Jornal: Multa de US$ 25 mil e chance de ter avião apreendido podem ter feito piloto evitar reabastecimento

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Enquanto as autoridades investigam o acidente com o avião da Chapecoense, na última terça-feira, na Colômbia, o jornal El Tiempo estimou as causas que fizeram o piloto Miguel Quiroga, que também era sócio da empresa aérea LaMia, optar por não pousar para reabastecimento depois de decolar na Bolívia.

Por falta de combustível, a aeronave acabou caindo a poucos quilômetros do aeroporto em que pousaria, nas cercanias de Medellín, vitimando mais de 70 pessoas. Segundo órgãos oficiais, predominou a "mentalidade de empresário sobre o instinto de piloto".

De acordo com especialistas da FAA (Administração Federal de Aviação) dos Estados Unidos consultados pelo diário, US$ 5 mil (cerca de R$ 17,3 mil) teriam bastado à LaMia para cubrir o valor de uma parada técnica para reabastecimento na capital Bogotá.

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Seriam 20,6 mil libras de combustível no tanque, o que custaria US$ 4.827 (R$ 16,7 mil), já que o galão de querosene na Colômbia custa apenas US$ 1,57 (R$ 5,44). Com a taxa por uso do aeroporto e serviço em terra, o valor da parada técnica ficaria mesmo na casa de US$ 5 mil.

No entanto, esse não seria o único custo com o qual a LaMia teria que arcar, já que as autoridades suspeitam que o voo 2933 já entrou no país com nível de combustível abaixo do mínimo permitido. Com isso, assim que aterisasse em Bogotá, a empresa teria que arcar com uma multa de US$ 25 mil (R$ 86,6 mil).

Além disso, o avião possivelmente seria apreendido pelas autoridades.

Miguel Quiroga, porém, preferiu não parar na capital colombiana e tocar o voo direto até Medellín, mesmo com combustível contado. O querosene teria sido suficiente para pousar no aeroporto de Rionegro, como estava originalmente previsto, mas um avião da companhia Viva Colômbia pediu prioridade e pousou primeiro devido a problemas.

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Quando a aeronave da LaMia chegou a Rionegro, o outro avião havia recém pousado, e a pista estava passando por processo de limpeza preventiva, para garantir a segurança das aterrisagens seguintes. Com isso, Quiroga resolveu rodear o aeroporto enquanto esperava sua vez de pousar.

Às 21h41 locais, o piloto fez contato com a controladoria aérea, sobrevoando a 21 mil pés. Neste momento, pediu prioridade para aterrisar, mas a tripulação só declarou emergência por falta de combustível sete minutos depois. Essa declaração implicava que, assim que o avião pousasse, passaria por inspeção, novamente com risco de apreensão e multa.

Houve, então, sete minutos eternos, gravados na caixa preta, que mostram o desespero da tripulação e o esforço da controladora aérea Yaneth Molina para tentar encaminhar o avião à pista e também tentar evitar a colisão de outros voos que chegavam ao aeroporto. Depois, o silêncio total, sinal inequívoco do desastre.

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No último sábado, os corpos das vítimas da tragédia chegaram ao Brasil e foram velados na Arena Condá, em Chapecó, numa homenagem marcada pela emoção.

Miguel Quiroga, por sua vez, foi velado na cidade de Cobija, na fronteira com o Acre, no Brasil, onde nasceu. Em seu enterro, recebeu honras de herói.

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