Conheça as modalidades e entenda como são classificados os atletas nas Paralimpíadas

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Cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 acontece nesta quarta-feira
Cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 acontece nesta quarta-feira

A dois dias da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, nesta quarta-feira, o quanto você conhece das modalidades que fazem parte do programa do evento? E tem alguma ideia de como os competidores são classificados, para que haja competição justa?

Pensando nisso, o ESPN.com.br traz um breve resumo dos 23 esportes que integram os Jogos e como funciona o sistema de classificação de atletas - que é diferente para cada uma das modalidades, com base em diferentes avaliações a que todos competidores são submetidos.

ATLETISMO

Quando? 8 a 18 de setembro
Onde? Engenhão e Forte de Copacabana (maratonas)

O programa de competições é parecido com o dos Jogos Olímpicos. Na pista, os atletas correm distâncias que variam de 100 a 5000 metros; e, no campo, acontecem as disputas de saltos, lançamentos e arremessos. No último dia do calendário de disputas, há as maratonas. Todas as provas são seguidas de um código, com uma letra - que dizem se a disputa acontece na pista (T, do inglês track) ou no campo (F, de field) - e um número, que indica o grau de deficiência do competidor:

- 11 a 13 - deficientes visuais
- 20 - deficientes intelectuais
- 31 a 34 - paralisia cerebral (cadeirantes)
- 35 a 38 - paralisia cerebral (andantes)
- 40 - anões
- 41 a 47 - amputados e outros
- 51 a 57 - competem em cadeiras de rodas (sequelas de poliomielite, lesões musculares e amputações)

A maratona é dividida em cinco categorias, sendo três classes masculinas (T12, T46 e T54) e duas femininas (T12 e T54).

BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS

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Basquete em cadeira de rodas acontece na Arena Carioca 1 e Arena Olímpica no Rio 2016
Basquete em cadeira de rodas acontece na Arena Carioca 1 e Arena Olímpica no Rio 2016

Quando? 8 a 17 de setembro
Onde? Arena Carioca 1 e Arena Olímpica

As dimensões da quadra, a altura da cesta e o tempo de partida são iguais ao basquete dos Jogos Olímpicos. Os atletas são classificados em oito classes diferentes (1/1,5/2/2,5/3/3,5/4 e 4,5), sendo que, quanto menor o número, mais significante é a limitação. Em quadra, as equipes não podem exceder a pontuação máxima de 14.

BOCHA

Quando? 10 a 16 de setembro
Onde? Arena Carioca 2

Há competições individuais, por equipes e duplas. O objetivo é lançar as bolas coloridas o mais perto possível da bola-alvo. Todos os atletas competem em cadeira de rodas, sendo divididos em quatro classes funcionais:
- BC1 - opção de auxílio de ajudantes, que podem estabilizar ou ajudar a cadeira do jogador e entregar a bola, quando pedido
- BC2 - não podem receber assistência
- BC3 - deficiências muito severas. Usam instrumento auxiliar, podendo ser ajudado por outra pessoa
- BC4 - outras deficiências severas, mas que não recebem assistência

CANOAGEM VELOCIDADE

Quando? 14 e 15 de setembro
Onde? Estádio da Lagoa

As provas são disputadas apenas com caiaques (K, do inglês kayak), na distância de 200m. São três eventos masculinos e três femininos, de acordo com as seguintes classes funcionais:
- KL1 - usa somente os braços na remada
- KL2 - usa troncos e braços na remada
- KL3 - usa braços, tronco e pernas na remada

CICLISMO DE ESTRADA E DE PISTA

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No ciclismo paralímpico, há provas em que os atletas impulsionam bicicletas com as mãos
No ciclismo paralímpico, há provas em que os atletas impulsionam bicicletas com as mãos

Quando? 8 a 11 (pista) e 14 a 17 (estrada) de setembro
Onde? Pontal (estrada) e Velódromo (pista)

