Brasil bate recorde de pódios e ouros, mas não atinge metas no Rio-2016

Ricardo Zanei, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Getty
Bandeira do Brasil é projetada na cerimônia de encerramento: como foi o país no Rio-2016?
Bandeira do Brasil é projetada na cerimônia de encerramento: como foi o país no Rio-2016?

O Brasil viveu alguns lados da medalha nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Recorde de ouros e pódios inéditos. Resultados expressivos e investimentos inéditos, "nunca antes na história" do país. O balanço é positivo, de um lado, mas existem pontos preocupantes que não podem ser esquecidos.

Abaixo, levantamos alguns fatos da performance brasileira na Olimpíada.

 

  • Recorde de medalhas

  • 7
  •  
  • foram as medalhas de ouro do Brasil, superando as cinco de Atenas-2004.
  • 19
  •  
  • medalhas o país ganhou no Rio-2016, duas a mais que Londres-2012.
  • 13º
  •  
  • lugar foi a colocação do Brasil. Antes, a melhor posição havia sido 15º, na Antuérpia-1920.

De Antuérpia ao Rio, um fator em comum: uma medalha no tiro. Na Bélgica, Afrânio da Costa foi responsável pela prata na pistola, o primeiro pódio da história do país. Foi também do tiro que veio o primeiro ouro, com Guilherme Paraense. No Rio-2016, a história se repetiu: a prata de Felipe Wu foi a medalha que abriu o caminho para o recorde.

 

  • Medalhas inéditas

Thiago Braz, o primeiro ouro no salto com vara.

Robson Conceição, o primeiro ouro no boxe.

Martine Grael e Kahena Kunze, o primeiro feminino na vela.

Futebol masculino, o primeiro ouro da história.

Isaquias Queiroz, duas pratas (uma com Erlon de Souza) e um bronze. As primeiras medalhas da canoagem.

Poliana Okimoto, bronze, a primeira medalha da maratona aquática.

Maicon Siqueira, bronze, a primeira medalha masculina do taekwondo.

 

  • Recorde de "nunca antes"

"Nunca antes na história desse país" virou um meme das redes sociais nos últimos anos. Mas o fato é que nunca antes nos Jogos o Brasil colocou tantos atletas entre os oito melhores de suas disputas. No total, os atletas apareceram 71 vezes no top 8 de suas modalidades. A melhor marca até então havia sido em Londres-2012, com 41.

A canoagem, por exemplo, tinha como melhor resultado o oitavo lugar de Sebastián Cuattrin no K1 1000m nos Jogos de Atlanta-1996. No Rio, sai com três medalhas: as pratas no C1 1000m (Isaquias Queiroz) e C2 1000m (Isaquias ao lado de Erlon de Souza) e o bronze no C1 200m (também com Isaquias). "Nunca antes na história" um brasileiro havia conquistado três medalhas em uma mesma edição dos Jogos.

Canoagem slalom, ciclismo de estrada, esgrima, ginástica individual masculina, handebol masculino, levantamento de peso, polo aquático, tênis de mesa e tiro com arco. Mesmo sem pódio, todas as modalidades conseguiram o melhor resultado na história.

 

  • Investimento

Acima, a arte do Brasil 2016, portal oficial do governo federal dos Jogos, traz todos os números relacionados a investimento.

O que os números não dizem é que nunca se investiu tanto no esporte olímpico brasileiro. Desde o anúncio do Rio de Janeiro como sede, em outubro de 2009, o país dedicou mais de R$ 4 bilhões no esporte olímpico, sendo mais de R$ 3 bilhões em infra-estrutura física, incluindo as instalações olímpicas e centros de treinamento.

O investimento deu retorno? Sim, se você pensar que a campanha do Brasil foi positiva e nos pontos acima citados. Não, quando se pensa em meta e crescimento.

 

  • Meta não cumprida

"A meta do COB para o Rio 2016 é colocar o Brasil no top 10 do quadro total de medalhas dos Jogos Olímpicos. Estamos oferecendo a melhor preparação da história aos atletas para que eles tenham os melhores resultados de suas carreiras", disse o diretor executivo de Esportes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Marcus Vinícius Freire, no início do ano.

O que era necessário para alcançar a meta? O número estimado de medalhas variava entre 26 e 27. Durante os Jogos, caiu para 23, 24.

Realmente, com 23 medalhas o Brasil cumpriria a estimativa, mas chegou a 19. O Canadá, 10º colocado, terminou com 22. O fato é que a marca não foi atingida.

O COI (Comitê Olímpico Internacional) sempre usa como critério de classificação o número de ouros conquistados. O Brasil, 13º no quesito, teve sete vitórias, uma a menos que Itália (nona colocada), Austrália (10), Holanda (11) e Hungria (12).

Algumas medalhas esperadas não vieram, e dois exemplos são representativos. O vôlei feminino era uma delas. Desde Barcelona-1992, a seleção chegava pelo menos às semifinais. Em Pequim-2008, veio o primeiro ouro. Em Londres-2012, o bicampeonato. No Rio-2016, uma inesperada derrota nas quartas de final acabou com as chances de pódio.

O judô, um dos carros-chefe na conquista de medalhas, não havia fixado uma meta numérica, mas apostava em um crescimento em relação a Londres, ou seja, precisava de um ouro e uma prata. O ouro veio com Rafaela Silva. A prata, não. Mayra Aguiar e Rafael Silva trouxeram bronzes, mas a meta não foi cumprida.

Outras modalidades tiveram uma queda de desempenho. O ouro de Robson Conceição é louvável, mas, quantativamente, o boxe caiu de três medalhas em Londres para uma no Rio. A natação também: dois pódios em 2012, nenhum em 2016.

  • Crescimento pequeno

É tradição olímpica o país-sede ter um crescimento no quadro de medalhas em relação à edição anterior. Das 17 em Londres para as 19 no Rio, o aumento é de apenas 11,76%.

Como comparação, a Grã-Bretanha saiu de 47 medalhas em Pequim (19 ouros) para 65 em Londres (29 ouros), crescimento de 38% no total e 52% nos ouros. Outro exemplo é a Grécia, que passou de 13 medalhas (4 ouros) em Sydney-2000 para 16 pódios e 6 vitórias, aumento de 23% e 50%, respectivamente.

Fato preocupante é que a delegação brasileira quase duplicou em relação a Londres. De 277 atletas estiveram em Pequim, e 257 competiram em 2012. No Rio, o número foi de 465, uma explosão de 80%.

A Olimpíada de 2016 chegou ao fim, mas você acompanha o melhor do esporte mundial nos canais ESPN e no ESPN.com.br. Assista também no seu celular, tablet ou computador pelo WatchESPN!

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