Bocha o tirou de barraca de salgadinho e o colocou ao lado do irmão na Paralimpíada

Thiago Cara, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Antonio Leme estreou nos Jogos Paralímpicos na bocha
Antonio Leme estreou nos Jogos Paralímpicos na bocha

"Esse cara está me zoando. Eu ser atleta?". Foi assim que Antonio Leme reagiu quando um professor de educação física da cidade de Jacareí, interior de São Paulo, o convidou a conhecer a bocha adaptada. Mal sabia ele que, dez anos depois, ele estaria estreando nos Jogos Paralímpicos.

A conversa em 2006 aconteceu quando Antonio vendia salgadinhos com sua cadeira de rodas. Quem conta é o irmão do atleta, Fernando Leme, que é também seu calheiro. "Mudou extraordinariamente para melhor a vida dele, ele nem imaginava que poderia competir."

"Ele sempre foi competitivo em casa. A gente jogava dama, xadrez, dominó... A gente é muito competitivo por criação. Aí aparece um esporte que ele pode competir nesse nível de desempenho, para a gente é uma coisa quase inexplicável", seguiu Fernando.

Antonio, ou Tó para os mais íntimos, é o capitão da dupla mista brasileira na categoria BC3, para atletas com deficiências muito severas - ele teve paralisia cerebral em decorrência da falta de oxigenação no cérebro durante o parto e tem dificuldades para se locomover e comunicar.

Em quadra, o papel de Fernando é auxiliar Antonio, posicionando a bola e a canaleta para o arremesso, sempre seguindo a orientação do atleta. Os dois, contudo, não podem se comunicar. Na verdade, o calheiro sequer pode observar o jogo acontecendo, sob risco de punição.

"O relacionamento calheiro-atleta é muito íntimo", diz Fernando, que fica o tempo todo com a mão no rosto. "Não quero que minha expressão ou deixe ele muito otimista ou o desanime. Então tento esconder minha expressão, meu nervosismo, para ele poder fazer o que tem que ser feito."

Hoje, Fernando fala com propriedade sobre a bocha, mas reconhece: em 2006, quando Antonio foi convidado para iniciar a competir, ninguém da família conhecia o esporte. Foi depois que o atleta começou a colher seus primeiros bons resultados que perceberam que a coisa era para valer.

"Foi tudo muito novo. No segundo ou terceiro ano, ele viu que tinha jeito para a coisa, foi se dedicando, investindo, contando com pessoas extraordinárias e pôde chegar onde chegou".

Antonio, dono de duas medalhas de bronze (individual e pares) nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015, nunca mais vendeu salgadinho e hoje vive somente da bocha.

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