Virou pesadelo: Brasileiros vão à Alemanha, dizem ter sido enganados e passam apuros

Diego Garcia, do ESPN.com.br**
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Que criança brasileira não sonhou em ser um jogador de futebol?

Pois, em alguns casos, o sonho virou pesadelo. É a situação de atletas que decidiram se aventurar no futebol alemão, após contato com o empresário Jose Nildo da Silva Júnior, 26 anos, que se apresenta como jogador do Hertha Berlin e, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, menciona ser representante de clubes do primeiro escalão germânico.

Tais jogadores juntam um dinheiro que não têm e pagam ao agente por sua ajuda - em alguns casos, a quantia chegou a R$ 30 mil, de acordo com os relatos -, com a promessa de contrato assinado, salário, casa e comida. Os atletas, então, deixam suas famílias para trás e partem à Alemanha, mas as coisas não saem exatamente como o prometido.

Acabam confinados em um apartamento com vários desconhecidos, em um país estranho, dormindo embaixo de pias e passando dificuldades. Alguns, mesmo com filho pequeno no Brasil, sequer conseguem voltar. Agora, jogam de forma amadora em uma equipe da oitava divisão sem salários e apontam que, se não fosse a ajuda do presidente do clube, poderiam estar passando fome. O cartola lhes arrumou estudo, visto de um ano e deu uma pequena ajuda financeira para que os futebolistas possam enviar à família que ficou no Brasil.

A reportagem conversou com cinco atletas que se dizem enganados por Nildo. E relata as acusações abaixo, na íntegra. Todas estão gravadas. Os nomes das vítimas foram preservados, pois elas temem retaliações pelas denúncias, já que estão em um país estranho em que sequer falam o idioma local. Assim, as nomenclaturas mais abaixo são fictícias, assim como valores e locais também foram mudados para preservar a identidade das vítimas.*.

  • OS DEPOIMENTOS

DANIEL*

"Sou de família humilde, pobre, tenho família, pago aluguel, não tenho casa própria e passo por muitas dificuldades. Passo por situações difíceis, como todo brasileiro. Conheci um amigo em uma empresa que eu trabalhava e ele me apresentou o Nildo, que tinha uma empresa com um projeto aqui na Alemanha. Ele queria jogadores amadores cobrando uma taxa para vir para cá fazer avaliações, com transporte, casa e alimentação. Então, resolvi investir o pouco dinheiro que guardei em três anos de trabalho em uma empresa para vir para cá. Ele me prometeu um clube em Berlim. Se eu depositasse R$ 6 mil na conta dele eu viria com contrato assinado de uma temporada para jogar a quarta divisão, com salário de 1000 euros por mês mais casa e alimentação. Resolvi então vir para cá abraçar essa oportunidade.

Cheguei aqui em junho. Só que quando eu cheguei aqui não era nada disso. O Nildo foi me buscar no aeroporto, mas demorou duas horas para chegar lá. Eu saltei na Alemanha e não sabia falar e nem nada, Deus me trouxe até Berlim e me buscou lá depois de duas horas. Achei até que era golpe. Mas ele me buscou e me colocou para dormir no apartamento dele. O dinheiro que eu depositei para treino e avaliação, acomodação, era mentira. Ficamos eu e mais cinco caras que nunca tinha visto na casa dele, em um apartamento de duas camas, eu dormi no sofá e outros meninos no chão. E os R$ 6 mil que eu depositei ele disse que eu já vinha com o contrato assinado em Berlim. Chegou lá, tive que fazer avaliação em Berlim, então ele me enganou. Fiz avaliação e passei com meu esforço, meus méritos.

Ele nos mandou para um time da oitava divisão fazer avaliação. Só que ele dizia que era da quarta divisão, e, como não falo alemão, acreditava. Mas depois descobrimos que o time, na verdade, é da oitava divisão. Mas graças a Deus o clube ofereceu casa e alimento e está regularizando a nossa situação, o nosso visto na Alemanha. O presidente nos acolheu muito bem aqui, ele é muito bacana, humilde e sincero.