A modalidade segue as regras da União Internacional de Ciclismo (UCI), apenas com algumas adaptações. Para cada tipo de deficiência, há uma bicileta específica. As quatro classificações funcionais estão ligadas ao modelo usado pelos atletas:
- H1 a H5 - atletas impulsionam a bicicleta adaptada (handbike) com os braçoes
- T1 e T2 - ciclistas com paralisia cerebral cuja deficiência impede de andar em uma bicicleta convencional (competem em triciclos)
- C1 a C5 - ateltas competem em bicicletas convencionais. Classes direcionadas a competidores com defiência físico-motora e amputados
- B - classe destinada aos deficientes visuais. As bicicletas são de dois lugares (tandem), e o ciclista da frente enxerga normalmente.

ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS

Quando? 12 a 16 de setembro
Onde? Arena Carioca 3

A modalidade segue as regras da Federação Internacional de Esgrima (FIE), com adaptações de acordo com as necessidades dos cadeirantes. São duas classes funcionais:
- A - atletas com mobilidade no tronco; amputados ou com limitação de movimento
- B - atletas com menor mobilidade no tronco e equilíbrio

FUTEBOL DE 5

Quando? 9 a 17 de setembro
Onde? Centro Olímpico de Tênis

O futebol de 5 é exclusivo para cegos nas Paralimpíadas. A única exceção é o goleiro, que tem visão normal, mas ele não pode ter participado de competições oficiais da Fifa nos últimos cinco anos para poder ser considerado apto para a modalidade. A bola tem guizos internos para que os jogadores consigam localizá-la, e os atletas também contam com a orientação de um chamador, que fica atrás do gol, auxiliando a direcionar os chutes.

FUTEBOL DE 7

Quando? 8 a 16 de setembro
Onde? Estádio de Deodoro

O futebol de 7 é praticado por atletas com paralisia cerebral. Os jogadores são classificados de acordo com o grau de comprometimento físico, em uma escala que vai de 5 a 8 - quanto menor a classe, maior a limitação. Cada equipe deve ter em campo pelo menos um atleta das classes 5 ou 6 e, no máximo, um da classe 8.

GOALBALL

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Goalball é uma modalidade desenvolvida para pessoas com deficiência visual
Goalball é uma modalidade desenvolvida para pessoas com deficiência visual

Quando? 8 a 16 de setembro
Onde? Arena do Futuro

Modalidade desenvolvida exclusivamente para pessoas com deficiência visual. A disputa acontece em uma quadra com as mesmas dimensões das de vôlei, com um gol de cada lado com a mesma largura (9m, com 1,30m de altura). Todos os jogadores são atacantes e defensores. Há três classificações funcionais (B1, B2 e B3), mas todos competem vendados, para que haja igualdade de condições.

HALTEROFILISMO

Quando? 8 a 14 de setembro
Onde? Riocentro - Pavilhão 2

É a única modalidade em que os atletas são classificados por peso corporal, assim como nos Jogos Olímpicos. A grande diferença é que os atletas competem deitados em um banco e executam o movimento que é conhecido como supino. São dez categorias masculinas e dez femininas.

HIPISMO

Quando? 11 a 16 de setembro
Onde? Centro Olímpico de Hipismo

A única disciplina do hipismo no programa é o Adestramento, com três provas: individual, estilo livre individual e competição por equipes. São cinco classes funcionais, sendo que, quanto menor o número, maior a deficiência:
- IA e IB - principalmente cadeirantes, atletas com pouco equilíbrio do tronco e/ou deficiência nos quatro membros ou sem equilíbrio do tronco e boas funções dos membros superiores
- II - principalmente cadeirantes ou pessoas com alto grau de deficiência motora no tronco, com boas funções dos membros superiores, além de atletas com alto grau de deficiência no braço e leve deficiência na perna ou grave deficiência unilateral
- III - normalmente os atletas conseguem se locomover sem auxílio. Têm deficiência moderada unilateral ou deficiência moderada nos quatro membros, e comprometimento severo do braço. Deficiência visual total ou severa
- IV - atletas com deficiência em um ou dois membros ou alguma deficiência visual

