Cartola de nanico, fã do Boca, amigo do presidente e sogro poderoso: veja quem tem missão de salvar futebol argentino

Antônio Strini, do ESPN.com.br
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Claudio Tapia (2º da dir. à esq.) durante a assembleia que o elegeu presidente da AFA
Claudio Tapia na assembleia que o elegeu presidente da AFA; à esquerda, seu sogro

Na última quarta-feira, Claudio "Chiqui" Fabián Tapia, de 49 anos, foi aclamado como novo presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA).

Ele terá como objetivo reerguer uma entidade que sofreu uma intervenção - escondida no pomposo nome de comissão normalizadora - e costurar o próximo acordo televisivo após o fim do apoio estatal através do programa Fútbol Para Todos.

O agora chefão do futebol argentino nunca escondeu que ocupar esse cargo era um de seus sonhos. "Eu creio que qualquer um gostaria de presidente da AFA. Aquele que disser que não gostaria mente", afirmou em entrevista à rádio La Red em 2015.

Mas, afinal, quem é Claudio "Chiqui" Tapia?

Presidente de clube pequeno, Claudio Tapia é o novo presidente da AFA

Ainda jovem, atuou como atacante nas divisões de base do Club Atlético Barracas Central, clube do qual é o presidente desde 2001. Após abandonar precocemente os gramados, ele começou a trabalhar no sindicato dos caminhoneiros.

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Claudio Tapia após sua primeira entrevista coletiva como presidente da AFA
Claudio Tapia após primeira entrevista na AFA

Lá, conheceu Paola, filha de Hugo Moyano - o poderoso líder desse sindicato e hoje presidente do tradicional Independiente - com quem casou-se. Moyano esteve por trás de uma revolta no futebol local em 2016 que quase tirou a Argentina da Copa América e era um dos nomes citados para assumir a AFA agora.

Em 2000, Claudio Tapia foi chamado por um grupo de sócios para ajudar na reorganização do Barracas Central, afundado em dívidas. "Chiqui" assumiu a presidência do clube no ano seguinte e ajudou na reconstrução - hoje o time de Buenos Aires disputa a terceira divisão do Campeonato Argentino, e o estádio leva seu nome.

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Daniel Angelici, presidente do Boca Juniors, é o braço direito de Claudio Tapia
Daniel Angelici é o braço direito de 'Chiqui'

Antes de chegar ao sindicato dos caminhoneiros, Tapia trabalhou como varredor de rua na empresa Manliba, do grupo Macri, da família do atual presidente da República.

Até semana passada era o vice-presidente da Ceamse (responsável pelo recolhimento do lixo na região da capital) e possui uma boa relação com Mauricio Macri, estreitada quando o ex-presidente do Boca Juniors comandou Buenos Aires.

"Chiqui" Tapia, por sinal, é torcedor do clube xeneize e inclusive esteve entre os convidados de Carlitos Tevez no badalado casamento do final de 2016.

O novo presidente da AFA tem como "padrinho" o dirigente mais influente da história do futebol argentino, Julio Grondona. "O que eu sou, sou graças a Grondona. Não pode ser que existam dirigentes que estiveram muito tempo com ele e não tenham aprendido nada do número 1 do futebol", chegou a dizer ao site El Equipo.

Agora como homem-forte do futebol argentino, Claudio Tapia está rodeado por duas figuras que lhe são caras: o mandatário do seu Boca, Daniel Angelici, e o sogro Hugo Moyano, respectivamente primeiro e segundo vice-presidentes.

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E em sua primeira entrevista coletiva, "Chiqui" avisou: "O ciclo de Grondona acabou quando morreu. Não há possibilidade de que um só dirigente comande tudo".

Começando seu trabalho, Tapia terá sobre a mesa o futuro contrato dos direitos de transmissão do Campeonato Argentino - que deve ser dividido entre os grupos FOX e Turner - e a suspensão de quatro jogos imposta pela Fifa a Lionel Messi.

"A estratégia para o tema Messi é reconstruir a relação com a Fifa", reconheceu.

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