Há 90 anos nascia um dos maiores jogadores de todos os tempos: Puskas

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Ferenc Puskas marcou 12 gols - sendo quatro na final - e foi importantíssimo para o Real vencer a Copa Europeia de 1960 contra o Eintracht Frankfurt
Ferenc Puskas, uma lenda do futebol

O termo "maior de todos os tempos" perdeu a força com o passar dos anos. Muitos "maiores de todos os tempos" eram bons, muito bons, mas... menos. Não como Ferenc Puskas. Há 90 anos, nascia húngaro que se eternizou, sim, como um dos maiores jogadores de todos os tempos. Sem aspas.

Em Budapeste, capital da Hungria, em 2 de abril de 1927, nascia Ferenc Purczeld Biró, que se lideraria uma das seleções que mais encantaram o mundo nos anos 40 e 50, sendo campeão olímpico nos Jogos de Helsinque-1952 e vice da Copa do Mundo em 1954.

"Nós jogamos alegremente, eles disputaram o título."

Puskas, sobre a derrota na final da Copa-1954 para a Alemanha

Depois de ganhar tudo na Hungria, conseguiu mais: ganhar tudo com a camisa do Real Madrid. E foi além, já que defendeu a seleção da Espanha entre 1961 e 1962. E se tornou uma lenda no país.

"O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo."

Puskas

  • Início modesto e primeiras glórias
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Comandada por Puskás, a Hungria teve uma das mais incríveis séries invictas da história
Comandada por Puskás, a Hungria teve uma das mais incríveis séries invictas da história

No futebol, Puskas começou aos 16 anos no Kispest, pequeno clube de Budapeste, Gorducho e baixinho, não tinha exatamente o físico de um atleta, mas, mesmo assim, tornou-se um grande goleador, o que fez com que progredisse rapidamente.

Defendeu o Kispest de 1943 a 1949. Não conseguiu dar ao time um título, afinal era uma estrela solitária, mas foi artilheiro máximo do campeonato em 1947, com 50 gols.

Ao final da temporada de 1949, Puskas passou para o Honved, clube que passou a unir todos os craques do país graças ao apoio das forças armadas.

Foram cinco títulos do Campeonato Húngaro e três vezes artilheiro da competição. No mesmo período se consagrou como símbolo da melhor geração de jogadores que já existiu no país. A seleção da Hungria era uma força na Europa.

Ficou quatro anos sem perder (20 jogos), entre 1950 e 1954. Conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Suécia, em 1952, e foi vice-campeã da Copa do Mundo de 1954, na Suíça, ao perder de forma improvável para a Alemanha Ocidental - depois de saírem vencendo por 2 a 0, os "Magiares Mágicos" levaram a virada por 3 a 2, na partida que ficaria conhecida pela eternidade como "O milagre de Berna".

Puskas conseguiu o feito de marcar gols nas duas finais (olímpica e mundial). No entanto, após a Copa, a Hungria passou a viver um momento conturbado politicamente.

  • Período difícil e mais títulos
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Da esq. à dir.: Kopa, Rial, Di Stéfano, Puskas e Gento em jogo do Real Madrid no ano de 1959
Da esq. à dir.: Kopa, Rial, Di Stéfano, Puskas e Gento em jogo do Real Madrid no ano de 1959

Revoltas populares fizeram com que o controle soviético se tornasse mais violento. Em 1956, durante uma partida na Bélgica pela Copa do Campeões, Puskas e outros craques fugiram.

A decisão fez com que diretores da Hungria recoressem a Uefa, o que fez Puskas perder alguns anos de carreira. Voltou a jogar apenas em 1958, quando conseguiu naturalizar-se espanhol e defender o Real Madrid, ao lado de Di Stefano.

Mesmo já veterano, foram novos anos de glórias para Puskas. Em oito temporadas, foi campeão mundial, tricampeão da Copa dos Campeões, pentacampeão espanhol e vencedor de uma Copa do Rei. Foi ainda artilheiro do Espanhol quatro vezes.

  • Títulos com a camisa do Real Madrid

    Campeonato Espanhol
    ⚽⚽⚽⚽⚽ 1961, 1962, 1963, 1964, 1965

    Copa dos Campeões
    ⚽⚽⚽ 1959, 1960, 1966

    Copa da Espanha
    ⚽ 1962

    Mundial Interclubes
    ⚽ 1960

Puskas chegou ainda a defender a Espanha em quatro partidas, uma delas contra o Brasil pela Copa do Mundo de 1962, no Chile, com vitória canarinho por 2 a 1.

Aposentou-se do futebol aos 40 anos, em 1967. Virou técnico, tendo inclusive dirigido a Hungria em 1993. O trabalho mais conhecido, no entanto, foi com o Panathinaikos, da Grécia, finalista da Copa dos Campeões de 1971 (vencida pelo Ajax).

  • A despedida
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Puskas Hungria
Puskas em ação pela lendária seleção húngara

Foi em uma quinta-feira, 17 de novembro de 2006, que Puskas se despediu do mundo. Aos 79 anos, morreu em consequência de Alzheimer, doença que o castigou por seis anos, agravada por problemas respiratórios e cardiovasculares.

Puskas despediu-se em Budapeste, capital da Hungria, após passar mais de um mês internado, na mesma cidade em que nasceu, em 2 de abril de 1927. O sobrenome imortalizado por ele foi adotado na adolescência substitundo Purczeld, uma escolha do pai para esconder a origem alemã e evitar qualquer perseguição.

"O homem tinha um supertalento. Perdi um amigo e um craque. Ele foi assim dentro e fora de campo. Ele foi um dos maiores jogadores de todos os tempos, mas a vida, meu amigo, quando você menos espera, chega ao fim."

Di Stéfano, sobre o amigo Puskas

  • Prêmio Puskas
Neymar, Messi, Marlone e mais: veja os golaços indicados ao Prêmio Puskas

Puskas fez 84 gols em 85 jogos pela Hungria. Foram 324 gols pelo Real Madrid em 372 jogos. A fama de goleador correu o mundo. Foi eleito o melhor atacante europeu do século passado. Assim, nada mais justo que batizasse o prêmio dado pela Fifa.

Criado em 2009, já condecorou o português Cristiano Ronaldo, o brasileiro Neymar e o sueco Ibrahimovic. Mas teve surpresa também. Como a vitória de outro brasileiro no ano passado. Foi Wendell Lira, por um tento marcado pelo Goianésia, no Campeonato Goiano.

Veja o golaço de Wendell Lira, vencedor do Prêmio Puska de 2015

O primeiro vencedor foi Cristiano Ronaldo por um gol marcado pelo Manchester United contra o Porto na Uefa Champions League de 2008/09. O turco Altintop foi o segundo premiado. Levou o troféu por um gol marcado pela Turquia contra o Cazaquistão, em 2010, durante partida válida pela eliminatória para a Eurocopa de 2012.

Neymar venceu a terceira edição pelo gol marcado durante um clássico Santos e Flamengo pelo Brasileiro de 2011. Foi o terceiro gol santista na derrota por 5 a 4.

Depois dele venceram o russo Miroslav Stoch, o sueco Ibrahimovic e o colombiano James Rodríguez, em 2012, 2013 e 2014, respectivamente. Em 2015, foi a vez de Wendell Lira. O malaio Mohd Faiz Subri foi o último vencedor.

*Texto adaptado de "Prêmio de gol mais bonito revive mito Puskas, que morreu há 10 anos", publicado originalmente em 17/11/2016.

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