Meia é destaque no Coritiba no Brasileiro, mas já foi reprovado como goleiro no Corinthians

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Site Oficial Coritiba
Raphael Veiga é um dos destaques do Coritiba
Raphael Veiga é um dos destaques do Coritiba

Destaque do Coritiba do Campeonato Brasileiro, Raphael Veiga chamou atenção por ter feito um gol e dado assistências nas últimas partidas. Virou uma esperança para os torcedores. Por muito pouco, porém, o meia de 21 anos poderia estar no gramado em uma função exatamente oposta: debaixo dos três postes e usando luvas.

Morador do Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo, ele foi com nove anos de idade fazer testes no Corinthians como...goleiro!

"Eu era muito fã do Marcos na Copa do Mundo de 2002. Era um goleirão. Nas brincadeiras com meus amigos gostava de me jogar no chão e gritava o nome dele. Um dia meu pai conseguiu um teste para mim no Parque São Jorge", contou o jogador, ao ESPN.com.br.

"Fui lá, mas não tinha nenhuma técnica, só brincava mesmo. Só que achei que era suficiente (risos). Meu pai comprou uma luva de futsal cortada nos dedos para fazer teste no campo. Fui lá para brincar, sem pretensão de um dia virar profissional nem nada".

O garoto era pequeno e até sumia no meio de uma baliza tão grande e acabou não tendo muito sucesso. "O jogo rolando lá na frente e eu guri encostado na trave, não tinha noção nenhuma. Eu não fazia nada, parecia um cone lá (risos). Eles devem ter me visto treinado, mas não devem ter gostado. Lembro que fiz uns treinos de finalização no gol como goleiro. Acabei sendo mandado embora depois de uns dias", afirmou.

A dispensa fez Raphael abandonar a posição, mas não o futebol. Apenas duas semanas depois, para espanto de todos, ele voltou para outro teste.

Divulgação/Coritiba
Raphael Veiga e um dos destaques do Coritiba
Raphael Veiga é titular no Coritiba

"Eu não sei o que os caras pensaram quando me viram lá de novo (risos). Como assim um dia ele quer ser goleiro e no outro jogador? Eu jogava na linha também, tinha certa habilidade, e passei depois de uma semana. Fui registrado no Corinthians e logo no primeiro jogo fiz um gol".

Na base do clube alvinegro, ele jogou com alguns jogadores como o zagueiro Marquinhos (PSG) e o arqueiro Caíque França. "Os moleques só me chamavam de goleiro para lá, goleiro para cá (risos). Era engraçado. Depois de dois anos fui dispensado por ser baixinho e sem força".

O jogador ficou um tempo parado e passou por clubes como Fundação (São Caetano do Sul), Mercedes-Benz (São Bernardo) até ser aprovado no São Paulo. Ele não permaneceu no Morumbi por conta da distância e do alto custo de deslocamento para sua casa.

Raphael ainda passou pela Portuguesa antes de ficar novamente parado. Uma viagem inesperada para a praia mudou a careira do meia, em 2010.

"Minha mãe me levou contra a minha vontade. Estava rolando futebol de areia e encontrei um ex-técnico meu. Ele me viu jogando e chamou pra fazer um teste no Pão de Açúcar (hoje Audax-SP). Passei e de lá comecei de verdade", recordou.

No time de São Paulo foram quatro anos de base e com apenas 17 anos foi efetivado no time profissional pelo técnico Fernando Diniz.

Veja os gols do empate entre Cruzeiro e Coritiba por 2 a 2

"É um cara que me ajudou muito e brigava bastante para eu evoluir. Ele e o [técnico] Ricardo Catala cobravam muito que melhorasse meu passe. Por causa da filosofia de posse de bola deles, eu fiquei bom nisso e desenvolvi muito a visão de jogo".

Raphael fazia faculdade de educação física, jogava algumas partidas no Campeonato Paulista da Série A2 ao mesmo tempo em que atuava no Estadual Sub-20. Em um confronto diante da Ponte Preta, ele chamou a atenção de um olheiro do Coritiba.

"Fiquei um ano no sub 20 e depois no time sub 23. Em fevereiro desse ano subi para a equipe principal. No começo rolava aquela ansiedade quando via os caras. Acelera o coração ver um Alex treinando (risos). Conforme foi passando o tempo tudo foi ficando normal e me enturmei".

Raphael marcou seu primeiro gol na derrota do Coritiba para o Vitória por 3 a 1

JOGANDO AO LADO DO ÍDOLO

Nascido em uma família de palmeirenses, o meia era levado ainda criança pelo pai no Parque Antárctica. Um dos jogos inesquecíveis foi a final do Campeonato Paulista de 2008.

"Olha como as coisas são. Um dia fomos ver o Kléber Gladiador na decisão contra a Ponte Preta [vencida por 5 a 0 pelo Palmeiras]. Na semana passada estávamos jogando juntos contra a mesma Ponte (risos). Brinco muito com ele porque era um dos meus ídolos. Realizei o sonho do meu pai".

Gazeta Press
Kleber Gladiador abriu o placar para o Coritiba
Kleber (ao centro) era ídolo de Raphael 

O canhoto ganhou destaque nas últimas partidas da equipe paranaense e caiu nas graças da torcida.

"Contra o Santa Cruz precisávamos da vitória e participei do gol. Fiz um bom jogo e depois contra o Vitória fui titular, marquei um gol e daí o pessoal começou a me olhar diferente. Depois disso, as coisas começaram a acontecer", disse o meia que tem cinco partidas na competição e balançou as redes uma vez até aqui.

Feliz como meia e com o momento atual, Veiga nem pensa em voltar as balizas.

"Foi um a decepção muito grande e nunca mais peguei no gol. Até joguei as luvas fora e depois disso só brinquei na linha mesmo. Naquele dia eu lembro que ganhei uma camisa do Ronaldinho Gaúcho do Barcelona, comecei a driblar e falar que era o Ronaldinho (risos). Te garanto uma coisa: nem em rachão eu vou no gol".

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