Discreto, passagem no Flamengo e inspirado pelo pai: quem é o goleiro que vai disputar posição com Bruno no Boa

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Boa Esporte/Divulgação
Luan Polli (à direita) é titular do gol do Boa Esporte
Luan Polli (à direita) é titular do gol do Boa Esporte

Luan Polli vive uma das melhores fases de sua carreira pelo Boa Esporte. Tratado como uma das maiores promessas do gol na base Figueirense e com passagem pelo Flamengo, ele conseguiu neste ano virar o titular e ter a sequência de jogos que tanto desejou.

Desde o meio do ano passado na equipe de Varginha, o goleiro ficou na reserva de Daniel na campanha do título da Série C do Campeonato Brasileiro. Com a saída do companheiro para o São Bernardo, ele ganhou a posição.

A contratação de Bruno, que cumpriu quase sete anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samúdio, porém, mexeu diretamente com a vida do jovem arqueiro.

"Para mim foi tranquilo. Já esperava a vinda de outro goleiro para cá porque estávamos em dois goleiros, independentemente de quem viesse. A repercussão foi muito grande por ter sido o Bruno, mas para mim é como outro qualquer. Ele está buscando o espaço dele como outro que viesse", disse Luan, ao ESPN.com.br.

Mas Bruno não é uma contratação qualquer. O Boa Esporte-MG perdeu patrocinadores, foi alvo de protestos e nunca esteve tão em evidência como agora.

Boa Esporte/Divulgação
Luan fez 10 jogos pelo Boa neste ano
Luan fez 10 jogos pelo Boa neste ano

Mesmo assim, o goleiro de 23 anos procura deixar tudo isso de lado para se concentrar apenas na disputa dentro de campo.

"Todo mundo já sabe a história que ele tem e que criou no futebol e a pessoa que ele é. É como disputar com outros goleiros como Kevin, que está aqui. Para mim é indiferente, preciso fazer meu trabalho e buscar meu espaço", garantiu.

O Boa Esporte sofreu apenas seis gols em nove partidas neste ano. É a segunda melhor defesa do Módulo II do Campeonato Mineiro. A equipe ocupa a terceira posição do Grupo B com 14 pontos, mas já está classificada para a segunda fase do torneio.

"Estou vivendo um bom momento na minha carreia. Estou jogando com mais frequência, algo que não tinha emplacado ainda. Sempre buscando meus objetivos e sonhos. Vim com o intuito de subir no Mineiro e fazer uma grande Série B do Brasileiro. Quem sabe com um acesso também", projetou o goleiro empresariado pela Sávio Soccer, empresa de Sávio, ex-jogador do Flamengo e do Real Madrid.

Fora de campo, Luan Polli faz o perfil mais discreto possível. Avesso a qualquer tipo de badalação, ele evita até mesmo a exposição em redes sociais.

"Eu sempre fui um cara bem frio e concentrado. Sou bem tranquilo. Fui com a minha noiva pra Varginha. Brinco, mas quando precisa trabalhar sou mais sério. Prefiro ser mais reservado e na minha. A imagem do atleta hoje em dia qualquer coisa que façamos de errado já vira uma história muito grande por menor que seja. Gosto mais de ficar em casa com a família e meu cachorro".

Vindo de uma família católica, ele procura ir à igreja quando sobra tempo.

"Tenho minha fé e sempre que posso vou à missa. Com a correria dos jogos nem sempre consigo. Mas nas férias e ou folga eu gosto de rezar um pouco e faço minhas orações. Acho que todos precisam ter fé, independentemente da religião, faz bem para o ser humano".

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  • Luan virou goleiro por causa do pai

Luan Polli Gomes é filho de 'Seu' Nevílson, um caminhoneiro que jogava como goleiro em times de várzea na cidade de Meleiro, em Santa Catarina. Com apenas quatro anos, o garoto perdeu o pai em um acidente automobilístico durante o trabalho. Mesmo assim, sua influência foi decisiva na escolha da futura carreira do garoto.

Arquivo Pessoal
Luan passou pelo Flamengo
Luan passou pelo Flamengo

"Eu tinha 8 anos e estava olhando a despensa num quarto lá de casa, em que a gente guardava coisas que não usava. Sempre fui muito curioso, ficava mexendo em tudo lá, e vi umas caixas e umas chuteiras. Perguntei para minha mãe o que era aquilo, e ela explicou que eram coisas do meu pai, que ele era goleiro na várzea", contou o arqueiro, em entrevista à Rádio ESPN, em 2015.

"Daí pedi para ela me colocar na escolinha, porque queria ser goleiro também, assim como meu pai. Antes, na escola, eu só jogava na linha, mas depois disso fiquei como goleiro direto. A partir deste dia, eu resolvi ser goleiro para homenageá-lo", prosseguiu.

O goleiro começou a carreira no Casa Lar-SC, com apenas 10 anos. Depois, foi para a base do Figueirense e foi emprestado para o Flamengo por dois anos.

No Rio de Janeiro, atuou pela equipe sub-20 rubro-negra e chegou até a atuar em um jogo do profissional (um empate por 2 a 2 com o Bangu, pelo Campeonato Carioca), com o técnico Dorival Jr.

Além disso, chamou atenção de agências de modelos e recebeu convites para trabalhar na área.

AV Assessoria
Luan foi revelado nas categorias de base do Figueirense
Luan foi revelado na base do Figueirense

"Quando morava no Rio, recebi convites para ser modelo, mas acabei não fazendo nenhum trabalho, só uns ensaios de fotos. Também me matriculei na faculdade, mas acabei desistindo depois que subi para o profissional, porque ia perder aulas", lembrou.

Depois, voltou ao Figueirense, clube no qual fez algumas partidas pelo profissional. Em busca de mais oportunidades, ele saiu do time catarinese no meio do ano passado.

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"Meu pai sempre foi a minha estrela. Onde ele estiver, deve estar muito feliz por tudo o que eu conquistei. Tudo o que faço é por ele também", emocionou-se o arqueiro.

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