Hoje dono de buffet infantil, ex-São Paulo e Liverpool garante: 'Robben é bem mais difícil de marcar do que Cristiano Ronaldo'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Relembre gols de Fábio Aurélio por São Paulo, Valencia e Liverpool

Revelado pelo São Paulo em 1997, o ex-lateral esquerdo Fábio Aurélio teve uma carreira vitoriosa no futebol europeu, ganhando títulos importantes por Valencia e Liverpool.

Contratado pelo Grêmio em 2012, ele foi obrigado a se aposentar no ano seguinte, devido a várias lesões, que o deixaram fora de combate em durante 2013 inteiro. Hoje, aos 37 anos, ele voltou à sua terra natal e trabalha com algo que não tem nada a ver com futebol.

"Quando encerrei a carreira, voltei a morar em São Carlos [cidade no interior de São Paulo]. Eu já tinha um salão de eventos por aqui, e recentemente inaugurei um buffet infantil", contou o ex-jogador das seleções brasileiras de base, ao ESPN.com.br.

reprodução/facebook
Super Duper é o buffet infantil
Fábio Aurélio hoje tem um buffet infantil em São Carlos, no interior de São Paulo

"Estou curtindo! O buffet se chama 'Super Duper', foi minha filha do meio que deu o nome (risos). A inspiração veio da Inglaterra, onde tinha muitos desses espaços indoor e cheios de brinquedos enormes. Fiz uma pesquisas e resolvemos montar esse conceito aqui no interior, e até agora o pessoal está gostando muito", garantiu o hoje empresário.

Com as chuteiras penduras, ele também pode agora curtir a família. Um de seus filhos, inclusive, quer ser jogador como o pai, que acaba virando "motorista" do garoto.

"No futebol agora eu só faço papel de pai, mesmo. Metade do dia trabalho nos meus negócios e na outra metade fico de táxi do meu filho Fabinho (risos). Vamos sempre pra Araraquara, porque ele joga na Ferroviária. Tem 15 anos e joga de lateral e ponta direita. Assim como eu, ele joga nas duas alas, mas é dentro e gosta de atacar", define o orgulhoso pai.

Aurélio diz, aliás, que o filho Fabinho tenta ser atleta profissional por vontade própria, não por pressão paterna.

"Eu não forço nada. Tenho vontade que dê certo, porque vejo que ele adora jogar bola, mas não porque seria um desejo meu como pai. Apoio qualquer decisão dele, e espero que qualquer que seja o caminho que ele escolher, que seja feliz. Isso é o mais importante", afirma o ex-atleta.

Durante a carreira, Fábio Aurélio foi bicampeão espanhol e campeão da Copa da Uefa e da Supercopa da Uefa pelo Valencia. Depois, pelo Liverpool, ganhou o Community Shield e a Copa da Liga Inglesa, e foi vice da Uefa Champions League em 2006/07. Ele inclusive foi o primeiro brasileiro a vestir a "pesada" camisa dos Reds na história.

Pelo São Paulo, destacou-se na campanha do vice do Paulistão de 1997, ao lado da famosa geração de Rogério Ceni, Bordon, Serginho, Dodô, Belletti e Aristizábal.

Gazeta Press
São Paulo Posado Corinthians Final Campeonato Paulista 05/06/1997
Aurélio (3ª agachado da esq p/ dir) no time do São Paulo que foi vice do Paulistão de 1997
  • 'Robben era bem mais difícil de marcar que CR7'

Fábio Aurélio arrebentou durante sua passagem de seis anos pelo Valencia, no qual foi comandado pelo técnico Rafa Benítez em metade desse período. Quando Benítez foi para o Liverpool, em 2004, e precisou de um ala esquerdo, pediu a contratação do ex-pupilo.

"Cheguei ao Liverpool a pedido do Benítez, que levou mais dois do Valencia: o Sissoko e o Pellegrino, que era zagueiro, mas acabou virando auxiliar do Rafa depois", relembrou.

Durante o tempo em Merseyside, viveu grandes momentos, em uma era vitoriosa do time.

Ben Radford/Getty Images
Fabio Aurelio Liverpool Robben Chelsea Premier League 17/09/2006
Fábio Aurélio marca Robben durante Liverpool x Chelsea

"Tivemos muitos momentos marcantes. Lembro de uma semana especial, quando o Benítez vinha sendo bastante questionado e a equipe não vinha bem. Estávamos divididos em duas frentes: Champions e Premier League, e só tinha pauleira", recorda o paulista.

"Aí ganhamos do Real Madrid no Bernabéu de 1 a 0 e depois eliminamos os caras com um 4 a 0 em Anfield. No meio disso, no fim de semana, atropelamos o United por 4 a 1 em Old Trafford. Foi uma reviravolta! E fico feliz que participei desses jogos espetaculares, nos quais joguei bem e tive até a felicidade de fazer um gol no United", celebra Fábio.

