Estudo internacional mostra Brasil entre os países mais ineficientes na aplicação dos recursos destinados ao esporte

Diego Garcia e Rafael Valente, do ESPN.com.br
Prestações de contas que somam quase R$ 2 bilhões 'sumiram' do Ministério do Esporte; entenda

O Brasil está entre os países que mais repassam dinheiro público para as confederações esportivas, mas, ao mesmo tempo, é o mais ineficiente na aplicação do dinheiro. Essa é a conclusão do estudo "Successful Elite Sport Policies", realizado pelo consórcio Sport Policies Leanding to International Sporting Success (SPLISS), que é composto por pesquisadores da Austrália, Bélgica, Holanda e Reino Unido.

O estudo é mencionado em uma planilha que foi apresentada à reportagem pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que procurou a ESPN por causa da publicação do "Dossiê das Contas", em série que apontou R$ 1,8 bilhão sem prestações de contas no Ministério do Esporte, entre indícios de fraudes e privilégios.

Para chegar a essa conclusão, o estudo analisou nove bases: suporte financeiro; governança, estrutura e organização; participação e esporte de base; identificação e desenvolvimento de talentos; suporte para atletas e pós-carreira; instalações de treinamento; desenvolvimento e suporte para técnicos; competições; e pesquisa científica e inovação.

Para cada uma, foram utilizadas oito "notas" para indicar o nível de desenvolvimento do país. Cada "nota" foi representada por uma cor, sendo o vermelho para expressar o grau mais baixo e o verde escuro para designar o mais alto na escala.

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Estudo de estrangeiros mostra como Brasil desperdiça dinheiro do Esporte
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A média final do Brasil foi de 38%, o mais baixo em uma lista de 14 países analisados, além das regiões de Valônia e Flanders, na Bélgica. Apresentou índices abaixo da média em sete itens e somente em dois esteve acima: suporte financeiro, com 66%, e competições internacionais e nacionais, com 57%.

A conclusão aponta que, apesar do alto investimento de recursos públicos no esporte do país, ele não reflete no aprimoramento dos demais pilares analisados nem no desempenho dos atletas brasileiros em competições internacionais quando comparado com nações cujo suporte financeiro foi equivalente.

O país mais bem avaliado foi a Austrália, com média final de 64%, seguida pelo Japão e Coreia do Sul, ambos empatados com 62%, e pela França, com 60%.

O "Dossiê das Contas", série de reportagens das ESPN, apontou justamente fraudes e irregularidades entre milhares de prestações de contas de dinheiro público sem análise. Segundo relatório do TCU, R$ 1,8 bilhão está sem prestações de contas, em projetos esportivos via renúncia fiscal (Lei de Incentivo ao Esporte)

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