Faca passa por segurança, ignora raios-x e entra sem problemas em arenas olímpicas

Diego Garcia, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
ESPN.com.br
Facas entraram fácil em complexos esportivos dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Facas entraram fácil em complexos esportivos dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Como você se sentiria se comprasse ingressos para assistir a um jogo de Olimpíada ao lado dos seus filhos pequenos e, ao se acomodar nas poltronas do estádio, visse que a pessoa na cadeira ao seu lado carrega uma faca, ou qualquer objeto de metal cortante que possa ferir ou, dependendo do que for, até matar?

Foi diante dessa lógica que o ESPN.com.br promoveu um teste: resolveu verificar como funciona o esquema de segurança em algumas das arenas que recebem os Jogos do Rio de Janeiro, mais precisamente o das máquinas de raios-x disponíveis nas entradas.

Desde a última sexta, a reportagem vem andando com uma faca de cozinha, de 17 centímetros de comprimento e totalmente metálica, dentro da mochila que carregava aos eventos.

Passou, desde então, pela Arena do Vôlei de Praia, foi ao ciclismo, ambos localizados na praia de Copacabana, e também chegou ao Maracanãzinho.

Em todos os locais citados pela reportagem, a mochila passou por equipamento de raios-x supervisionados por policiais ou membros da Força Nacional.

Ninguém sequer pediu para verificar o interior da mochila com suspeita de algo irregular dentro da bagagem.

Dentro, também estavam computador, carregadores de celular, calça jeans e agasalho, além de caneta e bloco de anotações.

E foram várias entradas e saídas nos locais, o que evidencia que a falha ocorreu seguidas vezes, durante três dias consecutivos e em locais distintos e distantes uns dos outros.

As máquinas de raio-x utilizadas nas Olimpíadas são combinadas a programas de computador - esses acompanhados pelos membros da Força Nacional ou da própria segurança dos Jogos - que colorem os objetos das malas de acordo com sua densidade.

Assim, produtos químicos e objetos densos e pontiagudos são mais fáceis de identificar, apesar de esses, em alguns casos, terem a possibilidade de se camuflarem entre outros itens no interior da mochila. Por isso, nem sempre são identificados.

O problema é quando isso acontece em 100% dos casos, como aconteceu com a reportagem.

Vale citar que o público fica bem próximo aos atletas que disputam os Jogos.

Portanto, a entrada - em várias oportunidades e em diferentes locais - de um objeto, por menor que seja, que possa ser letal à vida humana é digna ao menos de preocupação, já que é sinal que o sistema possui falhas.

A ESPN tentou seguidos contatos com a organização do Rio 2016 desde a noite da última segunda-feira para comentar o incidente, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.

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