Chinesa quer medalha para ajudar na cura do irmão, que a levava para a escola nos ombros

EFE
Getty
Shang Chunsong
Shang Chunsong vai disputar a final das barras assimétricas nos Jogos do Rio

A pequena Shang Chunsong, de 20 anos, foi uma das imagens marcantes da final do individual geral de ginástica artística feminina dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, ao cair no choro diante das câmeras da emissora estatal chinesa "CCTV" depois de ficar em quarto.

Apenas 115 milésimos separaram a ginasta de 1,42m de altura da medalha de bronze, que seria o símbolo da superação. Shang nasceu de uma remota aldeia de Zhangjiajie, nas belas montanhas de Hunan, uma paisagem idílica que inspirou os Montes Aleluia do filme "Avatar", mas onde a vida em nada se parece com o cinema.

A família de camponeses da ginasta nem sempre pôde garantir aos filhos alimentação e roupas necessárias para se proteger do inverno. Para ir à escola, ela e o irmão, que sofre de cegueira parcial, tinham que percorrer todos os dias vários quilômetros através das montanhas, algo que ainda ocorre a muitas crianças chinesas em zonas remotas do país.

Seu irmão às vezes a levava sobre os ombros no duro percurso. O maior sacríficio pela irmã, no entanto, foi quando ela iniciou na ginástica, ao 7 anos, e ele abandonou a escola e arrumou um emprego como massagista - ofício habitual entre os cegos chineses - para ajudar no pagamento das aulas de ginástica de Shang.

Foi então que a menina decidiu treinar ao máximo - e nos rígidos centros de treino para ginastas da China isso é especialmente duro - com um único objetivo: juntar um dia dinheiro suficiente para que seu irmão pudesse operar os olhos.

Shang já conquistou o bronze por equipes no Rio e, neste domingo, terá outra chance, já que ela vai brigar por medalha nas barras assimétricas, a partir das 16h21 (de Brasília). A chinesa parte em princípio com as piores notas, mas pode comemorar ao menos o fato de esse ser o único aparelho sem Simone Biles no páreo.

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