Do esquema à marcação: o que Eduardo Baptista já mudou no Palmeiras de Cuca

Thiago Cara, do ESPN.com.br
Eduardo Baptista completa 1 mês a frente do Palmeiras; lembre mesmo momento de Cuca

"Toda receita que deu certo ano passado tem que ser incrementada". Desde sua apresentação no Palmeiras, Eduardo Baptista sempre foi cuidadoso ao falar sobre Cuca, campeão brasileiro em 2016. Bastou a primeira derrota na temporada, porém, para que começassem as críticas ao novo técnico.

O desconforto ficou um pouco maior depois que, em meio a um bombardeio de perguntas sobre o futebol abaixo do esperado contra o Ituano, o atacante Dudu, capitão do time com Baptista, deixou escapar que preferia que o time "continuasse como ganhou". Mas, afinal, quais são as diferenças?

Em menos de dois meses de trabalho, Baptista - ao menos ainda - não lidera nenhuma revolução no time alviverde, mas já começa a mostrar visões diferentes das que Cuca utilizou para montar seu Palmeiras e aplicá-las em 2017. O esquema tático, a forma de marcação e o próprio Dudu são exemplos.

  • Esquema tático

A princípio, a troca do 4-3-3 para o 4-1-4-1 parece ser a mudança mais drástica que Baptista promoveu em relação ao Palmeiras de Cuca. Mas não é necessariamente assim. Os números distintos, na verdade, só são assim no momento defensivo, com os extremos contando com a mesma liberdade para atacar.

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O próprio Baptista tentou ser didático em entrevista coletiva, explicando que a maior diferença entre os esquemas é a abordagem na marcação do lateral adversário. No 4-3-3, a incumbência de acompanhar o ataque rival pelo lado era, principalmente, dos volantes; enquanto, no seu 4-1-4-1, os atletas escalados como extremos na segunda linha de 4 só retornam até um ponto, depois, fica lateral com lateral.

Com Cuca, o meio-campo palmeirense teve variações, ora com jogadores com características mais defensivas (como Thiago Santos ou Arouca), ora com um armador (como Cleiton Xavier), mas sempre com Tchê Tchê e Moisés - dupla que, por sinal, o novo treinador ainda não pôde contar.

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"Não muda muito a forma que a gente vinha jogando. É bem parecido. A princípio, devo estar formando esta segunda linha de quatro. Vou ter liberdade para chegar, como com Cuca, vou ter meu papel de marcação", disse Moisés, um dos destaques do Palmeiras de 2016, mas que ainda não estreou em 2017.

  • Marcação
No Resenha ESPN, Vitor Hugo explicou diferença na marcação entre Cuca e Baptista

Quando perguntados sobre as diferenças entre Cuca e Baptista, muitos jogadores do Palmeiras citam a marcação. Em 2016, a equipe tinha uma abordagem individualizada; enquanto, agora, marca por setor. "Se a gente conseguir pegar o esquema que ele quer, vamos fazer grandes jogos", disse sobre o assunto o zagueiro Vitor Hugo, que também ainda não contou com seu companheiro Mina em 2017.

"É algo um pouco diferente do que vínhamos fazendo. Com o Cuca, a gente marcava um pouco mais junto; agora, fecha mais os espaços", disse Tchê Tchê, outro que fez grande temporada na campanha do título brasileiro, começou o ano com Baptista, mas se lesionou e passou a ser desfalque.

Tchê Tchê cita diferença de marcação com Cuca e Eduardo Baptista: 'Estamos nos adaptando bem'
  • Posicionamento

Chamou a atenção, em muitos torcedores palmeirenses, a atuação de Dudu pelo lado direito contra o Ituano, em extremo oposto em relação à posição que o consagrou na campanha do título brasileiro - que foi ocupado por Roger Guedes. O próprio jogador, porém, diz que foi apenas um teste.

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"Foi só um teste. O treinador está fazendo testes, me botou para jogar na direita. Temos de nos adaptar, temos de captar isso muito rápido para ajudar da melhor maneira possível. O torcedor me viu atuando mais pelo lado esquerdo, viu que deu resultado, saímos campeões. Mas tem de ter tranquilidade."

"Treinamos durante a semana, eu já havia jogado pelo lado direito, na seleção (brasileira, em amistoso contra a Colômbia) joguei. No ano passado também. Isso não é problema. Se tivesse ganho, estava tudo bem, tudo normal. Temos de nos adaptar ao que o treinador pedir. Se pedir pela direita, pelo meio, pela esquerda, vou ter de captar bem para melhorar", acrescentou Dudu, na última segunda-feira.

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  • Posse de bola

Nos dois jogos oficiais sob o comando de Baptista, o Palmeiras foi superior na posse de bola (62% contra o Botafogo e 56% contra o Ituano). Sozinhos, os números falam pouco, mas indicam um desejo de ter domínio de jogo, algo que o time de Cuca nem sempre priorizava - no segundo turno do Brasileiro, por exemplo, a média de posse alviverde foi exatamente 50%, por vezes, acima; por vezes, abaixo.

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Ainda assim, sem a bola, Baptista já enfatizou, mais de uma vez, que quer manter a pressão adiantada que o time de Cuca fazia. Com tempo, porém, quer implantar suas adaptações, é claro. "Essa pressão na bola que o Cuca conseguiu é muito boa, gosto dela, e vamos agregar algumas coisas", disse.

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