No inchaço da Libertadores, Conmebol prioriza dinheiro e esquece resultados

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RAUL ARBOLEDA/AFP/Getty Images
Libertadores terá mais vagas para as maiores economias sul-americanas
Libertadores terá mais vagas para as maiores economias sul-americanas

O inchaço promovido pela Conmebol na Copa Libertadores priorizou os países mais ricos e não necessariamente os que têm feito boas campanhas nos últimos anos, como o Paraguai. Foram presenteadas com mais vagas as confenderações das quatro maiores economias da América do Sul, casos de Brasil Argentina, Colômbia e Chile.

O Brasil terá sete vagas e não mais cinco na Libertadores, tornando-se assim o maior beneficiado do aumento de 38 para 44 participantes no torneio. A Argentina terá seis e não cinco, enquanto Colômbia e Chile passaram de três para quatro cada um.

Segundo dados da CIA (Agência Central de Inteligência, em tradução livre), a economia brasileira é a maior do continente sul-americano. Em 2015, o Brasil movimentou 1,773 trilhão de dólares, que convertidos correspondem a R$ 5,748 trilhões.

No mesmo período, a Argentina movimentou 585,6 bilhões de dólares, seguida pela Colômbia (293,2 billhões de dólares) e do Chile (240,2 bilhões de dólares).

O critério ignora o desempenho recente nas competições da Conmebol. No ranking da entidade, que avalia os times nos últimos dez anos, entre os dez primeiros há dois clubes do Uruguai (Peñarol, em terceiro, e Nacional, em quinto) e um do Paraguai (Olimpia, em sétimo). Mas esses países não tiveram aumento nas vagas. Continuam com três cada um.

Ampliando o olhar, considerando os 44 primeiros colocados (número da nova Libertadores), há dez times de Brasil e Argentina, cinco do Paraguai, quatro de Chile e quatro da Colômbia, três de Equador e Uruguai, dois de Bolívia e Peru e um de Venezuela.

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Ou seja, o Paraguai aparece a frente de dois países beneficiados com o aumento de vagas: Chile e Colômbia. Ficou um patamar abaixo, assim como o Uruguai, ao lado de países como Bolívia, Peru e Equador, que tem pouca ou nenhuma força no torneio.

Pelo ranking é possível ver também que a Argentina "saiu" perdendo em relação ao Brasil, já que ficou com uma vaga a menos do que o rival na próxima Libertadores.

Um detalhe importante é que o México, segunda maior economia dos países que disputama  Libertadores (1,144 trilhão de dólares), não foi contemplado. Continua com as três vagas. Além disso, membro da conferdação da América Central e do Norte e Caribe, os clubes mexicanos não fazem parte do ranking da Conmebol.

HABITANTES, NÃO ECONOMIA?

A justificativa da Conmebol para dar mais vagas aos brasileiros foi o número de habitantes do país. Assim explicou Alejandro Dominguez, presidente da entidade sul-americana.

"Houve um trabalho científico e analítico. A intenção é dar mais participação aos países que têm mais representatividade. No Brasil, teremos uma equipe para cada 42 milhões de habitantes. Relacionamos as equipes ao número de habitantes", disse à Fox Sports.

"Também temos que ver com critérios de mercado, porque a intenção é muito boa. A intenção é promover o futebol, organizar a Sul-Americana e a Libertadores, melhorar a qualidade dos torneios internacionais, mas sobretudo os locais para que possam surgir e serem jogados simultaneamente aos da Conmebol. Queremos arrecadar mais dinheiro para as equipes que participam", complementou Dominguez ao tratar das modificações.

VEJA AS MAIORES ECONÔMIAS DA AMÉRICA DO SUL

1 - Brasil - US$ 1,773 trilhão - De 5 para 7 vagas
2- México - US$ 1,144 trilhão - Continua com 3 vagas
3 - Argentina - US$ 585,6 bilhão - De 5 para 6 vagas
4 - Colômbia - US$ 293,2 bilhão - De 3 para 4 vagas
5 - Chile - US$ 240.2 bilhão - De 3 para 4 vagas
6 - Peru - US$ 192,1 bilhão - Continua com 3 vagas
7 - Equador - US$ 98.83 bilhão - Continua com 3 vagas
8 - Uruguai - US$ 53,79 bilhão - Continua com 3 vagas
9 - Bolívia - US$ 33,21 bilhão - Continua com 3 vagas
10 - Paraguai - US$ 28,08 bilhão - Continua 3 vagas
11 - Venezuela - US$ 239,6 bilhão - Continua 3 vagas

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