Luta com campeão mundial e só 4 meses de preparação: o Rio 2016 dos judocas refugiados

Guilherme Nagamine, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
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"Quando entrei no pensei que não teria nenhum torcedor. Fiquei emocionado. Consegui vencer a primeira luta. Na segunda, lutei com o campeão do mundo. Estou muito feliz" - Popole Misenga

"Eu fiquei feliz. Eu senti que as pessoas ficaram felizes. Muita gente gostou de mim. Represento muitas pessoas do mundo. Representamos muitos países do mundo" - Yolande Bukasa

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminaram para os dois judocas que representaram o Time Olímpico de Refugiados criado pelo COI. Popole Misenga e Yolande Bukasa fecharam um ciclo que envolveu muita atenção da mídia, três lutas e um sentimento de felicidade.

Os dois estão desde 2013 no Brasil, quando foram acolhidos para treinar no Instituto Reação, criado pelo ex-judoca Flávio Canto. A caminhada para chegar até lá envolveu abusos - como ficar preso em jaulas após derrotas - e a incerteza.

Da mesma maneira, a estrada para chegar até o Rio também teve seus percalços. Desta vez, esportivos.

"O normal é o atleta se preparar em quatro anos. Eles tiveram quatro meses", afirmou Geraldo Bernardes, ex-técnico da seleção brasileira de judô e que orientou Popole e Yolande.

Foram quatro meses intensos. O Comitê Olímpico Brasileiro chamou ele para um reunião e perguntaram se ele poderia fazer um planejamento de treinos para os dois.

Geraldo também teve que repassar aos dois tudo sobre as regras do judô: em qual local pode pisar, em qual local não pode, que tipo de pegada é permitida, qual é o melhor lugar para pegar no quimono... Um verdadeiro recomeço.

Algo que ajudou muito os dois antes da chegada ao Rio foram vários períodos de treinos com a seleção brasileira. Um aprendizado de grande valia para os dois.

"Isso deu um upgrade. Tinham pouco tempo de preparação e treinaram e se concentraram com a seleção brasileira", explicou Geraldo.

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Yolanda caiu ainda em sua estreia na Arena Carioca 2, quando enfrentou a israelense Linda Bolder.

Já Popole levantou a torcida após vencer o indiano Avtar Singh na primeira luta. Na segunda caiu, diante do sul-coreano Donghan Gwak, atual campeão mundial e líder do ranking. Mas não sem dar trabalho.

"Lutei com ele até o fim. Ele não conseguiu fazer nenhum golpe para me derrubar. Consegui lutar com um campeão do mundo que não fez nada", afirmou Popole.

"Sabíamos que o Popole tinha alguma chance com o indiano. Com o sul-coreano, a estratégia era não ir para cima, e sim trazer ele para trás. Era praticamente impossível ganhar do número um do mundo. Ele só deu uma bobeada no chão. Pena que a Yolande não teve a mesma sorte [de vencer uma luta]", complementou Geraldo.

Tanto Yolande como Popole disseram que pretendem continuar no judô. Já Geraldo diz que eles precisam pensar no futuro - "O esporte é passageiro. Estão com um professor na Estácio para ver se fazem o Enem para entrar na faculdade e terem uma profissão".

Enquanto isso, Popole já diz ter conseguido sua medalha. Yolande, gravado seu nome na história.

"A luta não é só judô. A luta é da vida. Sou guerreiro. Chegamos aqui e mesmo se perdeu, tá tudo bem. Mais para frente, quando olharem a Olimpíada do Rio de Janeiro, vão ver meu nome lá", disse ela. 

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O judô nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro acontecerá até o próximo dia 12 de agosto, sempre na Arena Carioca 2, na Barra, a partir das 10h. Os canais ESPN transmitem ao vivo o Rio 2016 e você pode assistir a tudo a qualquer hora e de qualquer lugar no WatchESPN.

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