Mas o cara do projeto, o Nildo, é um fanfarrão e trambiqueiro de mão cheia, ilude jogadores no Brasil com promessa de vir com tudo assinado, o cara faz esforço e quando chega aqui não é nada disso. Para ganhar um dinheirinho aqui só com ajuda dos outros, pois jogamos sem salário nenhum. É mais ou menos isso que está acontecendo aqui. Meu pai e minha mãe não sabem dessa situação, eles sofrem de problema de saúde e não quero preocupá-los com isso. Se não é o presidente para acolher a gente aqui... Ele conseguiu visto de um ano e escola para nós, deu uma ajuda para mandarmos alguma coisa ao Brasil para a nossa família. Se não é o presidente do clube, estaríamos passando fome.

Estamos aqui em nove brasileiros, seis estão regularizados, tudo certo com o visto e tudo, dando continuidade. Tem também um albanês de 16 anos. O Nildo liga toda semana para o pai do moleque pedindo dinheiro, extorquindo ele. Os meninos brasileiros depositaram R$ 6 mil. No meu caso, ele prometeu contrato assinado, por isso foi R$ 12 mil. Ele fala que o projeto dele dura um mês. Deposita tanto, é um mês. Se não der certo, volta para o Brasil. Agradece e diz que já deu a cota.

Se não fosse o presidente do clube que eu estou hoje fazer tudo isso por nós, estaríamos na sarjeta, passando necessidade, passando fome, frio. Largados. O Nildo, como fala alemão, conversa bem e deixa a gente fica boiando. Diz só que o alemão falou isso, isso e isso. Se não fosse o presidente aqui, estaríamos passando fome e dificuldades".

ALEXANDRE*

"Meu nome é ALEXANDRE* e conheci o Nildo por meio de um amigo, que veio para a Alemanha por ele. Um amigo disse que o Nildo ia levar amigos para a Alemanha e cobrava uma taxa. Eu já tinha parado de jogar futebol profissionalmente, tinha desistido, e me reacendeu a chama de tentar de novo, você sabe como é o sonho. Não perdi a esperança e resolvi voltar a jogar futebol. Deus me fez voltar a sonhar. Comecei a conversar com o Nildo por Whatsapp e ele me disse que eu tinha que depositar 1,8 mil euros na conta dele. Depois, ele me falou que era para depositar 600 euros na conta dele e trazer mais 1,2 mil euros em mãos. E ele me disse que eu tinha um mês para acertar com algum clube e o dinheiro que eu dei a ele, ele disse que era para alimentação, transporte e moradia. Aí eu vim para cá.

Quando eu cheguei, o Nildo me buscou no aeroporto e me levou para um hostel. Ficamos lá por um mês. Era em Berlim. Depois, levou para fazer a avaliação no time que estamos hoje e disse que era um time da quarta divisão, que esse era bem estruturado. Fui muito bem na avaliação e passei de cara. Ele disse que o clube ia dar salário, casa e alimentação, nada disso aconteceu.

Você sabe que a gente não é besta. Quando percebi algo errado, mexi os pauzinhos, conversei com amigos alemães que fiz aqui e descobri que o time era da oitava divisão pelo Google Tradutor. Descobri que o time não pagava salário e que tudo o que ele me falava era uma farsa. Ele mentiu para a gente, hoje em dia temos que trabalhar fora e não recebemos nada do clube. Graças a Deus o presidente do clube nos apoiou e deu visto de estudante, nos abraçou, deu moradia e falou que o clube não pagava pois é um time pequeno. E ele iria gastar dinheiro com o nosso curso de alemão, mas ele nos daria um trabalho para ganharmos nosso dinheiro.

Então, tudo o que o Nildo falou foi tudo mentira e descobri que o dinheiro que enviei para ele poderia me manter aqui por três ou quatro meses. Existem situações piores que a minha, gente que deu muito mais que eu. E hoje temos que trabalhar e mandar dinheiro para casa. Graças a Deus conseguimos mandar um dinheiro para casa, vamos tentar visitar nossa família agora em dezembro também, passar as férias lá e voltar para cá. Ele nos prometeu também que o clube ia dar casa, alimentação e salário. A sorte é que o presidente gostou muito da gente, somos bons jogadores e ainda não perdemos um jogo na oitava divisão. O presidente falou: 'Vou dar a casa aos meninos e dou trabalho'. Nos dão moradia e trabalho. Alimentação é conosco, o resto é tudo com a gente.

