Futebol bonito, títulos e solidariedade: por que o Atlético Nacional é o time de 2016

ESPN.com.br
Durante a homenagem à Chapecoense, torcida proporciona 'chuva de flores' no Atanasio Girardot

Dois mil e dezesseis ficará marcado como o ano do Atlético Nacional. O time colombiano ainda tem a disputa do Mundial de Clubes, no Japão, para finalizar a temporada, mas, mesmo que fracasse no torneio em solo japonês, a equipe já deixou marcas suficientes para ficar eternizada. O futebol bonito, os títulos e principalmente a solidariedade com a Chapecoense são os momentos que jamais serão esquecidos pelos fãs de esporte.

JOGO BONITO

O Atlético Nacional tem uma maneira muito alegre de atuar, com um futebol bastante ofensivo. Mas não é apenas a quantidade de gols (134 em 77 jogos) que chama a atenção.

A equipe pratica um jogo bastante moderno, técnico e competitivo, com muito toque de bola, quase nenhuma jogada aérea ou chutão, posse de bola e marcação alta o tempo todo. A intensidade é bem próxima ao que apresentam os clubes da elite mundial, guardada as proporções, afinal não há estrelas como Messi/Neymar, Cristiano Ronaldo etc.

O torneio no qual exibiu todo o seu potencial futebolístico foi a Copa Libertadores deste ano. Com toques rápidos, muitas vezes de 'primeira', a equipe encantou tanto na primeira fase como na fase mata-mata, até o título.

LUIS ACOSTA/AFP/Getty Images
Alejandro Guerra comemora gol Atético Nacional na Libertadores
Alejandro Guerra, também destaque do time, comemora gol Atético Nacional na Libertadores

Um dos jogos que ajuda a exemplificar isso ocorreu no Brasil. Diante do São Paulo, no Morumbi, o Atlético Nacional venceu por 2 a 0, com dois gols de Borja. Ambos os tentos foram construídos em jogadas bem trabalhadas no meio de campo, com intensa troca de passes, muita movimentação dos jogadores e sempre com a bola no chão.

Marlos Moreno, Davison Sánchez, Víctor Ibarbo, Jonathan Copete, Daniel Bocanegra e Alejandro Guerra são alguns dos nomes que encantaram durante a Libertadores.

Mas, após o torneio, muitos saíram. Casos de Marlos Moreno, que foi para o Manchester United e depois acabou sendo cedido ao La Coruña, Ibarbo, que está no Panathinaikos, Copete, no Santos, Davinson Sanchéz, no Ajax, e o talentoso meia Mejía, no Leon.

STR/AFP/Getty Images
Atlético Nacional avançou para as quartas de final da Copa Sul-Americana
Atlético Nacional avançou para as quartas de final da Copa Sul-Americana

PAPA-TÍTULOS

Não apenas o futebol arte que encanta. O Atlético Nacional também tem empilhado títulos nos últimos anos. Foi campeão colombiano em 2013, 2014 e 2015. Venceu a Copa da Colômbia de 2013 e chegou na final da Copa Sul-Americana de 2014.

Neste ano, a equipe faturou a Superliga da Colômbia, a Copa da Colômbia e a Copa Libertadores. Chegou a decisão da Copa Sul-Americana, está nas quartas de final do Campeonato Colombiano e vai disputar o Mundial a partir de 14 de dezembro. 

Dois mil e dezesseis já é o ano mais vitorioso da história do clube.

EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA
Torcida do Atlético Nacional na final da Copa Libertadores
Torcida do Atlético Nacional na final da Copa Libertadores

"VAMOS, VAMOS, CHAPE!"

Para muitos fãs de esporte, foi o gesto diante da Tragédia da Chapecoense, que perdeu 19 jogadores, 16 membros da comissão técnica e oito dirigentes na queda de avião, na madrugada da última terça-feira, que teve no total 71 mortes.

O clube catarinense estava se deslocando para a Colômbia para disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, quando ocorreu o acidente aéreo.

LUIS ACOSTA/AFP/Getty Images
Homenagens foram feitas às vítimas do desastre aéreo na última quarta-feira
Homenagens foram feitas às vítimas do desastre aéreo

Como gesto de solidariedade, a diretoria do Atlético Nacional ofereceu toda a ajuda possível à Chapecoense, pediu a Conmebol para declarar o clube brasileiro campeão da Copa Sul-Americana e, na noite de quarta-feira, uma horas do que estava previsto a partida, fez uma homenagem no estádio Atanásio Girardot.

A torcida lotou o local e levou velas em memória dos mortos. A noite começou com um minuto de silêncio. Depois a banda do exercíto colombiano executou os hinos da Colômbia e do Brasil, gesto que já emocionou muitos dos presentes.

Após a cerimônia, os jogadores do clube colombiano entraram em campo. Os nomes dos atletas da Chapecoense foram então anunciados no estádio, como se a equipes estivesse prestes a subir para o gramado e jogar. Também foram citados os nomes das demais vítimas da tragédia aérea, dos dirigentes, da comissão técnica, dos jornalistas e dos tripulantes, além dos dos seis sobreviventes.

Os torcedores jogaram flores brancas no gramado. Um helicóptero da Força Aérea fez o mesmo, mas com pétalas de rosas. Por fim, a Orquestra de Medellín encerrou a cerimônia, que teve um discurso para consolar os parentes das vítimas da tragédia.

Fizeram parte da homenagem os jogadores do Atlético Nacional, a diretoria do clube, representantes da federação colômbiana e do governo local e nacional. 

Veja o resumo da homenagem feita pelo Atlético Nacional à Chapecoense

Se dentro do estádio havia 45 mil pessoas, do lado de fora eram quase 60 mil prestando também homenagens para as vítimas do acidente.

Flores, faixas e até o grito "Vamos, vamos, Chape!", tão conhecido na Arena Condá, foi entoado pelas ruas de Medellín. Muitos torcedores recordaram da disputa da Copa Sul-Americana e com faixas mostraram seu desejo: "Essa Copa vai para o céu".

Reprodução / Facebook
Estádio Atanásio Girardot em homenagem à Chapecoense
Estádio Atanásio Girardot em homenagem à Chapecoense

Os acontecimentos repercutiram no mundo todo, como gesto de solidariedade e amizade. No final, novo pedido do Atlético Nacional para que a Conmebol aceite a sugestão e declare os brasileiros campeões da Copa Sul-Americana.

O clube declarou para o empresário brasileiro, Luiz Taveira, que, se a entidade máxima do futebol no continente não concordar, vão escalar um time sub-17 ou orientar aos jogadores do time profissional que fariam quantos gols contra necessitarem.

As homenagens foram o ponto mais alto de uma temporada histórica e que jamais será esquecida pelo Atlético Nacional, independentemente dos próximos resultados.

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