O tento está até hoje guardado na memória do ex-lateral esquerdo.

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Fabio Aurelio Comemora Gol Valencia Celta de Vigo Campeonato Espanhol 26/11/2005
Fábio Aurélio e David Villa celebram gol pelo Valencia

"Foi um golaço de falta! Chutei da ponta direita, de média distância, a bola pegou uma curva bonita e entrou no cantinho do Van der Sar. Acho que ele esperava que o Gerrard fosse bater, mas fui lá e surpreendi", conta.

Nos tempos de Premier League, Fábio Aurélio tinha que correr muito em campo, já que era peça decisiva no esquema de Rafa Benítez, atacando e defendendo com muita intensidade durante os 90 minutos.

Em seus seis anos de Liverpool, ele diz inclusive que um jogador lhe causava pesadelos.

No papo com Marra, Fábio Aurélio relembra era Benítez no Liverpool

"O Robben foi o jogador mais difícil que marquei em toda a minha carreira... Jogamos contra várias vezes quando ele estava no Chelsea e depois também Real Madrid", revela.

O brasileiro assegura, inclusive, que temia mais enfrentar Robben do que Cristiano Ronaldo, contra quem jogou em partidas contra Manchester United e Real Madrid.

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Fabio Aurelio Liverpool Robben Real Madrid Champions 10/03/2009
Fábio marca Robben em Liverpool x Real Madrid

"Contra o Cristiano eu joguei várias vezes, mas não tive tantos problemas quanto tive com o Robben. Foi menos trabalhoso (risos). O Robben é bem mais difícil que marcar do que o Cristiano", opina o ex-São Paulo e Grêmio.

"O Cristiano é muito rápido, mas não é tão habilidoso, no meu ponto de vista. O Robben conduz a bola mais perto do pé, como faz o Messi. Ele vem na sua direção em velocidade e muda de trajetória ao longo da corrida, e faz tudo muito de repente, é uma explosão muito grande, de enorme habilidade", descreve.

Fábio confirma: a famosa jogada de Robben é quase impossível de ser marcada.

"E mesmo você sabendo que ele vai dar aquele famoso corte pra esquerda dele, não dá pra pegar, por causa da velocidade. Já o Cristiano não leva a bola tão perto do pé, às vezes acaba adiantando e você tem uma chance maior de antecipar ou roubar", cita.

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Fabio Aurelio Liverpool Cristiano Ronaldo Manchester United Premier League 23/03/2008
Fábio Aurélio acompanha Cristiano Ronaldo durante Liverpool x Manchester United

"Já vi o Ronaldo fazer coisas espetaculares, é claro, mas, ao menos nas experiências que tive de jogar contra, ele nunca tentou fazer alguma coisa diferente, que tenha complicado minha vida nos jogos. Acredito que tive um pouco de sorte também (risos)", brinca.

  • 'Gerrard merecia ter sido melhor do mundo'

Durante suas temporadas em Anfield, o ex-lateral esquerdo formou laços de amizade com o lendário Steven Gerrard, um dos maiores jogadores da história dos Reds.

Aurélio diz, inclusive, que o ex-camisa 8 jamais teve todo o reconhecimento que merecia.

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Gerrard Comemora Gol Liverpool Charlton Premier League 16/12/2006
Gerrard e Fábio Aurélio comemoram pelos Reds

"Pra falar a verdade: o Gerrard nunca teve fora da Inglaterra a valorização que merecia. Ele tinha que ter vencido o prêmio de melhor do mundo da Fifa em algumas dessas temporadas nos anos 2000. Tinha que ter tido essa oportunidade de ao menos estar na premiação", opinou.

"Ele era espetacular batendo na bola. De 10 faltas no treino, colocava nove na 'caixa'. Isso não era só técnica, mas profissionalismo. Era o cara que sempre chegava primeiro no treino, trabalhava muito e ganhava a admiração de todos. Além de ser um 'deus' no Liverpool, era um jogador completo. Decidia jogos sozinho, tinha vezes que a gente dava a bola nele e sabia que ele ia resolver, porque arrumava soluções inesperadas. Isso fazia dele um cara genial em todos os sentidos", definiu.

O brasileiro também descreve Gerrard como um exemplo dentro e fora de campo.

Fábio Aurélio se diz surpreso com saída de Gerrard do Liverpool

"Era um cara tranquilo, na dele. Comandava o vestiário mais pelo exemplo do que pelas palavras, já que nem precisava falar muito. Você via o cara correndo e se matando nos treinos e nos jogos, não precisava dizer nada. Por isso era nosso capitão. Fora de campo, respeitava todo mundo. Aprendi muito com Gerrard como jogador e ser humano", exalta.

"Foi um cara que sempre me orientou bastante, e aprendi demais trabalhando e no dia a dia de Liverpool com ele. Essas coisas a gente lembra e não tem preço que pague", encerra.

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