Mais inclusão ou 'caos logístico': e se a Paralimpíada acontecesse junto com a Olimpíada?

Thiago Cara, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Getty
E se a Paralimpíada acontecesse junto com a Olimpíada?
E se a Paralimpíada acontecesse junto com a Olimpíada?

Passados 16 dias da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro volta a receber um grande evento esportivo a partir desta quarta-feira, com a abertura da Paralimpíada. Até 18 de setembro, serão 4350 atletas, de 178 países, em 528 disputas de medalhas.

As duas competições acontecem no mesmo ano desde 1960, mas foi apenas a partir de 1988 que Paralimpíadas e Olimpíadas passaram a ser realizadas sempre nas mesmas cidades-sedes, uma após a outra. E por que não juntas? O debate é amplo e tem prós e contras dos dois lados.

Contra ou a favor?

Em 2012, antes dos Jogos de Londres, a BBC divulgou resultados de uma pesquisa conduzida pela empresa GlobeScan, em que 47% dos entrevistados se mostravam favoráveis a unificação dos dois eventos. Para 43%, deviam seguir separados; e 10% não responderam ou não tinham opinião.

O levantamento foi realizado com 10.294 pessoas, em 19 países diferentes - o Brasil não estava incluído. Entre os países que demonstraram resultados contrários à integração, estavam potências olímpicas como China, Estados Unidos e Rússia - na Grã-Bretanha, houve empate técnico.

Outro levantamento, este feito pela empresa ComRes apenas com deficientes britânicos, mostrou 65% dos entrevistados favoráveis à união dos Jogos. Mais que isso: 42% não acreditavam que a Paralimpíada tivesse impacto positivo na opinião pública sobre as pessoas com deficiência.

"Os Jogos Paralímpicos, em sua forma atual, poderiam paradoxalmente gerar preconceito social contra as pessoas com deficiência", escreveu o pediatra italiano Carlo Bellieni, em artigo publicado na Sport Ethics and Phylosophy, da Sociedade Britânica de Filosofia do Esporte, em 2015.

Para ele, que defende a união dos eventos, a "separação parece ressaltar uma distância entre pessoas com e sem deficiências". "As pessoas com deficiências merecem um cuidado especial porque têm necessidades especiais, mas também merecem a normalidade", acrescenta.

'ESPN Body Issue': Allysa Seely fala sobre batalha diária contra doença rara no cérebro

Mais investimentos?

De volta à pesquisa da BBC, 64% dos norte-americanos entrevistados se mostraram contrários a integração. Os EUA lideram o quadro de medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 e também na Olimpíada do Rio, mas não costumam ter o mesmo sucesso nas Paralimpíadas.

Seria um dos impactos imediatos da união dos Jogos: para que um país conserve a condição de superpotência, seria necessário se sair bem tanto nas Olimpíadas, quanto nas Paralimpíadas. No caso dos EUA, a questão financeira parece estar no centro dessa discussão.

No ciclo dos Jogos de 2012, o comitê olímpico norte-americano (USOC em inglês) arrecadou quase US$ 852 milhões em quatro anos e apenas US$ 75 milhões foram direcionados para o esporte paralímpico. Desde então, os investimentos dos EUA têm crescido, mas o suficiente?

E os atletas?

Londres 2012 foi um marco para o esporte adaptado, com Oscar Pistorius correndo na Olimpíada mesmo sendo biamputado. Em 2016, o saltador alemão Markus Rehm, que não tem a perna direita, também tentou "unir o esporte" e competir com atletas sem deficiência no Rio.

A integração, porém, não é unanimidade entre atletas. Tanni Grey-Thompson, maior medalhista paralímpica britânica, já manifestou contrariedade à questão por acreditar que os "esportes paralímpicos sumiriam", sendo escolhidas apenas algumas disputas para integrar a Olimpíada.

"Se juntássemos os dois, teríamos 15 mil atletas. Precisaríamos de uma vila muito maior. Logisticamente, o evento levaria provavelmente cinco semanas para acontecer", pontua ainda Craig Spence, diretor de comunicações do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), ao "Business Insider".

Há chances de união?

"É realmente um problema logístico no momento, mas não sou totalmente contra a ideia, a princípio, dos Jogos acontecerem juntos". Foi assim que o presidente do CPI Philip Craven respondeu à questão em 2012. Segundo ele, porém, nada aconteceria antes de 2024.

Nenhuma mudança, contudo, deve ocorrer até 2032. Isso por que, no último mês de junho, os Comitês Olímpico e Paralímpico Internacionais, que são organismos separados, assinaram um termo de cooperação de longo prazo, sem fazer qualquer menção a uma integração.

No documento, as duas entidades se comprometem a aumentar a visibilidade e fortalecer a marca dos Jogos Paralímpicos e também garantir sua estabilidade financeira. "O memorando, basicamente, estende nossa cooperação até 2032, então nada deve mudar até lá", explica Spence.

Comentários

Mais inclusão ou 'caos logístico': e se a Paralimpíada acontecesse junto com a Olimpíada?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.