O Nildo nos prometeu tudo isso, alimentação, casa e salário. E não cumpriu nada. Eu fiz uma correria louca para conseguir esse dinheiro, fiz muita dívida no Brasil, alguns familiares e amigos me ajudaram. O que a gente quer é que se faça justiça. Assim como ele fez com a gente, vai brincar com o sonho de muitos meninos. Eu sei o quanto dói, o quanto machuca frustrar um sonho de uma pessoa desse jeito. Minha família não sabe, eu preferi não contar o que está acontecendo, só a minha noiva sabe. Só abri o jogo com ela. Se não fosse o presidente do clube aqui, nossa situação estaria muito dificil, porque nós não iríamos ter dinheiro nem para voltar para casa. Pois a nossa passagem foi comprada com volta para um mês e acabamos perdendo. Foi Deus que nos ajudou e nos ajuda até hoje".

JEAN*

"Eu vim para a Alemanha por causa da promessa desse picareta aí. E cheguei aqui não foi nada do que ele me falou. Mas o meu problema aqui com ele já está resolvido, ele vai devolver meu dinheiro. Eu depositei R$ 6 mil na conta dele. Ele falou que ia me levar em uns cinco times aqui da Alemanha de terceira e quarta divisão e não cumpriu com a palavra dele. Mas ele se deu mal comigo, porque não sou moleque. E ele vai devolver meu dinheiro.
Picareta, fica iludindo jogadores. Cheguei aqui, meu amigo que foi me buscar no aeroporto.

Cheguei no apartamento tinham cinco caras morando aqui. dois no chão, dois na cama de casal e um na cama de solteiro. Falei para o Nildo que ia colocar ele na cadeia e na mídia, que ele é criminoso, estelionatário e fica iludindo jogadores, que eu ia desmascará-lo. Então falei para ele que se ele ele não me devolver meu dinheiro eu ia no consulado e na polícia federal. E ia bater lá no treino dele e na casa dele com a polícia, entendeu, e ia desmascara a pilantragem dele.

Hoje eu estou no apartamento do projeto dele. Tem um albanês de 16 anos que dorme no chão. Todo mês ele liga para o pai do moleque e pede dinheiro. Ele está brincando com nosso sonho de ser jogador. Ele tem 26 anos só e não sabe da gravidade que ele está se metendo irmão, brincando com sonho de jogadores. E tem esse projeto de trazer jogadores do Brasil para Alemanha enganando jogador. Então é como te falei, o meu dinheiro ele vai devolver irmão, tenho meu nome a zelar na minha quebrada, entendeu? Tem dois caras aqui que o empresário deles depositou R$ 30 mil para esse picareta. Ele falou que os moleques já iam vir com o contrato assinado para a Alemanha. Para você ver como ele é picareta e 'um sete um'".

DIOGO*

"É o seguinte: estamos passando um processo muito difícil aque na Alemanha, encontramos um rapaz muito safado, com muitas mentiras e brincando com sonhos de muitas pessoas. Fui enganado com muitas promessas, não só eu como também várias pessoas foram. Queremos justiça contra a vida dessa pessoa, ele (Nildo) está há sete anos na Alemanha fazendo isso com jogadores, brincando com vários sonhos de pessoas. Estamos indignados com tudo isso. Há pouco tempo cheguei na Alemanha e estou passando uns processo difícil nesse projeto desse indivíduo, com muitas mentiras. E antes de eu chegar na Alemanha ele teve uma conversa com meu empresário dizendo que teria todo apoio dele e tudo mais, quando eu cheguei não encontrei isso.

