Natação usou dinheiro que deveria ser dos atletas para pagar jantares, comprar bebidas alcoólicas e sorvetes

Diego Garcia e Rafael Valente, do ESPN.com.br
Prestações de contas que somam quase R$ 2 bilhões 'sumiram' do Ministério do Esporte; entenda

Como já é de conhecimento público há tempos, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos é uma das entidades com maior número de problemas com as autoridades. Em um relatório do Tribunal de Contas da União do fim do ano passado, foi constatada até a utilização de recursos públicos de convênios que seriam destinados aos atletas para pagar jantares, comprar bebidas alcoólicas e sorvete.

O relatório do TCU mostra compra de vinhos no valor de US$ 36 (R$ 125) e E$ 97,50 (R$ 350), além de cervejas, também adquiridas em euros, o que não é permitido.

Até é concedido um valor denominado "verba contingencial para os convênios, no que seria espécie de suprimento de fundos para atendimento de despesas não previstas no plano de trabalho do ajuste, "que segundo consta do recibo de concessão não pode ser destinado a pagamento de despesas com chicletes, sorvetes, bebidas alcoólicas e cigarros", diz o TCU.

O limite para esses gastos é de R$ 10 mil, ou 10% do projeto, prevalecendo o menor.

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CBDA comprou bebidas alcoólicas com dinheiro de convênio
CBDA comprou bebidas alcoólicas com dinheiro de convênio

O relatório também descreve um jantar para a comissão técnica no valor de KUNA 1.882,00 (R$ 813,34); compra de cartões de memória, leitura e bateria no valor de US$ 145,67; carregador de bateria e mouse por US$ 130,48; comprovantes de refeições diversas, inclusive sorteves (US$ 7,14); chocolates e salgados (US$ 67,59); cujos gastos totais foram de R$ 22.182,93.

Ainda estão mencionados recibos de táxi (R$ 1.792,00); cabo HDMI classificado como reforço de alimentação (US$ 24,99); despesas diversas com bebidas, não alcoólicas, cafés, refrigerantes e energéticos, doces, salgados e batatas Pringles.

Estão somados aos itens adquiridos ilegalmente a compra de "material esportivo" (no caso, filmadora, cartão de memória e bolsa) por US$ 569; despesas com salgados, sorvetes, refrigerantes, cafés, cappuccinos, entre outros, no valor de R$ 2.059,15; cartão de memória classificado como reforço de alimentação (US$ 82,95), em total de despesas de alimentação que resultou em R$ 6.384,97.

A TCU ainda cita um mesmo comprovante para obter dois ressarcimentos, no valor de US$ 406,57 (R$ 1.134,33), e passagens executivas sem justificativas, apesar de os demais participantes estarem viajando de classe econômica, em dois eventos, em tickets utilizados por quatro pessoas, entre elas o diretor financeiro da CBDA, Sérgio Alvarenga. O custo foi de R$ 24.369,02, enquanto a econômica foi R$ 4.459,90 - "portanto resultando no pagamento maior de R$ 19.909,12", analisou o Tribunal.

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Cartolas com passagens executivos, e vistos chineses tem suspeita de superfaturamento
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Também foi constatado suposto superfaturamento na concessão de 19 vistos chineses para a equipe de polo aquático no valor de R$ 11.210,00. A pesquisa do TCU ao site da Embaixada da China mostra que cada visto custaria R$ 160, portanto o custo total seria de apenas R$ 3.060,00. A empresa que organizou esse ato foi a Agência Roxy de Turismo, que será mostrada mais abaixo.

"A classificação imprópria de materiais eletrônicos, como sendo reforço de alimentação, aquisição de bebidas alcoólicas, duplicidade nos lançamentos das despesas demonstram que o processo de prestação de contas está aquém do exigido para o trato com recursos públicos federais", analisou o Tribunal de Contas da União, que pediu ressarcimento nos valores.

O TCU ainda falou em "descontrole" e "falta de transparência".

"Ainda que a entidade consigne que os gastos acima dos valores normatizados para despesas contingenciais, bem como a emissão de recibos sem identificação do beneficiário sejam situações pontuais, assinalo que a ocorrência conjunta desses fatos evidencia o descontrole e falta de transparência na utilização de recursos públicos", diz o voto do Tribunal.

Procurada, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos não respondeu até a publicação da reportagem.

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TCU analisa gastos da CBDA em relatório do fim do ano passado
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