Palmeiras descobriu e lapidou promessa do NBB, mas fechou time; hoje, 'baixinho' encanta em finalista

Thiago Cara, do ESPN.com.br
ESPN.com.br
Yago, revelado pelo Palmeiras, foi decisivo para Paulistano chegar à final do NBB
Yago, revelado pelo Palmeiras, foi decisivo para Paulistano chegar à final do NBB

O Paulistano começa a decidir o NBB neste sábado, às 14h, contra o Bauru. Para chegar à grande final, a equipe de São Paulo contou com uma grande atuação de um pequeno armador, de apenas 1,75m e 18 anos: Yago marcou 15 pontos só no último quarto e ajudou seu time a fechar a série contra o Vitória.

O jovem armador é visto como uma joia do basquete brasileiro e brilhou pela primeira vez justamente quando o Paulistano não podia contar com um de seus principais nomes, o também promissor Georginho, que está inscrito para o Draft de 2017 da NBA, mas foi desfalque no jogo 3 da semi contra o Vitória.

A descoberta e lapidação de Yago, contudo, não aconteceu no Paulistano. Foi o Palmeiras quem revelou o jovem, nascido na cidade de Tupã, a 490 km da capital. O gigante do futebol, contudo, decidiu encerrar as atividades do time profissional de basquete e acabou perdendo o armador.

Yago, torcedor palmeirense, chegou ao clube alviverde com apenas 13 anos, por intermédio do irmão Adriano, o Mião, que também é jogador. Foi ele quem conseguiu encontro com o técnico Willians Manzini, em uma estação de metrô, para que o armador pudesse ser avaliado no time de seu coração.

"Vim de Tupã para São Paulo e não sabia onde ficava o Palmeiras. O treinador foi me buscar, me levou para o treino, cuidou bastante de mim. Eu era um cara muito jovem, 13 anos, longe da família, e o Palmeiras me deu alojamento", relembrou Yago, em entrevista concedida ao ESPN.com.br.

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Yago em ação com a camisa do Palmeiras
Yago em ação com a camisa do Palmeiras

De 2012 a 2016, o armador conquistou títulos com a camisa palmeirense e chegou à seleção brasileira, tendo sido, por exemplo, MVP do Sul-Americano sub-15 em 2014. Já em 2015, com apenas 16 anos, atuou na Liga de Desenvolvimento do NBB, contra rivais de até 22, e somou média de 11,3 pontos.

Não por acaso, durante os quatro anos de Palmeiras, Yago teve diversas propostas. Inclusive do Paulistano, rival contra quem teve atuação impressionante em 2016, com 56 pontos no Paulista sub-17.

"Eles vieram atrás de mim quando tinha 15 para 16, depois 16 para 17 também. Esse jogo foi no meu último ano de Palmeiras, que fiquei para jogar o sub-19 e, em alguns jogos da minha categoria, que era sub-17, eu descia para jogar. Esse jogo contra o Paulistano até foi o primeiro que desci e tive a felicidade de fazer 56 pontos. Depois disso, passou um tempo, eles vieram atrás de mim para jogar para eles no adulto. Falei 'não, vou esperar acabar o campeonato com o Palmeiras, depois vamos pensar nisso'. Quando acabou, deu um, dois dias, nem fui para minha casa e já fui para o Paulistano."

O destino, contudo, poderia ter sido diferente se não fosse a decisão tomada durante a gestão Paulo Nobre de acabar com o time profissional de basquete do Palmeiras em junho de 2015.

"Eu era bem novo quando acabou, mas já tinha chegado a treinar com eles. Foi uma perda muito grande, não sabe quando vai voltar, se vai voltar... E o Palmeiras é um clube de camisa, precisa ter isso. Para mim, sempre que perguntavam, eu falava: 'Quero jogar aqui, quero jogar aqui' e, a partir do momento que acabou o adulto, não vi por que ficar lá", conta Yago.

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Yago fez 20 pontos no jogo 3 da semifinal entre Paulistano e Vitória no NBB
Yago fez 20 pontos no jogo 3 contra o Vitória

"Quando Paulistano ofereceu a proposta, não teve como recusar. Uma por que eu tenho que evoluir como jogador, e outra que o Paulistano está me dando uma oportunidade que nenhum jogador da minha idade tem, e eu tenho que aproveitar", complementa o jovem armador.

Yago diz que não sabe o que teria acontecido se o Palmeiras tivesse mantido a equipe no NBB, mas tem bem definido o que quer agora para o futuro de sua carreira. Sonhando, claro, com a NBA, o armador de 1,75m quer decolar primeiro no Brasil - e se engana quem acha que a altura vá atrapalhar.

"Estou começando agora no NBB, minha primeira temporada, penso em me firmar aqui, ter mais nome aqui, para depois pensar em ter algo lá fora", planeja. "Nunca pensei que minha altura fosse me atrapalhar. Achei que fosse dificultar um pouco meu jogo no adulto, como dificultou, mas eu fui aprendendo. Não costumo ligar muito para isso, costumo falar mais da personalidade da pessoa, da vontade que ela tem. Isso faz a diferença", acrescenta.

A altura de Yago, aliás, é a mesma de Isaiah Thomas, do Boston Celtics, jogador mais baixo da NBA e um dos melhores desta temporada. O armador do Paulistano admite que aprende com o "baixinho" famoso, mas se espelha em outro astro da posição no basquete norte-americano.

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"Comecei a acompanhar mais ele, pelo que faz contra jogadores mais altos, as bandejas, os chutes que ele dá. Fui aprendendo bastante vendo vídeos dele", disse, sobre Thomas. "Tenho bastante admiração pelo John Wall. É um jogador muito plástico, usa bastante o poder que ele tem com a bola, não liga se o time está perdendo ou ganhando, está sempre jogando no mesmo ritmo."

Se Yago um dia dividirá quadra com Thomas ou Wall, só o tempo vai dizer. Palmeiras e Paulistano, porém, já comprovaram que ele pode jogar como gente grande - e isso nada tem a ver com seu 1,75m. 

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