Erro no parto não a impediu de ser vaidosa, publicitária e agora medalhista de ouro no Rio

Thiago Cara, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Marcelo Regua/MPIX/CPB
Evani Calado conquistou medalha nas duplas mistas BC3 da bocha na Rio 2016
Evani Calado conquistou medalha nas duplas mistas BC3 da bocha na Rio 2016

Considerada um dos esportes mais inclusivos dos Jogos Paralímpicos, com atletas com os mais diferentes graus de limitações físicas, a bocha rendeu a primeira medalha de ouro ao Brasil nesta segunda-feira na Rio 2016 nas duplas mistas da categoria BC3. A conquista veio com vitória sobre a Coreia do Sul, por 5 a 2, na quadra 4 da Arena Carioca 2.

Uma das responsáveis pelo feito foi Evani Calado, 26 anos, que nasceu com paralisia cerebral por falta de oxigênio na hora do parto e se tornou uma publicitária para lá de vaidosa. A bocha? Bom, ela admite que não gostou muito quando conheceu, mas também não demorou a se apaixonar.

Essa história começa quando Evani ainda estava no colégio, em São Paulo, e um professor de educação física pediu para que a aluna pesquisasse sobre o esporte que a tornaria medalhista logo em sua primeira Paralimpíada - uma informação que, obviamente, ela jamais poderia saber.

A justificativa do docente para o pedido é que não poderia dar nota para Evani, cadeirante desde a infância, sem que ela praticasse algum esporte. Para passar de ano, a jovem precisou improvisar: jogou com um cano de PVC e bolinha de tênis. "Não me interessei muito", confessa.

Em 2010, porém, as coisas mudaram. Com 20 anos, Evani havia acabado de entrar na faculdade de publicidade e reencontrou o esporte que tem como objetivo lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bolinha branca. "Quando conheci mais a fundo, me apaixonei", recorda.

Marcelo Regua/MPIX/CPB
Evani e sua calheira Renata na Rio 2016
Evani e sua calheira Renata na Rio 2016

A bocha e a publicidade foram apenas algumas das formas que a atleta encontrou para não deixar que a cadeira de rodas limitasse também seus caminhos. Vaidosa, ela chegou, por exemplo, a criar um site com dicas de beleza para pessoas com deficiência, o "Looks e Makes sobre Rodas".

A iniciativa, ao lado da também cadeirante Talita Dornelas, não prosperou, por falta de tempo de ambas, mas não mudou sua preocupação com o visual. Em quadra, Evani está sempre cuidadosamente maquiada e, no Rio, a almofada de sua cadeira de rodas foi rosa.

Foi se maquiando, inclusive, que ela recebeu a notícia de sua primeira convocação para a seleção brasileira, ao lado de sua calheira Renata Santos da Silva - na BC3, os atletas têm as deficiências mais severas, e são os auxiliares quem posicionam a bola e a canaleta para o arremesso, sempre seguindo a orientação do competidor (eles, contudo, não podem se falar).

"É um laço muito forte que a gente tem. Ela precisa saber de cada movimento que quero fazer. No jogo, nem falo com ela, ela já sabe do que eu preciso", conta Evani, que conquistou a prata ao lado de Antonio Leme e Evelyn de Oliveira - dois são titulares e um reserva.

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