Há 15 anos, Denílson criou lance histórico das Copas e ganhou elogio de Galvão; veja o que narrador lhe disse

  • POR FRANCISCO DE LAURENTIIS E VLADIMIR BIANCHINI / ARTE: DALTON CARA E BÁRBARA RESENDE

     

     

    Há exatos 15 anos, em 26 de junho de 2002, o atacante Denílson produziu um dos lances mais emblemáticos da Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão, para o deleite dos amantes do futebol arte.

    Aos 44 minutos do segundo tempo da semifinal contra a Turquia, o camisa 17, com o objetivo de segurar a bola no ataque e garantir a vitória brasileira por 1 a 0, partiu em jogada individual, invadindo a área e levando depois para o escanteio do abarrotado Saitama Stadium, no Japão. 

    Ele não contava, porém, que seria perseguido por nada menos que quatro adversários ao mesmo tempo: os volantes Muzzy Izzet e Tugay Kerimoglu e os zagueiros Bülent Korkmaz e Alpay Özalan, enfurecidos por seus dribles.

    À época, o lance ganhou as televisões do mundo todo, sendo exibido continuamente pelo planeta. Hoje, as imagens de Denílson, aposentado desde 2010 e atualmente comentarista da TV Bandeirantes, seguem vivas no YouTube, conquistando as novas gerações que não puderam ver (ou não se lembram) de um dos grandes momentos da conquista do Penta mundial.

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    • O lance que colocou Denílson na história
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    Denílson domina a bola na intermediária e parte para cima da marcação turca, invadindo a área de Rustu Recber
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    Depois, o camisa 17 leva a bola para a latera, sendo perseguido por quatro: Izzet, Kerimoglu, Korkmaz e Özalan
    ESPN.com.br
    Denilson - info1
    Özalan é o primeiro a desistir da 'caçada'. Em seguida, Kerimoglu. Korkmaz e Izzet o seguem até fazerem falta

     
    • 'Não percebi que tinha um exército atrás de mim'
    ANTONIO SCORZA/AFP/Getty Images
    Denilson Luiz Felipe Scolari Felipão Treino Seleção Brasileira Copa do Mundo 2002 02/06/2002
    Denílson era um dos homens de confiança de Felipão para os segundos tempos dos jogos da seleção em 2002

    Apesar do lance histórico, a principal lembrança de Denílson daquele jogo contra a Turquia, na semifinal do Mundial, é de uma partida muito difícil, contra um time que já havia complicado a vida do Brasil na 1ª fase.

    "O jogo foi bastante complicado, foi um dos mais difíceis da Copa", lembrou o ex-atacante, ao ESPN.com.br

    "Nas duas vezes que enfrentamos a Turquia foi muito complicado. Eles estavam num momento muito bom, só que a gente estava em um momento melhor (risos). Tínhamos uma sintonia muito bacana. Mas, se não tivesse a qualidade de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho, não sei o que teria acontecido", admite o ex-atleta

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    A vitória sobre os turcos foi definida aos 4 minutos do segundo tempo, com o famoso "bico" de Ronaldo "Fenômeno", que venceu o bom goleiro Rustu Recber. Nos 40 minutos restantes do duelo, porém, a equipe comandada por Senol Gunes pressionou bastante a meta defendida por Marcos em busca do empate.

    Quando a situação beirava a calamidade, Luiz Felipe Scolari chamou sua "arma secreta".

    Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
    Denilson Juninho Paulista Comemoram Penta Seleção Brasileira Copa-2002 30/06/2002
    Denílson e Juninho celebram a conquista do Penta

    "A gente estava vencendo com aquele gol de 'bico' do Ronaldo. Eu entrei aos 30 do 2º tempo. Todo intervalo de jogo eu me aquecia e me preparava mentalmente, porque sabia que em algum momento do 2º tempo eu ia entrar. Contra a Turquia, não foi diferente. Eu já voltei do intervalo todo empolgado e com as chuteiras amarradas, pensando assim: 'Se o Felipão me chamar, vou estar pronto'. E ele me chamou, pois confiava em mim", exaltou.

    As instruções de Felipão foram simples: prender a bola na frente e "esfriar" a forte pressão rival.

    "A ideia era segurar o máximo a bola no nossos ataque para diminuir o ímpeto deles. Os caras estavam 'amassando' a gente, e nosso time precisava ficar mais com a posse para retomar o controle", recorda. 

