Boxe não possui comprovante de gastos de R$ 27,7 mil em dinheiro público e deixou de apresentar contratos

Diego Garcia e Rafael Valente, para o ESPN.com.br
Prestações de contas que somam quase R$ 2 bilhões 'sumiram' do Ministério do Esporte; entenda

Pela primeira vez na história das Olimpíadas, o Brasil teve um campeão de boxe. Foi com o baiano Robson Conceição na categoria peso leve (até 60 kg). Durante o cilco olímpico da Rio 2016, a Confederação Brasileira de Boxe (CBBOXE) firmou três convênios com o governo federal para aporte de dinheiro público. A soma deles correspondeu a um investimento de R$ 425.926,00. No entanto, dois deles tiveram problemas apontadas pela auditoria.

Em um convênio com valor final de R$ 138.750,00 em recursos públicos, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou falta de comprovante de gastos de R$ 27.750,00.

Firmado em 30 de dezembro de 2010 e com validade até 28 de fevereiro de 2011, esse convênio serviu para "a aquisição de três ringues de boxe e 15 sistemas eletrônicos de pontuação de boxe". No entanto, "do montante fiscalizado de R$ 138.750,00, foi identificado que não existe comprovação de aporte da contrapartida no valor de R$ 27.750,00".

A CGU listou outra incosistência no relatório final do convênio. Segundo o órgão, a documentação apresentada pela CBBOXE refere-se a um período maior do que aquele que fora firmado em convênio. Ainda apontou que parte dos instrumentos adquiridos não correspondeu ao itens listados na declaração de contrapartida.

Ao ser acionada pela CGU para prestar esclarecimentos, a CBBOXE não respondeu o questionamento, segundo consta no relatório final de auditoria.

ESPN.com.br
Boxe apresentou inconsistências em convênios com Ministério do Esporte, diz CGU
Boxe apresentou inconsistências em convênios com Ministério do Esporte, diz CGU

Um segundo convênio, este firmado em 2009, teve como objetivo final obter recursos para a participação da equipe brasileira no VI Campeonato Pan-Americano feminino de boxe.

O valor investido foi R$ 32.553,92, mas a conclusão da CGU apontou que a meta proposta não foi atingida de forma adequada, o que significa o não cumprimento do que foi proposto no plano de trabalho do convênio, que estava sob fiscalização do Ministério do Esporte.

Além disso, a CGU também apontou uma inconsistência nos documentos entregues para auditoria. Faltaram processos referentes às compras e contratações realizadas com os recursos do convênio; contratos firmados; relatórios de cumprimento do objeto do convênio; relatórios contábeis de despesas e pagamentos referentes ao repasse do Ministério do Esporte e à contrapartida da CBBOXE; documentação contábil e fiscal (notas fiscais, comprovantes de pagamento etc.) e extratos da conta bancária específica do convênio.

Ao ser interpelada pela CGU, a CBBOXE respondeu que um funcionário da confederação encaminhou toda a documentação para o endereço físico do Ministério do Esporte, sendo que as cópias foram arquivadas na sede da confederação, em São Paulo.

A justificativa dada pela CBBOXE para o erro foi que "naquele momento o Sistema de Prestação de Contas ainda não operava de forma digital". Na resposta ainda afirmou que as cópias deixadas na sede do órgão não tinham sido localizadas e por isso pediu um novo prazo para encaminhar a documentação ao Ministério do Esporte.

Apesar das inconsistências, os convênios do boxe não demonstraram prejuízo ao erário público.

ESPN.com.br
Boxe falhou na apresentação de documentos ao utilizar dinheiro público, diz CGU
Boxe falhou na apresentação de documentos ao utilizar dinheiro público, diz CGU
  • OUTRO LADO

Confira, a seguir, o lado oficial do Boxe sobre os relatórios:

"Considerando os termos da correspondência eletrônica encaminhada, temos a informar o que segue.
1. O convênio 704966, celebrado em 2009 para participação da equipe brasileira no VI Pan-Americano de Boxe Feminino, que se realizou na cidade de Guayaquil - Equador, foi avaliado pela CGU em 2014, cujo relatório apontou que não houve QUALQUER prejuízo ao erário público, conforme expressamente consignado no referido documento.
2. O convênio 748743, celebrado em 2010 para aquisição de ringue, sistema eletrônico de pontuação, luvas, sacos, protetores de cabeça e manopla, foi avaliado pela CGU em 2014, cujo relatório apontou que não houve QUALQUER prejuízo ao erário público, conforme expressamente consignado no referido documento.
Os esclarecimentos solicitados foram prestados à época e a Confederação Brasileira de Boxe permanece ao pronto dispor para quaisquer outros que se façam necessários, assim como para qualquer determinação encaminhada pelo citado Órgão.
Certos de ter dirimido eventuais dúvidas pertinentes aos assuntos em pauta, subscrevemo-nos com os protestos da mais alta estima e consideração.
Atenciosamente
Confederação Brasileira de Boxe"

  • DOSSIÊ DAS CONTAS

CLIQUE NOS LINKS E VEJA AS REPORTAGENS DA SÉRIE

Documentos indicam fraudes e R$ 1,8 bilhão sem prestações de contas

Tênis de Mesa bancou viagens de luxo a cartolas e deu calote no cartão de crédito

Ligações entre sócios de empresas e CBTM indicam fraudes em licitações

Confederação recebeu, mas não comprou R$ 300 mil em equipamentos aos atletas

Canoagem: dinheiro 'sumiu', e atletas ficaram sem caiaques, remos e equipamentos

CBHb contratou firma sem funcionários e cotou preços com empresa que não existia

Licitação para aviões do handebol teve três concorrentes: a mãe e os dois filhos

Confederação atrasou bolsas-atletas em mais de um ano e superfaturou hotéis

Ginástica teve equipamentos em galpão, pagamentos duplos e despesas fantasmas

No Ciclismo, mais de R$ 3 milhões anuais dos atletas são usados para servir cartolas

Natação usou dinheiro dos atletas para pagar jantares e comprar bebidas alcoólicas

COB utilizou R$ 3,6 milhões do esporte para agraciar cartolas durante o Rio 2016

TCU compara salários de cartolas do Atletismo com ganhos dos ministros do STF

Tiro com Arco não apresentou documentos originais e parcelou até notas fiscais

No golfe, atraso em execução de metas atrapalhou preparação de atletas olímpicos

Rugby efetuou pagamentos por equipamentos de musculação que nunca chegaram

Mesma empresa de turismo venceu 37 de 42 licitações na CBDA

Basquete não devolveu R$ 406 mil do convênio e superfaturou hotéis

CBV teve concorrentes com mesmo telefone e funcionários em empregos simultâneos

CGU aponta dezenas de falhas em contratos olímpicos de R$ 240 milhões do ME

Convênio foi realizado há nove anos, mas prestação de contas jamais apareceu

Confederação levou R$ 236 mi para investir no esporte, mas aplicou na poupança

Ministério do Esporte promete analisar contas pendentes até 2022

ESPN.com.br
Jogo Limpo - Por um esporte sem corrupção
Jogo Limpo - Por um esporte sem corrupção

CONTATO

Em setembro, a ESPN lançou um canal para fiscalizar e cobrar transparência no esporte. Queremos a contribuição dos leitores e telespectadores do canal para contar essas histórias. Se você tem alguma dica, de qualquer esporte, olímpico ou paralímpico, nos mande um e-mail para: jogolimpo@espn.com. A fonte será preservada sempre.

Comentários

Boxe não possui comprovante de gastos de R$ 27,7 mil em dinheiro público e deixou de apresentar contratos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.