O drama de Jade: a menina tímida que conquistou o mundo e desabou no Rio 2016

Bianca Daga, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
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Jade Barbosa sofreu lesão durante exercício de solo nos Jogos Olímpicos

Rio de Janeiro, cidade de alegrias e tristezas para Jade Barbosa. Onde nasceu, onde fez sua estreia pela seleção brasileira de ginástica artística feminina, onde mostrou seu lado chorona pela primeira vez, mas também onde conquistou resultados históricos. E onde, nessa quinta-feira, viveu mais um capítulo na série de lesões e dramas que acompanharam sua vida e sua carreira.

Desta vez, foi na final do individual geral dos Jogos Olímpicos. Depois de passar pela prova de trave e receber nota 13.700, Jade virou o pé na primeira aterrisagem de seu exercício no solo. Até tentou continuar se apresentando, mas não deu. Desabou na frente dos mais de 10 mil torcedores que gritavam seu nome na Arena Olímpica. Saiu chorando e de cadeira de rodas - mais tarde, ficou constatado apenas edema leve no tornozelo.

Talvez a cada novo golpe um filme passe em sua cabeça. Aos nove anos, perdeu a mãe, vítima de um aneurisma. Mas apoiada pelo pai, seguiu em frente e conquistou o mundo. Criada em Copacabana, começou a se destacar no quintal de casa. Em 2005, aos 14 anos, defendeu o Brasil pela primeira vez, substituindo Daiane dos Santos no Pré-Pan do Rio.

Dois anos depois, estreou internacionalmente: conquistou prata no solo e no salto na etapa de Cottbus da Copa do Mundo. A temporada 2007 ainda lhe reservava os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. 15 anos depois do ouro de Luisa Parente, Jade foi campeã no salto, tendo levado, também, prata com a equipe e bronze no solo.

No entanto, na disputa da trave e das barras assimétricas, sofreu quedas e mostrou seu lado "chorona" aos 16 anos. E o um choro doído veio no ano seguinte. Depois de estrear em Olimpíada, em Pequim-2008, com o 10º lugar no individual geral - melhor resultado do país na prova, até hoje, recebeu um diagnóstico que poderia ter mudado sua vida.

Exames mostraram que ela sofria de osteonecrose, problema que prejudica a irrigação no capitato, o osso central do punho, e limita os movimentos. O prognóstico era de que Jade teria que encerrar precocemente sua carreira na ginástica. Diante da indiferença do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), seu pai, César, passou a vender camisetas no site oficial da filha para conseguir juntar recursos e pagar o tratamento dela.

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Ginasta saiu da arena de cadeira de rodas

Mas não foi o que aconteceu. Foram dois anos de afastamento da seleção brasileira, até voltar a competir, no Campeonato Mundial de Roterdã-2010. Em dezembro de 2010, recebeu do COB o Prêmio Brasil Olímpico, como melhor ginasta artística do país. 

Em 2011, novas lágrimas. Durante o Campeonato Mundial de Tóquio, no Japão, Jade torceu o tornozelo após se desequilibrar na aterrissagem do salto, lesão que a tirou dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. No começo do ano seguinte, chorou quando caiu duas vezes na prova de trave do pré-olímpico, em Londres.

E aí vieram os Jogos Olímpicos de Londres. Seria a segunda vez que ela participaria do maior evento esportivo do mundo, depois de ter sido 10º colocada no individual em Pequim-2008, melhor resultado do país na prova, até hoje. Não fosse, no entanto, ter sido cortada pela CBG (Confederação Brasileira de ginástica) por questões contratuais.

A divergência ficou para trás, e novos capítulos azarados vieram neste ciclo olímpico. Em 2013, ficou fora do Campeonato Mundial de Antuérpia, na Bélgica depois de romper o ligamento do pé direito em um treino. No ano seguinte, não pôde participar do Mundial de Nanning, na China, para tratar uma lesão no joelho.

Do Rio de Janeiro para o mundo, sempre foi assim. Uma carreira de altos e baixos. A menina tímida e sofrida, que precisou superar os desafios que a vida lhe impõs, se transformou, também, em um "mulherão".

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Vira e mexe, usa as redes sociais para postar fotos do seu dia a dia e arranca suspiros. No Instagram, são 526 mil torcedores. Mas nem por isso deixou de ser a Jade Barbosa, ginasta de chorou fácil, que faz a torcida se comover e sentir sua dor, como foi na Arena Olímpica em seu adeus aos Jogos no quintal de casa.

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