'Mito' da Bola de Prata cuidava de gado por R$ 30/dia e apanhava da mãe quando ia jogar bola: 'Levava cada surra'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Veja lances de Nino Paraíba, o 'mito' da Bola de Prata 

O lateral direito Nino Paraíba, da Ponte Preta, é um verdadeiro "mito" no prêmio Bola de Prata ESPN Sportingbet até agora. Afinal, desde o início do Campeonato Brasileiro, ele é o único jogador que figurou na seleção do torneio em todas as oito rodadas da competição.

Vivendo o melhor momento da carreira aos 31 anos, Severino de Ramos Clementino da Silva teve que lutar muito para realizar o sonho de ser jogador de futebol. Durante a infância e adolescência em Aldeia Jaraguá, na Paraíba, ele trabalhou em um ramo bem diferente para ajudar em casa.

"Antes de ser jogador, eu trabalhava com gado. Começava a tirar capim às 5h da manhã, limpava o gado, aí tomava café em casa, voltava e tirava mais capim. Cuidava do gado, almoçava, voltava e ia tratar do capim", conta Nino, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Depois, buscava o gado no mato... E essa era a minha rotina para ajudar a minha família. Recebia uns R$ 30 reais para cuidar de seis cabeças de gado", recorda.

Além disso, o hoje ala direito não tinha o apoio da família para tentar virar jogador.

Armando Paiva/Agif/Gazeta Press
Nino Paraiba Ponte Preta Flamengo Campeonato Brasileiro 14/06/2017
Nino parte para cima de Rafael Vaz, do Fla

"Minha mãe não queria que eu jogasse futebol. Quando ela me via no campo, eu tomava uma surra. E levei cada surra (risos)! Eu saía escondido, mas, quando ela me descobria, eu apanhava (risos)", gargalha o veterano.

Mas não tinha jeito: o destino estava traçado para que Nino se tornasse um veloz lateral direito.

"Quando fiz 16 anos, comecei a jogar em um time do meu bairro. Comecei a chamar a atenção de uns times do interior e aí tomei coragem para pedir à minha mãe para me dar a permissão de eu tentar virar jogador, porque até então eu jogava escondido. Por fim, Deus tocou o coração dela e ela permitiu, porque era meu sonho de moleque", rememora.

O ala, inclusive, conta que chegou a profetizar que um dia vingaria no futebol.

Denny Cesare/Código19/Gazeta Press
Nino Paraiba Coletiva Ponte Preta 17/05/2017
Nino durante entrevista da Ponte

"Falava isso sempre pra minha mãe e meu tio. Quando eu tinha oito anos, eles estavam vendo TV na sala e eu disse: 'Um dia vou ser jogador e vocês vão me ver na televisão'. Eles caíram na risada achando que não ia acontecer, mas minha vontade e a fé em Deus foram maiores do que tudo", exalta.

"Depois, consegui realizar isso que profetizei quando era moleque. Só tenho que agradecer por tudo que está acontecendo na minha vida", completa o atleta da Ponte.

  • Da Paraíba à Bola de Prata

Nino começou a jogar por um time local e um dia se destacou em um amistoso contra o América-RN. Foi chamado para os juniores da equipe, mas ficou só dois meses em Natal.

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Nino Paraíba é ídolo no Vitória, mas quase foi do Bahia
Nino jogou 5 anos pelo Vitória

Na volta, tentou uma vaga para jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Botafogo-PB, de João Pessoa, mas novamente as coisas não deram certo. Nessa época, pensou em desistir.

"Voltei para casa e não surgia nada... Ia desistir da bola e fazer outra coisa, porque nada dava certo para mim. Eu pensava: 'Faço teste, vou bem, mas não sou aproveitado. Nem treinando estou...'", relembra o veterano.

Quem lhe abriu as portas foi a pequena Desportiva Guarabira, equipe fundada em apenas em 2005 que lhe acolheu.

"Fui convidado por um treinador, fiz um teste e joguei bem. Os torcedores ficavam pedindo pra eu ficar, porque eu bagunçava os zagueiros nos treinos (risos)", diverte-se.

"Aí esse treinador que gostou de mim foi demitido na segunda-feira, acredita (risos)? Achei que iam me dispensar de novo... Aí fomos ver um jogo do Carlinhos Paraíba, que jogava no profissional e era da minha cidade. O presidente me chamou e mandou eu me apresentar na segunda, que iam ficar comigo. Foi uma felicidade enorme", relata.

Melhor lateral do Brasileiro, Nino Paraíba pode estar de partida da Ponte! Qual pode ser o destino?

Dali em diante, a carreira de Nino deslanchou. Da Desportiva, seguiu para o Náutico, passando depois por Sousa e Campinense, ambos de seu Estado natal. Em 2009, ele acertou com o Vitória, clube que defenderia por cinco anos e mais de 150 partidas.

Em 2015, foi emprestado ao Avaí e arrebentou, acertando em 2016 com a Ponte.

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Nino Paraíba quer estragar a festa na Ilha do Governador
Nino completou 8 rodadas na Bola de Prata

"De 2007 para cá, Deus abriu as portas para mim. Fui bem no Avaí, em 2015, fiz um excelente Brasileirão. Aí houve interesse de vários clubes, mas deu certo com a Ponte Preta. No ano passado, fiz outro Brasileiro bom, e também fomos bem no Paulista desse ano, indo até a final", comemora.

Agora, Nino Paraíba quer seguir "voando" na equipe de Campinas para se manter na seleção da Bola de Prata até o fim do ano. Seu próximo jogo é nesta quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), contra o Cruzeiro, no estádio Moisés Lucarelli.
 
"Estou vivendo momento abençoado. Cada jogo em que me destaco é fruto de trabalho. Batalhei muito para alcançar meus objetivos. Estão até chegando propostas de outros clubes, e é muito bom ser lembrado, porque isso significa que estou fazendo um bom trabalho. Este momento está sendo maravilhoso, e eu não podia estar mais feliz", encerra.

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