Tênis de Mesa recebeu, mas não comprovou uso de R$ 300 mil para adquirir equipamentos e materiais aos atletas

Diego Garcia e Rafael Valente, do ESPN.com.br
Prestações de contas que somam quase R$ 2 bilhões 'sumiram' do Ministério do Esporte; entenda

As inconsistências em convênios do Tênis de Mesa não pararam em benesses a cartolas e indícios de fraudes em licitações. Aqueles que deveriam ter sido os principais beneficiados pelos projetos, os atletas, acabaram saindo no prejuízo.

Foi o que concluiu a Controladoria-Geral da União em seus relatórios de auditoria. Os arquivos da CGU apontaram que quase R$ 300 mil que deveriam ter sido destinado a equipamentos e materiais esportivos não possuem comprovantes, o que pode indicar a não aquisição desses itens.

Em uma primeira auditoria, a CGU apontou "ausência de comprovação de que tenham sido adquiridos materiais esportivos previstos no Plano de Trabalho, com potencial prejuízo de R$ 111.144,00".

Entre os equipamentos que deveriam ter sido comprados estavam 22 raquetes, 528 borrachas para raquete, 528 camisas de treinamento, 264 shorts, 88 tênis, 528 pares de meias, 44 bolsas, 44 agasalhos e 44 jaquetas impermeáveis.

As raquetes e borrachas foram adquiridas, mas o restante dos itens previstos não se sabe, já que não existe nada que comprove a compra dos mesmos, segundo a CGU. A CBTM afirmou, em 2015, que havia adquirido e comprado os materiais, inclusive enviando fotos deles.

Contudo, no meio do ano passado a CGU constatou que ainda não existia nenhum comprovante sobre as compras. E ainda apontou suspeita de fraude: "cabe ressaltar que as fotos informadas na manifestação do presidente da CBTM são as mesmas inseridas no SICONV nos registros de outro convênio".

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Auditoria aponta que materiais não foram adquiridos, e ainda mostra 'fraude' de cartola
Auditoria aponta que materiais não foram adquiridos, e ainda mostra 'fraude' de cartola

Um segundo convênio apresenta a mesma inconsistência na compra de materiais esportivos que seriam destinados aos atletas, desta vez no valor de R$ 182.052,00.

"Foi realizada uma comparação entre os itens constantes no Termo de Referência, principalmente no que diz respeito à aquisição de equipamentos e material esportivo para o atletas, e os comprovantes de aquisição disponibilizados pela CBTM.

Durante a análise, não foram encontrados comprovantes de aquisição de alguns equipamentos e materiais esportivos", disse o Ministério da Transparência.

Entre os equipamentos estão quatro mix de exercícios de musculação, quatro handbikes, duas balanças antropométricas, duas filmadoras digitais, 360 camisas de treinos, 180 shorts, 60 tênis, 360 pares de meias, 30 bolsas, 360 toalhas, 30 agasalhos e 30 jaquetas impermeáveis, que seriam utilizados por atletas olímpicos e paralímpicos.

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CBTM não adquiriu equipamentos que seriam destinados aos atletas
CBTM não adquiriu equipamentos que seriam destinados aos atletas

Em resposta, a CBTM disse à CGU que não adquiriu os equipamentos de musculação e disponibilizou fotos das roupas no SICONV. No entanto, a Controladoria rebateu que as fotos eram as mesmas apresentadas em outro convênio.

"Sendo assim, considera-se um potencial prejuízo de R$ 182.052,00, uma vez que os equipamentos esportivos não foram adquiridos, a aquisição do material esportivo não foi comprovada por meio de documentos fiscais, e os recursos referentes à aquisição destes itens não foram devolvidos ao concedente e ainda forma solicitados novos recursos", disse o Ministério da Transparência.

A CBTM foi procurada desde a semana passada para comentar as informações desta reportagem, mas não respondeu à reportagem até a publicação.

OUTRO LADO

Após a publicação das reportagens, a CBTM entrou em contato com a reportagem e enviou sua resposta às informações publicadas.

Segue, abaixo, na íntegra:

"A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), por meio desta nota oficial, informa, primeiramente, que não foi procurada pela equipe de reportagem da ESPN, nem por meios diretos e nem pela assessoria de imprensa, diferentemente do que foi publicado nas matérias vinculadas nesta terça-feira (24). A ESPN já havia procurado a CBTM, em outubro do ano passado, para esclarecimentos quanto à outra reportagem, e todas as respostas foram devidamente enviadas a tempo de serem publicadas.

É importante ressaltar que todos os quesitos apontados pela Controladoria Geral da União (CGU) em relatório tiveram as devidas respostas enviadas ao Ministério do Esporte, que está analisando todas elas.

Ainda é bom esclarecer os seguintes pontos:

1) A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) enviou profissionais para acompanhar e participar de diversas competições internacionais, como coordenadores de delegação e árbitros, por exemplo. Posteriormente, houve o entendimento de que as despesas de alguns destes não eram cobertas pelo Convênio. Sendo assim, a CBTM se comprometeu a pagar tais quantias, restituindo integralmente o valor gasto para a conta específica do convênio até a prestação de contas final, conforme determina a legislação vigente dos convênios.

2) Em relação aos uniformes, por uma questão de economia, foi feito apenas um processo de importação, uma vez que a empresa fornecedora do material esportivo para o Convênio nº 777876/2012 e para o Convênio nº 776484/2016 é a mesma (Tibhar), gerando apenas um comprovante de aquisição. No momento em que tais peças chegaram aos depósitos da CBTM, foram feitas as imagens para comprovação do recebimento e toda a documentação comprobatória foi inserida no sistema do Governo Federal. Houve, inclusive, uma inspeção in loco, que constatou a aquisição de todo o material e uso do mesmo pelos atletas.

3) Referente ao Processo de Licitação da assessoria contábil, a CBTM reforça que buscou realizar os procedimentos licitatórios de forma transparente e adotar os moldes adequados à Lei 8.666/93, considerando que a empresa contratada para prestar serviços, de acordo com o valor aprovado no plano de trabalho, foi a de menor preço global das três propostas apresentadas".

NOTA DA REDAÇÃO: A reportagem da ESPN procurou, sim, a CBTM para responder as informações publicadas, em três e-mails enviados nos dias 17, 18 e 20 de janeiro. As mensagens foram enviadas diretamente ao cbtm@cbtm.org.br. A reportagem ainda possui todos os e-mails e, se for eventualmente necessário, pode comprovar que tentou resposta da CBTM com uma semana de antecedência com relação à publicação das matérias.

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Conclusão de auditorias da CGU apontam materiais não comprados pela CBTM
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