    Aos 44 minutos, o lance capital: Denílson domina sozinho na intermediária e olha para a esquerda: Rivaldo, já cansado, amarrava as chuteiras, enquanto Luizão, que havia entrado no lugar de Ronaldo, tentava se livrar do lateral Fatih Akyel para se deslocar para a área. 61.058 torcedores prendem a respiração.

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    O camisa 17, então, decide resolver sozinho. Sem medo, parte para cima e deixa Kerimoglu na saudade. Em seguida, invade a área e é cercado não só por Kerimoglu como também por Izzet, Korkmaz e Özalan, que partem ferozmente para cima em busca da bola. Os quatro turcos partem à caça de Denílson, que leva a jogada para o escanteio e recebe a falta, em um momento que ficou imortalizado na história das Copas.

    15 anos depois, o ex-jogador revela que não percebeu que estava sendo seguido por um "exército".

    "No lance que eles correm atrás de mim, nunca imaginei que estavam quatro caras na 'cola'. Na minha cabeça estavam um zagueiro marcando e um lateral na sobra. E só (risos)", gargalha o ex-atacante.

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    Poucos lembram, aliás, que Denílson seguiu driblando os rivais na sequência da jogada.

    "Eu recebo a falta nesse lance, o Beletti toca pra mim e eu continuo driblando os caras por um bom tempo na linha de fundo. A sequência é bem interessante, poucos lembram. Até porque a imagem dos quatro jogadores em linha atrás de mim chama mais a atenção. Ficou uma foto bonita (risos)", diverte-se.

    • 'Galvão me disse que foi o lance da Copa'
    Andreas Rentz/Bongarts/Getty Images
    Denilson Brasil Turquia Copa do Mundo 2002 26/06/2017
    Denílson fica caído após ser perseguido por quatro turcos e receber a falta na lateral

    A jogada contra a Turquia rendeu a Denílson muitos elogios de Galvão Bueno, o famoso narrador da TV Globo, que classificou a perseguição dos quatro turcos como o maior momento daquele Mundial.

    Divulgação
    Denilson TV Bandeirantes
    Denílson hoje é apresentador da Band

    "O Galvão veio falar comigo e disse que eu tinha feito o lance da Copa do Mundo. Na hora eu falei: 'Pô, legal, né? Tô com moral com os caras (risos)'. Mas, no dia, aquele momento entrou por um ouvido e saiu pelo outro (risos). Quando fiz, era só mais uma jogada na minha cabeça", ressalta.

    "A verdade é que só me dei conta da importância do lance depois da Copa do Mundo. Quando a gente ainda estava lá, nem parei para pensar nisso. Só vi a repercussão depois que voltamos para casa e o lance não parava de passar na TV. Acabou se tornando uma imagem emblemática", diz.

    Denílson conta que, mesmo mais de uma década depois, é questionado sobre essa jogada contra a Turquia sempre que é abordado por um fã: "Vai fazer quase 10 anos que parei de jogar. E o lance continua sendo lembrado por todos, até pelos mais jovens. Sempre quando me param na rua falam desse lance, quase todo os dias. 'Pô, Denílson, você deixou os caras malucos' (risos)", relata.

    "Quando vou dar uma entrevista, são três lances que sempre me perguntam: o lance da Turquia, a caneta do Arce, e o drible no Puyol. Só não fui entrevistado ainda por nenhum televisão turca (risos)", brinca.

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    Sempre que se encontram, os membros da "família Scolari" também lembram do lance com carinho.

    "A galera dá muita risada, meus companheiros de Penta se divertem até hoje, mesmo porque foi um lance atípico. Dificilmente irá acontecer de novo! Você pode ver lances parecidos, mas não iguais", salienta.

    E 15 anos depois, depois de ter visto a jogada milhares de vezes, Denílson confessa que, a cada vez que assiste ao vídeo da "caçada turca", pensa em soluções diferentes que poderia ter tomado na hora.

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    "Cada vez que revejo esse lance eu penso em algo diferente. Ao mesmo tempo que eu tinha o drible para o lado direito e o espaço até a linha de fundo, eu poderia ter tentado o passe para o Luizão sozinho na área. Mas e se eu erro o passe e dou o contra-ataque pros caras? O Felipão ia querer minha cabeça (risos)", sorri.

    "Toda vez penso que poderia ter feito outras coisas. Só não sei se dariam a mesma repercussão que esse lance deu e ainda dá! São 15 anos e as pessoas lembram. E acho que vão lembrar por muito tempo".

     

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