judô

Quando? 8 a 10 de setembro
Onde? Arena Carioca 3

A modalidade é disputada por atletas com deficiência visual, divididos em categorias de acordo com o peso corporal. O combate só é iniciado quando os atletas estão segurando o judogi um do outro. As classificações funcionais são três:
- B1 - cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância
- B2 - atletas com percepção de vultos
- B3 - atletas que conseguem definir imagens

natação

Daniel Zappe/MPIX/CPB
Daniel Dias é o maior medalhista brasileiro na história das Paralimpíadas
Daniel Dias é o maior medalhista brasileiro na história das Paralimpíadas

Quando? 8 a 17 de setembro
Onde? Estádio Aquático

O programa tem 29 provas, sendo 14 masculinas, 14 femininas e um revezamento misto. Os nados livre, costas e borboleta são indicados pela letra S; o peito por SB; e o medley, SM. Os nadadores são agrupados em 14 classes funcionais - quanto maior a deficiência, menor a classe:
- 1 a 10 - limitações físico-motoras
- 11 a 13 - deficientes visuais
- 14 - deficientes intelectuais

remo

Quando? 9 a 11 de setembro
Onde? Estádio da Lagoa

Todas as provas são disputadas em distâncias de 1000m, não importando a categoria. São três classificações funcionais:
- AS - para atletas com deficiência no tronco e nas pernas, cuja mobilidade se restringe aos ombros e aos braços. A competição é individual.
- TA - destinada a atletas que realizam movimentos com o tronco e os braços. A prova é realizada em duplas formadas por um homem e uma mulher.
- LTA - para atletas que usam as pernas, o tronco e os braços para a remada. Esta categoria inclui até duas pessoas com deficiência visual. A embarcação é ocupada por quatro integrantes, sendo dois homens e duas mulheres, além de um timoneiro, que pode ser do sexo feminino ou masculino e não precisa ser uma pessoa com deficiência.

RUGBY EM CADEIRA DE RODAS

Quando? 14 a 18 de setembro
Onde? Arena Carioca 1

Competem no esporte tanto homens e quanto mulheres (não há divisão de gênero) com tetraplegia ou deficiências nas quais as sequelas sejam similares. Os jogos acontecem em quadras, e objetivo é passar da linha do gol com as duas rodas da cadeira e a bola em mãos.

Os atletas são divididos em sete classes funcionais (0,5/1/1,5/2/2,5/3 e 3.5), de acordo com sua mobilidade e resquícios de movimentos. Quanto maior a motricidade, maior a nota. Os atletas com classificações mais baixas, jogam na defesa, e, os que possuem classificações mais altas, formam o ataque. A pontuação em quadra não pode ultrapassar oito pontos, mas, para cada mulher em quadra, mais 0,5 pode ser acrescentado ao limite de pontos da equipe - com duas mulheres jogando, por exemplo, a pontuação máxima pode ser 9.

TÊNIS DE MESA

Quando? 8 a 17 de setembro
Onde? Riocentro - Pavilhão 3

Com regras e dinâmica semelhantes às dos Jogos Olímpicos, a modalidade tem 11 classificações funcionais, sendo que o maior número indica uma deficiência menor:
- TT1 a TT5 - cadeirantes
- TT6 a TT10 - andantes
- TT11 - andantes com deficiência intelectual

TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS

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Tênis em cadeira de rodas será disputado entre os dias 9 e 16 de setembro no Rio
Tênis em cadeira de rodas será disputado entre os dias 9 e 16 de setembro no Rio

Quando? 9 a 16 de setembro
Onde? Centro Olímpico de Tênis

Para participar é preciso ser diagnosticado com deficiência locomotora. Ao contrário da modalidade olímpica, é permitido o segundo quique, e os atletas devem rebater antes do terceiro toque na quadra. São duas classificações funcionais:
- Aberta - atletas com deficiência motora, mas sem comprometimento de braços e mãos
- Quad - atletas com deficiência motora que afeta também os braços, dificultando o domínio da raquete e a movimentação da cadeira de rodas. Nesta classe, a disputa é mista.

