Natação inicia com recordes, refugiada heroica, espanhol apressado e Brasil fora das finais

Igor Resende, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images
Começaram as disputas da natação no Rio de Janeiro
Começaram as disputas da natação no Rio de Janeiro

Começou a natação na Olimpíada do Rio de Janeiro. E foi um início e tanto. Teve recorde mundial, teve recorde olímpico. Mas o melhor mesmo ficou para quem vai passar muito longe do pódio. A refugiada Yursa Mardini roubou a cena pela superação e vencer uma bateria nos 100m borboleta. Já o espanhol Miguel Duran Navia teve sua segunda chance após emocionar a todos pelo choro ao queimar a largada em sua primeira tentativa. Ponto negativo para a ausência de brasileiros em finais no primeiro dia.

Yursa, sem dúvidas, foi o grande destaque deste sábado. Ela ficou bem longe das semifinais com 1:09.21, mas fez história: deu a vitória na primeira bateria dos 100m borboleta para o Time dos Refugiados. Mais que isso, coroou uma história de vida incrível. Aos 18 anos, ela carrega consigo o peso de ter fugido da guerra da síria nadando. E ainda ter salvo outra 19 pessoas no percurso.

O Brasil foi bem nessa eliminatória. A primeira a levantar mesmo o público foi Daynara de Paula. Ela venceu sua bateria nos 100m borboleta com um tempo de 57.92, a melhor marca de sua vida, e animou os presentes. No fim, acabou com o 14º melhor tempo e se garantiu na semifinal da prova. Ela ainda terá a companhia de Daiene Dias, que foi a 15º, e também se classificou. A melhor da tarde foi a sueca Sarah Sjostrom, com 56.26.

Esportivamente, o grande destaque foi para o britânico Adam Peaty. Ele foi o responsável por quebrar o primeiro recorde mundial da natação, com 57.55 nos 100m peito, superando uma marca que era dele mesmo.

Favoritos a medalhas, os brasileiros Felipe França e João Gomes também cumpriram as expectativas e passaram até com certa facilidade pelas eliminatórias. Felipe teve o terceiro, e João o oitavo melhor tempo. Eles disputam as semifinais durante a noite, tentando vaga na disputa de medalhas do domingo.

Outro momento de emoção veio nos 400m livre. O espanhol Miguel Navia ficou nervoso e acabou queimando por muito a largada. Ele teria que ser eliminado e saiu da piscina chorando muito. O juiz da prova, porém, deu uma segunda a chance a ele e o permitiu nadar. Ele não foi bem, acabou a bateria em penúltimo, mas emocionou a todo.

"Estava um pouco nervoso. Escutei algo e aconteceu o que aconteceu. Pelo menos pude nadar, me deixaram nadar. Em princípio estava decepcionado comigo mesmo. Depois a concentração não estava como deveria estar, era tudo que poderia dar no momento", disse.

O representante brasileiro, Luiz Altamir, foi mal e acabou apenas com o 32º tempo: 3:50.82. O melhor do dia foi o norte-americano Conor Dwyer, com 3:43.42.

"Eu sei que podia ter ido melhor. A emoção de poder estar aqui em casa e ver o povo torcendo é uma sensação única. Quando pisei atrás do bloco, senti algo que nunca tinha sentido na vida. Infelizmente eu não consegui. Mas ainda tem o 4x200m e a gente tem chance de pegar uma final. Não foi o que eu queria, piorei meu tempo. Mas é isso, tem que cair e levantar quantas vezes forem necessárias. Vou levantar", lamentou o brasileiro.

O sábado ainda ficou perto de ter outro recorde, nos 4x100m medley feminino. Grande favorita, a húngara Katinka Hoszu chegou a nadar mais de 3s abaixo da melhor marca da história, mas perdeu fôlego no fim e fechou em 4:28.58, 15 centésimos acima do que precisaria. Ela, claro, avançou à final com o melhor tempo.

Classificação que, curiosamente, não veio para a dona do recorde. A chinesa Ye Shiwen não conseguiu se livrar da péssima fase que vive, fez só 4:45.86 e ficou bem longe da classificação. A brasileira Joanna Maranhão, com o 15º melhor tempo (4:38.35), também acabou eliminada.

Em outra prova do dia, uma das revelações da natação brasileira, Brandonn Almeida foi o primeiro a representar o país na natação do Rio 2016. Nos 4x100m medley, ele anotou 4:17.25, ficou apenas com a 15ª melhor marca e acabou ficando de fora da final. Destaque para o norte-americano Chase Kalisz, que se intrometeu entre os japoneses voadores e favoritos Daiya Seto e Kosuke Hagino, para cravar o melhor tempo do ano: 4:08.12.

Já na última chance de uma vaga nas finais, o Brasil acabou não indo tão bem no revezamento 4x100m livre feminina. A equipe nacional acabou com o 11º melhor tempo, fora da disputa por medalhas. Como de costume, a Austrália liderou as eliminatórias e ainda quebrou o recorde olímpico com 3:40.46.

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