campeonato Pernambucano marcou a estreia do árbitro de vídeo no Brasil. E já naquela ocasião, dia 7 de maio, uma grande polêmica se instaurou depois que o árbitro Washington da Silva marcou um pênalti a favor do Salgueiro nos acréscimos do segundo tempo, em plena Ilha do Retiro. Após seis minutos de paralisação entre consulta a Péricles Bassols, árbitro de vídeo na oportunidade, e revisão de Washington da Silva do lance, a infração foi confirmada e o time do interior empatou o jogo em 1 a 1.

Na última quarta-feira, após 52 dias, as duas equipes voltaram a se enfrentar no segundo e decisivo confronto pelo título estadual, dessa vez no modesto estádio Cornélio de Barros, na cidade de Salgueiro. De novo, Péricles Bassols foi o responsável por comandar as análises dos replays da TV. E outra vez a polêmica foi grande, mas agora pelo lado do Salgueiro.

Tudo porque aos 24 minutos do segundo tempo, quando o placar ainda estava zerado, o time da casa teve um escanteio a seu favor pela esquerda do ataque. A bola foi alçada na área, o zagueiro Ranieri tocou para o meio e o atacante Álvaro mandou para as redes. A festa, no entanto, foi interrompida pelo árbitro assistente Emerson Augusto de Carvalho, que assinalou a saída da bola pela linha de funda durante a viagem da mesma para a área.

Wilton Pereira Sampaio, árbitro do jogo, pediu o auxílio de Péricles Bassols e ainda foi a um monitor à beira do campo para olhar com seus próprios olhos. Cinco minutos depois, Sampaio manteve a decisão de seu auxiliar número um e confirmou o tiro de meta.

A emissora responsável pela transmissão da partida, no entanto, não mostrou a jogada por nenhum ângulo conclusivo, que desse para perceber a bola realmente correndo por fora. Isso, aliado ao gol do Sport aos 36 minutos da etapa final, foi o suficiente para uma revolta generalizada em Salgueiro.

Após o jogo, com o título nas mãos do Leão, foi difícil conter os ânimos dos mandantes, que poderiam se sagrar os primeiros campeões do Estado com um time do interior.

"Foram cinco meses de trabalho e hoje nós tivemos um gol num momento difícil que estava o jogo. A bola não saiu. A TV mostra que não saiu. Tem o árbitro de vídeo que teve a oportunidade de dar o gol para o Salgueiro. Todo mundo viu que não saiu. Amanhã, quando eles estiverem diante dos filhos deles, eles vão ver que deixaram uma cidade chorando, um bocado de pai de família triste, porque tiveram o lance em mãos. Já vimos 10 vezes e a bola não saiu. Para que tem árbitro de vídeo, se eles tiveram na mão a oportunidade de dar a taça ao campeão merecedor. Hoje, para todos nós, o Salgueiro é campeão, porque conquistamos dentro de campo", esbravejou à Rádio CBN Recife o experiente goleiro Luciano, que há 12 anos defende o Salgueiro e atualmente é reserva, um dos mais revoltados.

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"A gente está vendo o vídeo aqui e a bola não saiu. Fica difícil. Nessa hora a gente tem que ter tranquilidade para não se prejudicar mais na frente. Ser vice-campeão não tira o brilho do que o Salgueiro fez dentro de campo, mas temos de ter tranquilidade. Realmente é revoltante perder em uma bola dessa", comentou em seguida Carlos José de Araújo, gerente de futebol do Salgueiro, tentando acalmar a situação.

Até mesmo o prefeito da cidade de Salgueiro, Clebeu Cordeiro, manifestou toda sua indignação pelo gol anulado com auxílio do vídeo e ameaçou fazer com que o Salgueiro não entre mais em campo pelo Campeonato Brasileiro da Série C, competição em andamento onde a equipe de Pernambuco ocupa a lanterna do grupo A.

"Presumo que Clebeu não viu o lance. O árbitro acertou e consultou o árbitro de vídeo, que confirmou que a decisão estava acertada", retrucou Evandro Carvalho, presidente da FPF (Federação Pernambucana de Futebol).

Vanderlei Luxemburgo, técnico do Sport recém contratado, mesmo sem saber ao certo o que aconteceu no primeiro duelo da decisão, saiu em defesa da arbitragem, apesar de admitir que experimentar a tecnologia logo em uma final não foi uma decisão acertada, e condenou a reclamação do Salgueiro.

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"Por que será que eles não reclamaram o jogo passado? Parece que no jogo passado eles foram beneficiados com alguma coisa. Eu fui lá ver toda a estrutura que eles (CBF) colocaram para ajudar, para ninguém ganhar um campeonato com gol injusto. Se é o melhor momento, de repente deveria ser de uma outra maneira, mas, pelo o que eu vi, (árbitro de vídeo) vai contribuir. Isso faz parte do que estava programado", minimizou o treinador campeão depois de comandar o Leão apenas na segunda partida da final.

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