Auditoria aponta que 11 a cada 100 cartolas não fazem ideia do que se passa em suas confederações

Diego Garcia e Rafael Valente, do ESPN.com.br
ESPN.com.br

Em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) em cima das contas do Ministério do Esporte, está constatado que 11% dos cartolas não conhece o planejamento de suas próprias confederações.

A informação foi obtida em análise a relatórios do TCU, que entrou em contato com o ESPN.com.br por causa da publicação do Dossiê das Contas. As reportagens apontaram R$ 1,8 bilhão sem prestações de contas no Ministério do Esporte, entre indícios de fraudes e privilégios.

No relatório mencionado, datado de 2015 e feito em cima de monitoramento do Esporte de Alto Rendimento, após consulta a dirigentes de federações e confederações esportivas sobre a Rede Nacional de Centros de Treinamento, a TCU relata a sua percepção sobre o planejamento nas entidades olímpicas.

Em um gráfico, está a constatação de que 11% dos dirigentes consultados "não conhece o planejamento da (própria) confederação", em uma pesquisa em cima do alinhamento entre o planejamento da federação e o da respectiva confederação no desenvolvimento da modalidade.

Além disso, 44% de dirigentes de confederação e 51% dos cartolas de federação disseram que "o planejamento da entidade ainda é incipiente ou inexistente em termos de propostas para a estruturação, adequação ou modernização da rede nacional de centros de treinamento para a modalidade".

O Tribunal também declara que a necessidade de maior articulação entre entidades "também se mostrou evidente, visto que 38% dos dirigentes de federação consideraram como pouco alinhado os processos de planejamento entre sua entidade e a confederação que administra a modalidade em nível nacional".

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Gráfico mostra que 11% dos cartolas não conhece planejamento da própria confederação
Gráfico mostra que 11% dos cartolas não conhece planejamento da própria confederação

Em outra pesquisa, no que diz respeito a iniciativas destinadas a apoiar a escolarização ou profissionalização do atleta em uma carreira alternativa, a maioria dos dirigentes de confederações (67%) e de federações (57%) classificaram o planejamento da entidade nesse quesito como inexistente ou incipiente.

Em relação à disponibilidade de programas de treinamento, a situação mostrou-se mais crítica, com 76% das federações e 67% das confederações assinalando que inexiste planejamento com essa finalidade.

A mesma pesquisa feita pelo TCU sinaliza problemas na iniciação à prática esportiva e à detecção de talentos no Brasil. Em questionário aos atletas do país, foi perguntado se, na percepção deles, as pessoas que desejam iniciar a prática da modalidade têm acesso com facilidade a clubes, escolas ou centros de iniciação esportiva.

Para 31% dos entrevistados, esse acesso ocorre sempre ou frequentemente. Para 29% dos respondentes, não há sistema de iniciação estruturado para a sua modalidade. Para 36% dos respondentes, as ações, ainda que existentes, encontram-se pouco estruturadas.

  • DOSSIÊ DAS CONTAS

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