Cheguei em Berlim e não tinha niguem me esperando. Eu fiquei sem niguem por lá e Deus me ajudou a chegar em Berlim sozinho, sem falar alemão, e quando cheguei na casa do projeto não gostei de nada, porque tudo que ele disse para meu empresário era tudo mentira. A casa super humilde, uma grande mentira. Ele disse que eu vinha jogar em um clube, no Viktoria Berlim, quando eu cheguei fui para outro lugar que não gostei, então já começou muito mal. Quando eu cheguei eu me decepcionei com tudo. Não estava acreditando no que eu estava vendo.

E ele continua mentindo, dizendo que tem contatos em times grandes e tudo mais. Ele disse que eu iria assinar um contrato com o Viktoria Berlim, quu seria emprestado a esse time aí. Eu nunca fui nesse Viktoria Berlim, irmão, como posso ser emprestado? Tudo mentiras. Agora, eu estou em uma casa com quatro pessoas. Um lugar muito pequeno de viver. Fazemos nossas comidas nós mesmos. Essa casa aonde eu estou é alugada para ele, do projeto dele. Foi meu empresário que depositou esse dinheiro. Ele ficou muito decepcionado com tudo isso. Por que ele esperava um retorno muito grande. É nada aconteceu do que ele prometeu para ele. Tudo mentira".

GUILHERME*

"Meu caso é parecido com o do DIOGO*. Somos do mesmo empresário, ficamos sabendo desse projeto dele e nosso empresário mandou a gente para cá. Mas nada foi do jeito que ele falou. Casa, alimentação, clube, não foi nada do que foi prometido para nós, quando estávamos no Brasil. Aí, chegamos aqui e ficamos em cinco pessoas no apartamento, que não tem estrutura nenhuma. O apartamento é um ovo. Eu e DIOGO* dormimos na cozinha, tudo imundo, sem base nenhuma. Um albanês de 16 anos, menor ainda, dorme no chão. O que o DIOGO* te passou é mais ou menos igual. Eu vim para fazer testes, fiquei uma semana aqui e passei no teste e tudo, aí ele arrumou um time, tal de Magdeburg, que nem sabe da minha contratação.

É complicado, muito ponto de interrogação na história desse cara. Ele é bom de conversa. Um menino veio e com dois dias foi embora depois de ver como era. A situação é precária aqui, o apartamento é para um casal no máximo, mas ficamos em cinco. A gente dorme na cozinha, cheio de fritura. Tenho fotos do projeto aqui e provo que ele ilude. Ele promete uma casa que eu nunca vi, é totalmente diferente do que estamos vivendo aqui. Vai fazer um mês que estou aqui. Não conheci nada desse Magdeburg ainda. Ele disse que me reuniria com o presidente desse Magdeburg aí. Eles não viram nem eu e nem o DIOGO* jogando e assinaram contrato, achei estranho. Agora, é isso aí.

Minha situação é a seguinte, ontem mesmo ele me falou, disse que estava esperando a minha liberação para eu me mudar ao apartamento desse Magdeburg. Vai saber se é isso mesmo. Esse time é da terceira divisão. Ele cita Bayern de Munique, Viktoria Berlim, mas não tem nada disso. Citou até o Bayern de Munique, que se fizesse bom campeonato no sub-20 o treinador do Bayern ia avaliar. Estou sem treinar desde a semana passada, pois segundo ele eu acertei com esse time, estava treinando em outro time da cidade aqui, mas ele disse que o treinador me mandou embora e fiquei sem treinar. É muita contradição".

  • CASOS SÃO COMUNS

Procurado pela ESPN, o Ministério das Relações Exteriores informou ter elaborado e publicado uma cartilha com orientações e informações para o trabalho no exterior.

Há informações específicas sobre jogadores de futebol, inclusive, alertando para a atuação de empresários inescrupulosos, o que evidencia que tais casos são frequentes.

"Para evitar que o atleta tenha tempo de se informar melhor sobre o agente, o intermediário de má fé costuma dar um prazo bastante curto para a decisão, às vezes, umas poucas horas, alegando qualquer pretexto. Alguns jovens, entusiasmados com a oportunidade, aceitam viajar para o exterior sem uma pesquisa cuidadosa esse agente que o convida, sem assinar contrato e sem solicitar visto de trabalho ou negócios. Chegando ao exterior, são induzidos a iniciar as atividades profissionais sem visto de trabalho e a assinar contratos injustos", disse o Ministério.