TIRO COM ARCO

Quando? 11 a 17 de setembro
Onde? Sambódromo

Praticado por atletas com paralisia cerebral, paraplégicos, tetraplégicos, amputados, pessoas com doenças disfuncionais e progressivas e múltiplas deficiências. A disputa tem dinâmica idêntica à dos Jogos Olímpicos, com duas classes de eventos:
- Aberto: atletas com deficiência nas pernas e cadeirantes ou com deficiência de equilíbrio, atirando de pé ou sentado em um pequeno banco.
- W1: os atletas podem ter deficiência nas pernas e fazer uso de uma cadeira de rodas.

TIRO ESPORTIVO

Quando? 8 a 14 de setembro
Onde? Centro Olímpico de Tiro

Atletas com diferentes tipos de deficiência podem competir juntos em três classes:
- SH1 pistol - atletas com deficiência nos membros inferiores e/ou braço não usado para atirar
- SH1 rifle - atletas com deficiência nos membros inferiores
- SH2 rifle - atletas com deficiência nos membros superiores e que precisam de suporte para a arma, pois não conseguem segurá-la com os braços

TRIATLO

Quando? 10 e 11 de setembro
Onde? Forte de Copacabana

Modalidade estreia nos Jogos Paralímpicos no Rio e reproduzirá a prova olímpica, com ajustes nas distâncias: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida para atletas com diferentes deficiências.

Nas classes PT1 a PT4, competem atletas decorrentes de deficiências como carência de força muscular, deficiência nos membros, hipertonia, ataxia e/ou atetose, entre outras. Já na classe PT5 (apenas feminina), as atletas podem ser: totalmente ou parcialmente cegas - um guia de mesma nacionalidade é obrigatório durante toda a prova.

VELA

Quando? 12 a 17 de setembro
Onde? Marina da Glória

A vela é disputada em três categorias, todas sem divisão por gênero. Homens e mulheres velejam juntos na 2.4mr, na Sonar e na SKUD18. A 2.4mR é individual, enquanto a classe Sonar tem uma equipe de três atletas. A classe SKUD-18 é composta por duplas, sendo um integrante obrigatoriamente do sexo feminino e um dos tripulantes tetraplégico. A quantidade de provas da regata é determinada pelos juízes da competição.

- 2.4mR - tripulado por um único atleta, que pode ter uma deficiência mínima
- SKUD-18 - barco para dois tripulantes paraplégicos, sendo que é obrigatória a presença de uma mulher
- Sonar - classe para três atletas. Cada um recebe uma pontuação que varia de 1 a 7 de acordo com seu grau de deficiência. O conjunto não pode somar mais que 12 pontos.

VÔLEI SENTADO

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Irã é a grande potência no vôlei sentado nas Paralimpíadas
Irã é a grande potência no vôlei sentado nas Paralimpíadas

Quando? 9 a 18 de setembro
Onde? Riocentro - Pavilhão 6

No vôlei sentado, podem competir homens e mulheres que possuam alguma deficiência física ou relacionada à locomoção. Os jogadores são divididos em dois grupos, de acordo com o grau de limitação ocasionado pela sua deficiência. Os com amputações e com problemas locomotores mais acentuados são classificados como D (do inglês, disabled). Já os que possuem deficiências quase imperceptíveis como problemas de articulações leves ou pequenas amputações nos membros são classificados como MD (minimally disabled) - cada equipe só pode ter um MD em quadra por vez.

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