Polícia conclui que nadadores norte-americanos mentiram sobre assalto

Gabriela Moreira, do Rio de Janeiro (RJ), com redação do ESPN.com.br
Pozzi e Rafa Ribeiro explicam 'história inventada' de nadadores norte-americanos

Os nadadores norte-americanos Ryan Lochte e James Feigen mentiram sobre eles e seus companheiros Gunnar Bentz e Jack Conger terem sido assaltados no Rio de Janeiro na madrugada do último domingo. Ao menos é essa a conclusão de investigação da Polícia Civil, segundo apurou o ESPN.com.br.

O inquérito aponta que os atletas não foram assaltados, mas que teriam se envolvido em uma confusão em um posto de gasolina. A conclusão é feita com base em imagens de câmeras de monitoramento, colhidas pela investigação, que tentou refazer o trajeto dos nadadores norte-americanos.

Segundo a Polícia, Lochte, Feigen, Bentz e Conger pararam em um posto de gasolina próximo à Casa França. No local, eles teriam iniciado uma discussão com seguranças, danificando, inclusive, a porta de um banheiro. O caso é acompanhado pessoalmente pelo chefe de Polícia Civil do Rio, Fernado Veloso, e conduzido pelo delegado Alexandre Braga, da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo.

Suspeitas

Na noite de terça, Lochte, já nos Estados Unidos, concedeu entrevista, por telefone, à "NBC" e alterou alguns detalhes de sua versão dos fatos, acrescentando mais dúvidas sobre o polêmico assalto. Desta vez, o nadador de 32 afirmou que o assalto não aconteceu quando voltavam de táxi para a Vila Olímpica, mas em um posto de gasolina.

"Eles foram até o banheiro do posto de gasolina. Voltaram ao táxi e pediram para que o motorista seguisse viagem, mas ele não se mexeu", explicou o jornalista Matt Lauer, da "NBC", que conversou com Lochte. "Foi então quando dois homens os abordaram com pistolas e distintivos da polícia", seguiu.

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Inicialmente, os quatro nadadores disseram que homens armados se fizeram passar por policiais e obrigaram o táxi, onde por volta das 4 horas retornavam de uma festa, a parar.

A outra incoerência revelada pela "NBC" em respeito a história original contada pelos nadadores seria que Lochte não teria ficado com uma arma na cabeça, mas que os supostos ladrões teriam apenas apontado a pistola.

Essas mudanças nas declarações de Lochte acontecem em um momento complicado para seus companheiros Bentz e Conger, que na quarta foram impedidos pelas autoridades brasileiras de retornar para os EUA. Lochte e Feigen tiveram seus passaportes apreendidos.

As versões dos atletas e o vídeo que mostra a chegada dos americanos na Vila Olímpica horas depois do suposto assalto levaram a polícia a abrir uma investigação para verificar a veracidade dos depoimentos dos nadadores.

A Justiça pediu na quarta que os passaportes dos atletas fossem apreendidos e eles foram proibidos de deixar o país, no entanto, Lochte e Feigen já haviam retornado para os EUA. 

'ARRUAÇA'

Em entrevista aos programas "RJTV" e "Jornal Hoje", ambos da TV Globo, o chefe Polícia Civil, Fernando Veloso, disse nesta quinta-feira que os nadadores causaram danos ao posto de gasolina na Barra da Tijuca e que as imagens gravadas desmentem a versão deles.

"Eles param, vão ao banheiro e começam uma série de arruaças. São homens grandes, atléticos. Dá para ver perfeitamente que são os atletas [americanos]. Eles causam um dano as instalações desse posto de gasolina. A perecia técnica da policia civil está sendo acionada para fazer o trabalho dela e produzir os laudos que constatarão esse dano", disse Veloso, ao ver as imagens das câmeras de segurança do posto de gasolina.

Ao ver as imagens em que o quarteto deixa o banheiro e ingressa em um táxi parado no posto de gasolina, Veloso novamente desmente a versão contada pelos americanos.

"Mais uma parte do relato que não bate. Não houve troca de taxi, não houve abordagem no meio da rua. O taxista estava parado. Eles estavam no posto de gasolina. A história deles é descontruída pelas imagens das câmeras de segurança", disse ele. 

"Eles estavam sob efeito de bebida alcoólica", afirmou em seguida.

"É importante esclarecer o que ocorreu. A história que foi contada é que atletas olímpicos estrangeiros teriam sofrido alguma violência, mas não foi isso. É [criar essa história] é muito grave", concluiu Veloso.

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