São diversas recomendações feitas aos jogadores de futebol que desejam se aventurar no exterior, que envolvem desde dicas para lidar com agentes até a regras de transferências oficiais. O link para ler a cartilha, na íntegra, pode ser visto clicando aqui.

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  • DESCONHECIDO?

Citado pelos denunciantes como clube cujo ao qual Nildo diz ter contatos, o Viktoria Berlin enviou a seguinte resposta à reportagem: "Não temos conhecimento deste empresário de jogadores ao qual você se referiu. Não é algo de nosso conhecimento", afirmou a equipe, em resposta oficial. 

Bayern de Munique, Magdeburg e Hertha Berlin - este último é supostamente o time que o empresário diz jogar - também foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação.

A ESPN procurou registros de Jose Nildo como atleta do Hertha nas redes oficiais do clube na internet, mas nada foi encontrado. 

  • OUTRO LADO

A reportagem procurou o agente José Nildo da Silva Júnior para rebater as denúncias. O empresário, primeiro, disse que a reportagem não tinha autorização para publicar seu nome. 

Depois, o agente disse que "nunca nenhum jogador seu passou fome. Tinha um jogador que ia jogar no Viktoria Berlin, mas o nível apresentado era muito abaixo do esperado. Sempre teve casa quente para ele, comida e transporte para treino. Esse jogador não chegou a ir para o Viktoria Berlin, mas chegou a assinar com um outro clube tudo sobre a autorização do empresário. Outra coisa: nunca prometi salário a esse jogador. A situação foi dele jogar e com isso transferir ele depois, mas nunca garanti salário. O empresário do atleta me procurou e pediu o dinheiro de volta. Já que o a gente garantiu o Viktoria e ele não estava lá, nós acertamos de pagar em duas vezes. Já pagamos a primeira parte. E a segunda parte ficou para 15 de janeiro, finalizando o dinheiro de devolução. E nesses dois meses que ele ficou aqui, os gastos ficaram por conta do projeto. E todos os clubes que mandamos jogador temos um conhecido, jamais um jogador fica largado passando fome. É tanto que os que foram para as férias irão voltar. E sobre o apartamento, você pode morar em um palácio, mas se você não cuidar vira podridão. Igual carro novo, se não cuidar fica um lixo. A higiene parte de nós. Em nossas casas, se não lavar os pratos e deixar tudo largado fica podridão. Mas não é culpa dos pratos e sim de quem está morando".

Informado pela reportagem de que existia mais de uma denúncia, o empresário rebateu e mais uma vez veio dizer que não dava a autorização para a ESPN publicar uma reportagem sobre ele. "Não são seis pessoas (que fizeram denúncias à reportagem), é um grupo que envolve um jogador, na qual já tínhamos até pago uma parte e acertado de pagar a outra no mês seguinte". O agente está equivocado: foram cinco atletas distintos que conversaram com a publicação, além de uma sexta pessoa vinculada a um desses jogadores.

O agente, então, disse que ia falar com o presidente do time alemão da oitava divisão para conversar com a ESPN. "Quando ele souber disso, vai cair para trás", apontou. No entanto, sete minutos depois disse que o cartola "não deu autorização" para que seu contato fosse dado à ESPN Brasil

Pouco depois, pela terceira vez o empresário Jose Nildo da Silva Júnior declarou ao ESPN.com.br que a reportagem "não estava autorizada a falar dele", e que entraria novamente em contato em 15 de janeiro, após quitar a suposta dívida com o jogador citado acima. O projeto do agente no país germânico se chama Girf.

O clube em que os atletas atuam não terá seu nome divulgado a pedido dos atletas, que temem sofrer represálias, como serem mandados embora da equipe ou dos serviços remunerados que realizam em solo alemão. O presidente da agremiação também foi procurado pela reportagem, visualizou a mensagem no Whatsapp e não respondeu.

**Colaborou para esta reportagem o repórter André Donke, do ESPN.com.br

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